Projeto Lumiar lança portal e prepara aplicativo, mapas e livros sobre as regiões de Testo Alto e Rio da Luz

Ecos da tradição alemã presentes nas formas arquitetônicas, cheiros e sabores, preservados com genuína simplicidade na forma de viver de um povo que ama suas raízes. Registrar essa riqueza cultural é o objetivo do Projeto Lumiar, iniciado em 2018 nas comunidade de Testo Alto (Pomerode) e Rio da Luz (Jaraguá do Sul).
A coordenadora Tade-Ane Amorim e a comunicadora Raquel Schwengber explicam que a iniciativa pretende desenvolver uma série de produtos que preservem a história oral, arquitetônica e cultural da região através de vídeos, livros e mapas. Segundo ela, a ideia é construir o programa junto com a comunidade, para que as pessoas se reconheçam nesse trabalho e para que as futuras gerações tenham o conhecimento de como seus pais, avôs e bisavôs viviam. O primeiro produto lançado foi o portal www.projetolumiar.com. “Ele serve para apresentarmos à comunidade o que estamos fazendo e também para mostrar os primeiros resultados de nosso trabalho”, esclarece Tade-Ane.
Além do portal, devem ser lançados até o fim de 2020 dois livros sobre as regiões. Um deles abordará aspectos sobre as técnicas construtivas do patrimônio material composto pelas casas enxaimel. O segundo volume abordará a cultura imaterial através da história oral. “É um trabalho ainda em construção, pois estamos verificando com a comunidade quem deseja participar para contar um pouco mais sobre sua história”, diz Raquel. Para as pesquisadoras, o objetivo principal de todo o trabalho é fazer com que a comunidade se reconheça nas histórias contadas nos livros e vídeos. “É um trabalho feito muito mais para a comunidade do que para as pessoas de fora. Sempre que concluímos a edição de um vídeo, por exemplo, mostramos primeiro para a família, é uma celebração da história deles e que ficará como um registro para as futuras gerações”.
Todas essas histórias serão contadas a partir de um tema central em comum, que é o patrimônio alimentar da região. “Acreditamos que esse é um fio que puxa todas as relações sociais, econômicas e políticas”, revela Tade-Ane.
Além dos livros e vídeos, um aplicativo para Smartphones será lançado, a ideia é que se assemelhe a um mapa interativo, onde as pessoas que desejarem conhecer a região tenham acesso não somente aos locais onde estão localizadas as propriedades, mas quem possam ter acesso a um pouco da história daquelas pessoas através de vídeos e depoimentos e que também saibam onde podem adquirir produtos e se hospedar. “A intenção é desenvolver um trabalho com a comunidade que debata o turismo com base comunitária”.
Entenda o projeto
O Projeto Lumiar nasceu por conta da implantação de uma linha de transmissão da Companhia Paranaense de Energia (Copel) que vai de Blumenau a São José dos Pinhais (PR). Para uma ação dessa envergadura, é necessária uma série de licenciamentos ambientais e culturais.
Dentro do licenciamento ambiental é feita uma avaliação de impacto ao patrimônio cultural, dividido em três naturezas: arqueológico, material e imaterial. O patrimônio arqueológico refere-se aos vestígios deixados pelos grupos humanos do passado. Já o patrimônio material, como acusa o próprio nome, diz respeito aos bens que possuem materialidade e pode ser dividido em outras duas categorias: móvel e imóvel. Por fim, o patrimônio cultural imaterial são as práticas da vida social que ultrapassam gerações, como saberes, celebrações, lugares e formas de expressão”.
Durante a avaliação foi percebido o impacto ao patrimônio tombado, já que a linha de transmissão passa sobre a poligonal de tombamento (dentro da área onde há imóveis tombados). Neste quesito, foi realizada uma discussão com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para definir quais seriam as melhores iniciativas para mitigar e compensar esse impacto. A partir daí surge o Programa de Gestão ao Patrimônio Cultural Tombado, com o qual trabalhamos. “A linha de transmissão passa por Rio da Luz, ou seja, não haverá impactos visíveis para a comunidade de Testo Alto, no entanto, as duas regiões compõe a mesma poligonal de tombamento, por este motivos o projeto abrange ambas as comunidades”, explica Tade-Ane.
Também fará parte do projeto a confecção de um mapa físico atualizado após o levantamento de todas as construções históricas existentes na área e um trabalho de educação patrimonial. Esta parte do projeto envolve o já citado trabalho de turismo comunitário como também oficinas feitas em escolas e com guias de turismo.
Todas as ações serão postas em prática até o fim de 2020. Os livros devem ser lançados em meados de julho daquele ano. Por enquanto a comunidade pode conferir os primeiros resultados do trabalho desenvolvido pelo Projeto Lumiar no portal.
Imagens

Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação
Casa Siewert: a confecção do tradicional mus é um dos temas abordados pelos pesquisadores do projeto. FOTO: Projeto Lumiar/Divulgação
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação 
Foto: Projeto Lumiar/Divulgação
































