Um paraíso de possibilidades erguido pelos colonos

Na diversificação, arma para sobreviver ao ambiente hostil encontrado no Vale do Rio do Testo

Foto: Erena Tiedt
Gerações unidas: família Reinke durante a colheita de fumo.

À frente estavam a mata virgem, as serpentes venenosas, os animais ferozes, o clima desconhecido e a falta de dinheiro. Para trás havia ficado o país natal, a saudade de casa e toda sorte de privações que os fizeram embarcar em um navio para cruzar o Atlântico. Na chegada a Blumenau, os imigrantes conheciam qual seria sua faixa de terra, comumente com acesso a uma fonte d’água e nada mais.

O início da colonização remonta ao ano de 1863, quando os primeiros imigrantes, liderados pelo colonizador Ferdinand Hackradt, decidiram subir um afluente do Rio Itajaí-Açú desde o bairro Badenfurt, em Blumenau. Eram abertas picadas ao longo do curso d’água, que foi chamado de Rio do Testo.


Peter Riemer /Safra: Milton Siewerdt retornando da colheita de tabaco em Canudos, no Testo Alto.

O susto de se deparar com a mata fechada era só o começo dos desafios enfrentados pelos imigrantes que colonizaram aquelas terras e construíram Pomerode. Eles vinham de diversos Estados Alemães, mas a grande maioria era da Pomerânia. Na chegada ao Brasil, descobriram que poderiam contar apenas com a matéria-prima oferecida pela natureza (descontando o período inicial da chegada, em que recebiam provisões do governo) e com eles mesmos.

As primeiras edificações eram rústicas construções de pau a pique, cobertas com folhas de palmeiras.

De acordo com a historiadora Roseli Zimmer, o trabalho de derrubada da mata tirou a vida de muitos homens, assim como as picadas de serpentes, para as quais ainda não existia soro. Outro desafio era a adaptação ao clima, já que o de Pomerode é Subtropical, com temperaturas próximas a 0° no Inverno e 40° no Verão.

Livro Die Alte Pommern /Herança: agricultores cultivando a terra na região da antiga Pomerânia, de lá vieram os primeiros imigrantes de Pomerode.

O cultivo da terra era a única saída e foi para ela que os colonos se voltaram. A diferença nas propriedades do solo, a umidade, a temperatura, a falta de ferramentas e todas as provações enfrentadas por eles fizeram florescer características preservadas pelos agricultores pomerodenses até hoje: a capacidade adaptativa e o apreço pela inovação.

Tudo, desde a forma de vida, as culturas escolhidas para o plantio até a alimentação precisaram ser adaptadas para a nova realidade. O pão de forma deixou de ser de trigo, inapropriado para o plantio nas condições oferecidas pelo Vale do Rio do Testo, e passou a ser feito com milho. O peixe de arenque foi substituído pela sardinha; da cana-de-açúcar extraiam o melado, o açúcar mascavo e a cachaça.

Daniel Curtipassi /Preparo: agricultor arando a terra com a ajuda de animais em uma propriedade no Wunderwald.

Para vender cultivavam arroz, fumo, batata, mandioca, cana-de-açúcar, milho e feijão. O colono também se dedicava à criação de gado leiteiro e suínos, cujas matrizes vieram da Europa. 

Além de agricultores, os homens eram empregados pela administração colônia para a abertura de novas estradas, geralmente nos meses em que a rentabilidade da produção na roça era menor. Dessa forma, enquanto eles lidavam com a tarefa de expandir os meios para a colonização, as mulheres ficavam responsáveis pelo trabalho no campo com a ajuda dos filhos.

Até a virada do século 20, Pomerode era uma colônia voltada apenas para a agricultura e pecuária de subsistência, com pequenos pontos comerciais nas áreas centrais.

Halli Nicolodelli /No quintal de casa: criação de galinhas e patos fazia e faz parte da do dia a dia dos colonos em Pomerode.

Aos poucos o desenvolvimento econômico chegou à localidade. As primeiras indústrias instaladas no Vale do Rio do Testo fabricavam produtos derivados das atividades no campo. Em seguida, pequenas empresas familiares de laticínios, frios, móveis e cerâmica deram início à industrialização do município.

Atualmente, cerca de 10% da mão de obra pomerodense se baseia na agricultura, mas o movimento de inovação que cerca a atividade começa a atrair os olhos e o desejo de muito jovens.  

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