Artigo escrito por João Altair Soares dos Santos participou de um dos mais importantes eventos sobre educação patrimonial do país

Mestres de Ofício: Professor João fala sobre a importância da pesquisa, que se tornou o caderno temático do Testo Notícias em 2018, para salvaguardar o patrimônio cultural do município.
O professor e pesquisador João Altair Soares dos Santos teve seu artigo sobre a pesquisa Mestres de Oficio aprovado para o 11º Fórum de Mestres e Conselheiros, realizado entre os dias 26 e 28 de junho, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Segundo João, o Fórum é um evento único no Brasil no campo da preservação, posto a dialogar de forma multidisciplinar com as diversas áreas do conhecimento. “Nele, pesquisadores e acadêmicos dos diversos programas de pós-graduações do Brasil debatem, formulam e implementam as políticas pública sobre patrimônio, visando propiciar um espaço de discussão envolvendo questões teóricas e práticas”, explica.
Realizado pela primeira vez em 2008, o Fórum de Mestres e Conselheiros é reconhecido hoje como referência no âmbito da municipalização do patrimônio e da educação patrimonial. “Nesta 11ª edição, o Fórum trouxe uma visão panorâmica da preservação em nosso país, convidando os especialistas a apresentarem suas reflexões e experiências sobre as diversas dimensões do patrimônio cultural do nosso país”.
O artigo produzido pelo professor João para o evento teve como base as ações de salvaguardar o patrimônio de saber-fazer, que em 2018 também foram frutos da pesquisa e do caderno temático Mestres de Ofício, produzido pelo Testo Notícias. “Pois os ofícios do saber fazer um balaio de cipó, uma vassoura de palha, o calor do fogo a transformar o ferro em uma ferramenta e até em joia, as marteladas sobre a rocha até a transformar em paralelepípedos, a arte de moldar a parafina em luz. São as imagens que emergem nas narrativas feitas pelos mestres, que revelam não apenas o fazer de um ofício, como também o trabalho de produzir, ao longo da história de Pomerode, diferentes formas sociais”, reforça o pesquisador
Para João é por meio dessas diversas entrevistas, registros fotográficos e audiovisuais, nos quais estes senhores e senhoras reivindicaram uma parte, nem sempre lembrada, da história do município. “As pesquisas iniciaram em 2015, com o levantamento de informações dos Mestres de Oficio de Confecção de Balaio de Cipó e, em seguida, com os Mestres de Ofícios em Cantaria de Pomerode. E, com o passar do tempo, foi-se descobrindo outros ofícios no município, contando sempre com a colaboração da comunidade local, com inúmeras informações que permitiram identificar os mestres e mestras de ofícios pomerodenses”.
De acordo com o pesquisador, em vista das inovações tecnológicas e das mudanças nas relações de trabalho, modificam-se expressivamente o fazer humano e o seu resultado, ressignificando certas práticas e as coisas que o ser humano produz, redimensionando as relações simbólicas e de produção de cultura material, envolvidas nos ofícios tradicionais. “Deste modo, observar a maneira como estes senhores e senhoras vivem, revelam a cultura do local em que estão inseridos, no qual o ‘saber fazer’ não está desconectado de um ‘saber viver’, pois eles e elas produzem, por meio dos seus ofícios, novas formas sociais poetizando, através das suas artes, uma Pomerode diferente”, afirma.
Ainda segundo João a concretização de toda a pesquisa só foi possível graças aos mestres e mestras de ofícios e as suas famílias, que compartilharam suas histórias, seus modos de viver e suas maneiras de fazer tradicionais. “Como também as pessoas e profissionais que, em seu nome ou das instituições a que pertencem, auxiliaram nesta pesquisa. Particularmente ao Museu Pomerano, Prefeitura Municipal de Pomerode e Fundação Cultural de Pomerode, Jornal Testo Notícias, sem as quais não seriam possível o resgate e a permanência da memória, dos saberes e das práticas das técnicas tradicionais no município de Pomerode” finaliza.
































