Vinhos

Grapa: o destilado de luxo

Sabe-se logo quando os italianos não querem que a noite acabe: surge a grapa. Embora hoje a grapa seja produzida em toda a Itália, historicamente era uma especialidade do norte do país, onde uma pequena dose junto com o café da manhã ajudava as pessoas a saírem num dia gelado.

A origem da Grappa vem da Idade Média e reza a lenda que um legionário romano desconhecido teria aprendido as técnicas de destilação no Egito durante o domínio romano. Ele levou esse conhecimento e uma amostra da bebida chamada como “Crisiopea di Cleopatra” de volta à Itália, mais especificamente para a região do Friuli, que fica na parte superior da Bota e faz fronteira com Áustria e Eslovênia.

A Grappa pode ter de 37% a 60% de álcool e segue o mesmo processo de produção na Espanha, onde recebe o nome de Orujo, e em Portugal, onde é conhecida como Bagaceira ou Aguardente Portuguesa. A grapa é uma aguardente clara resultante da segunda fermentação do bagaço das uvas (polpa, engaços, sementes e cascas que restaram do vinho elaborado). Dependendo da qualidade da matéria-prima e do método de destilação, o produto final pode ser áspero como uma granada que incendeia a garganta ou ter um paladar macio, vinoso e forte.

Podemos classificar a Grappa em três grupos: blend, quando for feita com diversos tipos de uvas; varietal, quando provém de uma variedade única; e Invecchiata, quando passa por um processo de envelhecimento em barris de carvalho.

As garrafas fazem parte da atração. Desde o final da década de 1980, as garrafas de grapa, com desenhos atraentes e de vanguarda, não deixam de ser extraordinárias.

As grapas foram muito utilizadas pelos soldados para se aquecerem no inverno e não tinham a mínima pretensão de ser uma bebida de qualidade. Nos dias de hoje, devido à dispensada à fruta e não mais ao álcool, a bebida se tornou mais suave e de sabor balanceado. A partir do século XX, a Grappa ficou conhecida não somente na Itália, mas no resto do mundo, revelando-se um produto de luxo, sendo encontrada nos mais sofisticados bares e restaurantes.

Embora tenham a aparência inócua de água, as grappe atuais têm qualidade excepcional, natureza sedutora, perfumada intensidade aromática e grande persistência. São menos agressivas que as antigas, com mais atenção dispensada à fruta que ao álcool, o que as torna mais suaves. Com isso, muitas pessoas que rejeitavam o produto por ser muito rústico e forte agora estão se tornando fãs da bebida.

No Brasil, temos bons produtores de Grappa e certamente a Casa Valduga, que faz vinhos desde 1875, é a principal referência nacional no quesito. Atualmente, ela faz três variedades: Cabernet Sauvignon, Prosecco e Chardonnay.

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