O olhar de Hans-Joachim Musilinski para a cidade que o acolheu como cidadão honorário

Ele começou a fotografar aos dez anos e, desde então, nunca mais largou a máquina fotográfica. Na época, a câmera, que foi um presente dos pais, se tornou a grande companheira de Hans-Joachim Musilinski. “Acho que a câmera custou naquela época algo em torno de 10 marcos, foi um presente muito barato. E foi com ela que pude fotografar, me desenvolver e hoje tenho muito conhecimento técnico. É como eu sempre digo: a fotografia é minha vida”, conta o jornalista.

Musilinski se orgulha ao relembrar dos trabalhos e conquistas que teve ao longo de quase 70 anos de carreira. Como jornalista fotográfico viajou o mundo, sempre por meio do seu olhar poético para as pessoas e os lugares. “Tive a satisfação de visitar muitos países e tenho praticamente todo o mundo fotografado. Muitos desses trabalhos, como com os índios da América do Norte e as minhas experiências na Tailândia se transformaram em fotolivros e exposições”.
Como jornalista, foram anos dedicados à profissão, com trabalhos publicados em jornais como o Norddeutsche Neueste Nachrichten e o Ostsee-Zeitung, considerados alguns dos maiores jornais diários daquela região da Alemanha. “Além disso, também escrevi para muitos jornais e acho que fiz mais de 30 exposições no total”.
Já Pomerode foi apresentada a Musilinski em 2004, quando fez sua primeira visita ao Vale do Itajaí. Foi um amor à primeira vista, que deu muitos frutos, transformados em belas crônicas, artigos e milhares de fotos que rodaram o mundo. “Na Alemanha sempre sou perguntado pelas pessoas: ‘O que você mais ama em Pomerode? Por que você está indo para lá novamente?’ E então eu penso primeiro e sempre digo: a cerveja é gostosa, as mulheres são bonitas, mas o melhor de Pomerode são as pessoas. Aquelas que construíram e cuidam para que a cidade tenha um bom futuro”, fala emocionado.
O jornalista garante que já fez cerca de oito exposições sobre a cidade, em sua maioria aqui no município, com todo o trabalho doado para acervo local. “E também tenho na Alemanha uma grande exposição sobre Pomerode, e que também foi apresentada em Greifswald. Na época, ficou aberta por um longo tempo na prefeitura, porque as pessoas gostaram muito do resultado desse trabalho, isso foi para mim uma honra especial”, relembra.
O olhar que Musilinski tem por Pomerode talvez seja hoje uma das marcas registradas de seu trabalho. Seu amor é declarado e reforçado em fotos, textos e músicas. Por um período visitou a cidade periodicamente, estava afastado, a contragosto, por problemas de saúde. “Gosto de tirar fotos da natureza, mas também das pessoas, retratos, de crianças até pessoas idosas, porque acho que nós precisamos rir da vida, mas também ver as coisas que nos dão medo para não nos esquecermos disso”.
A vinda de Musilinski para o Brasil desta vez foi ainda mais especial, ele recebeu o título de Cidadão Honorário de Pomerode no dia 04 de junho. Sua estadia na cidade mais alemã do Brasil deve se estender até o dia 28 de junho, quando retornará à Alemanha. No período que está por aqui, aproveita para visitar amigos, escrever textos e letras de músicas e, claro, fotografar.

“Estou trabalhando em um material sobre as mulheres pomerodenses e sobre a bela natureza do município. Já tenho muitas fotos, e agora está sendo difícil separar as melhores. Além disso, quero também produzir um material com o trabalho feito com Sandro e Wilson, com todas as músicas que nós escrevemos e que já somam 38 no total. Sempre que venho a Pomerode ganho novas ideias e inspirações. Esta menção não é só uma honra para mim, mas também um compromisso, porque eu continuarei escrevendo, fotografando e compondo músicas sobre a cidade. Eu sempre digo ‘Te amo Pomerode’, revela Musilinski.
Parceria para a vida
Dos muitos amigos e admiradores que Hans-Joachim Musilinski fez em Pomerode está a dupla Sandro e Wilson. Eles se conheceram já em uma das primeiras viagens do jornalista para o Brasil e a sinergia foi simultânea. Wilson Hafemann relembra que ouviu o som da dupla e os convidou para uma sessão de fotos, que seriam usadas para uma exposição que Musilinski preparava sobre Pomerode. “Nós fizemos muitas fotos na antiga Usina do Salto e no Museu do Imigrante. No ano seguinte, quando ele voltou a Pomerode, nos trouxe três canções escritas, todas em alemão”.

Paixão por histórias: Musilinski fez questão de visitar o Testo Notícias para agradecer a matéria e foto feitas por nossa equipe para a homenagem que recebeu. FOTOS: Ismael Ewald Limberger
O desafio da dupla então foi transformá-las em belíssimos arranjos. A primeira apresentação das composições ocorreu na Fundação Cultural, para o lançamento de uma das exposições do jornalista. “Ele sempre escreve as letras, já os arranjos e adaptações ficam por nossa conta. No ano seguinte ele voltou com várias canções e a parceria nunca mais parou. Chegamos a lançar um disco praticamente inteiro com letras dele e os nossos arranjos.”, conta Sandro Romig.
Quando está em Pomerode, Musilinski sempre visita muitos amigos que fez por intermédio da dupla Sandro e Wilson e aproveita também para conhecer novas pessoas. “Eu acredito que ele enxerga Pomerode de um ângulo que jamais conseguiríamos ter. Acredito que é este amor que ele sempre reforça que tem pela cidade”, argumenta Sandro.
Dessa vez, Musilinski trouxe três composições, uma delas intitulada “Dois corações no peito”, já traduzida para o português. “Ele gosta de lembrar as origens pomeranas, e sempre procura quem ainda guarda essa essência. Aqui o Musilinski se sente verdadeiramente em casa e acredito que seja tudo isso que ele transforma em inspiração para o seu trabalho. A contribuição dele para Pomerode e para nós é imensurável”, complementa Wilson.






































