Royale completa 30 anos e se consolida como referência em inovação e tradição

Crescimento da padaria e confeitaria acompanhou mudanças no comportamento dos clientes ao longo das décadas

A história da Padaria e Confeitaria Royale é, acima de tudo, uma narrativa de persistência, visão e adaptação. Ao completar 30 anos, o negócio se consolida como referência não apenas pela qualidade dos produtos, mas pela capacidade de inovar e transformar hábitos em uma comunidade que, no início, sequer tinha o costume de comprar pão diariamente.

A ideia de empreender surgiu de forma natural com os fundadores Sérgio Tiedt (63 anos), Marciana Rosa Tiedt (60 anos) e o falecido Sr. Antônio Francisco Rosa (Pinga). Maicon Rosa (44 anos), irmão de Marciana, também já ajudava na produção. Mas o caminho até definir o segmento exigiu reflexão. “A ideia surgiu pelo fato de nós querermos empreender em algo. Nos passaram vários formatos de negócio”, relembra seu Sérgio.

A decisão final veio a partir de uma necessidade clara da região. “No fim, chegamos à conclusão que no bairro faltava uma padaria. Na época, só tinha posto de venda de pão. A gente estava muito carente de alguém que fabricasse pão, não apenas distribuísse”, conta.

O início foi simples, quase improvisado, mas cheio de propósito. A Royale começou em uma garagem alugada, com estrutura reduzida e foco total na produção. “Ficamos anos no primeiro imóvel, que era uma garagem aqui do vizinho”, lembram os sócios. Nesse período, o trabalho era concentrado no balcão, com venda de produtos básicos de panificação e confeitaria. “O carro-chefe sempre foi o pão.”

Mais do que a limitação física, havia um desafio cultural significativo. O hábito da população era completamente diferente do atual. “O comer na rua, há 30 anos, não era hábito”, explica Sérgio. Muitas famílias produziam o próprio pão em casa, o que gerava resistência à proposta da padaria. “Diziam que não adiantava botar uma padaria aqui, porque as pessoas faziam pão em casa”, recorda Marciana.

A estratégia para vencer essa barreira foi clara: qualidade e preço justo. “A gente tentou sempre oferecer o produto bom, com preço justo.” Aos poucos, o comportamento começou a mudar. “Conseguimos criar no hábito dos clientes o consumo de pão pronto”, explicam os empreendedores.

Hoje, segundo Sérgio, a realidade é completamente diferente. “Se o pão não estiver fatiado, a pessoa não tem nem mais a faca para cortar”, comenta, ao ilustrar a transformação no cotidiano das pessoas.

Foto: Carla Belchior/Testo Notícias

O crescimento da clientela trouxe novas demandas e, com elas, novas oportunidades. A mudança para um prédio próprio marcou um divisor de águas. Foi nesse momento que a Royale começou a explorar o consumo no local. “Quando viemos para cá, começamos com seis cadeiras no balcão e duas ou três mesinhas”, relembra. A proposta ainda era tímida, mas representava uma inovação importante para a época.

A partir daí, o negócio passou por uma evolução constante. A confeitaria ganhou espaço, e novos produtos começaram a surgir. Muitas dessas criações têm origem em experiências simples, do dia a dia. “Tem receitas que a gente desenvolveu comendo na casa de uma tia”, conta Maicon, hoje sócio da Royale. Um exemplo marcante é a criação de combinações que hoje são comuns, mas que na época eram novidade. “Sobrou morango picado e a gente pensou: por que não rechear o bolo? E deu certo”, relembra.

O cardápio, que no início era limitado, foi se ampliando ao longo dos anos. “No começo, a gente fazia só três tipos de bolo”, lembra. Hoje, a variedade é muito maior, resultado de um processo contínuo de testes e aperfeiçoamento. Essa evolução acompanhou também a mudança no comportamento do consumidor. “Antes, o cliente queria levar o bolo inteiro. A gente nem queria cortar. Depois percebemos que precisava vender em fatias, porque o consumo no local começou a crescer”, explica.

A inovação não se restringiu aos produtos. Investimentos estruturais também marcaram a trajetória da Royale. “Quando colocamos o primeiro ar-condicionado, foi uma surpresa. Diziam que isso não era necessário”, conta. Hoje, esse tipo de conforto é considerado básico, o que mostra como a padaria esteve à frente do seu tempo em alguns momentos.

Outro diferencial importante foi a decisão de manter a produção própria. Mesmo com a facilidade crescente de adquirir produtos prontos, a Royale optou por seguir outro caminho. “Se você entrar de cabeça em produto pronto, você acaba sendo só mais um”, afirma Sérgio. Ele reforça que a escolha por receitas próprias, apesar de mais trabalhosa, garante identidade ao negócio. “O cliente percebe quando tem algo diferente, quando é feito com mais cuidado”, completa.

Ao longo dessas três décadas, os desafios foram muitos. A formação de equipe, as mudanças no mercado e os riscos financeiros estiveram presentes em diferentes fases. “Sempre dá aquele frio na barriga quando você decide ampliar ou investir”, lembra. Cada expansão exigiu coragem e planejamento, mas também trouxe novas possibilidades de crescimento.

A relação com o cliente sempre foi um dos pilares do negócio. A confiança construída ao longo dos anos é vista como um dos maiores patrimônios da empresa. “Hoje tem cliente que faz pedido por e-mail e nem liga para confirmar, de tão confiado que está”, conta. Esse vínculo é resultado de um trabalho consistente, baseado em qualidade, atendimento e compromisso.

Três décadas depois, a Royale se consolidou como muito mais do que uma padaria. É um espaço que reúne diferentes experiências, do café da manhã ao almoço, passando por encontros, celebrações e momentos do dia a dia. Uma trajetória construída com trabalho, inovação e, principalmente, capacidade de adaptação, características que seguem guiando o negócio para o futuro.

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