Coluna do Isma

Naquela sexta-feira…

A morte é o destino inevitável para todos nós, por vezes, nos aguarda muito mais cedo do que o esperado, em uma curva do destino, num dia que até então era feliz, e mesmo com tanto ainda por fazer.

Ao morrer, teoricamente, deixamos de existir. Mas parece que Deus sempre nos dá a chance de reverter essa situação, pois ao fazer a diferença na vida das pessoas, nos tornamos eternos para elas. Talvez esse seja o consolo para a partida tão precoce de Ademar Marquardt. O conheci a vida toda como Maluzinho, o cara dos rodeios que eu adorava frequentar quando criança, meu vizinho. Talvez vocês só o tenham conhecido como vereador, mas, de fato, não importa a forma como o conhecemos, importa que ele será eterno para muitos de nós.

Sentado nos bancos da Igreja de Testo Central durante a despedida, ouço: “Ele foi incansável naquele ano da tragédia, meu Deus como esse homem trabalhou!”. Imediatamente minha mente busca as lembranças de quando Maluzinho era coordenador da Defesa Civil e um mundo de água e lama caiu sobre o Médio Vale. Realmente, ele foi incansável ao tentar ajudar a todos da melhor forma.

Fico mais alguns minutos em silêncio até ver um homem segurar seu chapéu na altura do peito e prestar suas homenagens, enquanto outro comenta a cena: “ele lutava pelos colonos, sabe, sempre falava na Câmara”. Então, puxo na memória não apenas os discursos feitos na tribuna, mas as conversas antes e depois das entrevistas ou apenas as informais, onde a paixão pelo campo e a luta por quem vive dele transparecia em cada palavra.

Instantes mais tarde, saindo pela porta da frente da Igreja, alguém comenta comigo: “ele deu entrevista essa semana né?” Sim, ele deu. Queria falar sobre a saída das ruas Ribeirão Souto e Ribeirão Luebke, dizia precisar fazer algo para que aquilo não terminasse em tragédia. Tínhamos também agendado para falar sobre algo muito longe da política, a sua paixão pelos animais que criava. Não houve tempo!

E talvez essa seja ainda mais uma lição que Maluzinho nos deixa em sua partida. Pode não haver tempo, podemos partir amanhã. Então a pergunta é: em que estamos investindo nossos esforços? Já fizemos algo de forma incansável a ponto de ficar na memória das pessoas? Tocamos vidas o suficiente para sermos eternos para alguns dos que estão nessa jornada conosco? Permaneço em reflexão!

À família e amigos de Maluzinho, deixo meu forte abraço e o desejo de que Deus lhes conceda força nos dias que estão por vir.

Receba notícias direto no seu celular, através dos nossos grupos. Escolha a sua opção:

WhatsApp

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques

Últimas notícias