Deixado no esquecimento por muito tempo, mangarito volta ao protagonismo

Conservado congelado: para a família Hackbarth, o mangarito é um alimento essencial nas refeições durante todo o ano.
Se para muitos cultivar o mangarito é um desafio, para Rudbert Hackbarth se trata de uma tradição. Em contato com a hortaliça desde que se entende por gente, o agricultor jamais abandonou o cultivo, mesmo que a colheita seja incerta. “Muitas pessoas deixaram de plantar o mangarito porque nunca se sabe se haverá colheita, por vezes ele fica doente e simplesmente morre”, revela.
Rudbert explica que o mangarito gosta de terra fértil e umidade adequada. Sem essas condições a planta não se desenvolve. “Alguns produtores utilizam adubo químico, mas isso altera totalmente o sabor. Não utilizamos nada, somente mantemos o local limpo, pois isso faz muita diferença”, revela.
O agricultor ensina que a época ideal para o plantio do mangarito é no início de outubro. Já a colheita acontece em junho. “Já chegamos a colher mais de 1,5 mil quilos de uma única vez. Assim também já aconteceu de termos pouca quantidade, insuficiente para a venda”. Foi justamente essa incerteza que afastou muitos produtores, fazendo com que a hortaliça quase caísse no esquecimento ou fosse apenas uma lembrança do gostinho de infância.

Matheus Kurth /Início do ciclo: as mudas de mangarito foram plantadas em outubro, a colheita acontece em junho.
Graças à descoberta do sabor e dos benefícios do mangarito na culinária, a hortaliça caiu nas graças de muitas pessoas e começou a ser cobiçada. Iniciativas para incentivar o cultivo foram implantadas em diversos locais. Para Rudbert essa disseminação é muito benéfica para que todos conheçam e experimentem o mangarito, no entanto, o principal diferencial proposto por ele é deixar que a planta cresça naturalmente, sem a utilização de defensivos ou adubo. “Posso afirmar que o gosto e a coloração ficam completamente diferentes, a terra fértil é o que faz diferença para produzir um mangarito de qualidade”.
Na propriedade da família estão plantadas duas espécies da hortaliça, o tradicional (amarelo) e o branco. “A principal diferença entre eles é que o de casca branca é mais resistente e não precisa de uma terra tão forte. O tradicional tem um cultivo mais desafiador”.
Como a época de colheita já passou, a hortaliça é preservada no congelador, para ser utilizada durante todo o ano. “Não pode faltar na mesa. Mesmo nos anos em que não produzia para vender, sempre plantamos para consumo próprio”.

Matheus Kurth /Apreciado: a hortaliça é muito procurada para compor desde receitas simples às mais elaboradas .
Já ouviu falar?
O mangarito é nativo do Brasil e já foi um alimento muito popular no país. No entanto, devido ao cultivo difícil, a produção não tinha volume comercial e afastou os produtores. Assim ele foi caindo em desuso até ser praticamente esquecido por muitas pessoas.
Para quem nunca teve contato, o produto lembra uma batata e também é conhecido como mangará ou taiaó, na língua guarani. Integra a numerosa família das Hortaliças Não Convencionais, parte do maior grupo das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Cultivado há séculos pelos índios, o mangarito é parente da taioba e do inhame. A parte mais consumida é a raiz, mas também é possível comer as folhas.
Além do sabor característico, o mangarito é um alimento altamente energético, rico em proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo e vitamina C. É considerado por muitos como a trufa brasileira, pois a colheita acontece apenas uma vez ao ano. Pelo menos quatro tipos de mangarito são encontrados atualmente no país: branco, dedo-de-negro, o amarelo e o roxo.
O resgate do mangarito está intrinsicamente ligado à culinária e à lembrança afetiva que desperta nas pessoas, sobretudo moradores do interior. “Nunca deixamos de comer mangarito, mas muitas pessoas sequer conhecem. Sempre que temos uma boa colheita, não é preciso levar para fora para vender, logo aparecem inúmeros interessados”, conta Rudbert.
Amor pelo campo
Na propriedade da família Hackbarth estão plantadas diversas culturas que servem tanto par alimentação da família quanto para subsistência. Além disso, a principal atividade desempenhada por Rudbert atualmente é o trabalho com o reflorestamento.
A família conta que a vida no campo nem sempre é fácil, mas é o que dá mais prazer em viver. “Há cinquenta anos resolvi tentar trabalhar ‘fora’. Tive carteira assinada por exatos 90 dias, depois voltei. Não há nada melhor do que trabalhar aqui”, revela Rudbert.

Matheus Kurth /
Além dele, a esposa Herta, o filho Jonas e a nora Sirlei contribuem com o trabalho no local. Sirlei, que também tem um emprego fixo, conta que no próximo ano pretende participar de um curso promovido pela Epagri sobre o cultivo de mangarito. “Tivemos um recentemente sobre o assunto, mas não consegui fazer por conta da data. No ano que vem espero conseguir”, conta. Foi ela quem plantou pacientemente as mudinhas do mangarito branco, que agora crescem vistosas na propriedade.
Para a família, poder incluir na alimentação produtos plantados no próprio quintal faz parte do cotidiano. “Sempre foi assim para nós e sabemos o quanto isso é benéfico. Além disso, o sabor é completamente diferente, tudo é muito mais gostoso”, diz Rudbert. Para encerrar, revela que, no que depender de seu esforço, na propriedade Hackbarth o mangarito sempre terá seu lugar de destaque.
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Imagens

Foto: Matheus Kurth 
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Foto: Matheus Kurth
Conservado congelado: para a família Hackbarth, o mangarito é um alimento essencial nas refeições durante todo o ano.
Foto: Matheus Kurth
Apreciado: a hortaliça é muito procurada para compor desde receitas simples às mais elaboradas .
Foto: Matheus Kurth 
Foto: Matheus Kurth
Início do ciclo: as mudas de mangarito foram plantadas em outubro, a colheita acontece em junho.
































