Pastagem rotacionada e investimentos em raças diferenciadas são as apostas de Marcos Millnitz

Incentivo na lida: além do amigo e parceiro nos negócios, Juliano Jandre, a mãe Adelaide é o braço direito nas atividades diárias com os ovinos.
A realidade do industriário Marcos Millnitz é parecida como a de muitos pomerodenses. Ele divide sua rotina entre o trabalho em uma multinacional do setor metalmecânico e a criação de ovelhas, que mantém em parceria com a sua mãe, Adelaide, e o amigo Juliano Jandre. “Essa experiência está sendo muito prazerosa e as atividades são até um passatempo para mim. Quem ama os bichos, faz qualquer coisa para aumentar o seu negócio, por isso, fico muito orgulhosa em poder ajudá-lo”, afirma Dona Adelaide.
Foi em 2015, após algumas tentativas com equinos, que Marcos decidiu iniciar o rebanho de ovelhas. Os primeiros animais eram mestiços em um ambiente adaptado para recebê-los. “Eu estudava formas de viabilizar a pequena propriedade da minha mãe, queríamos manter o local limpo e ainda ter alguma renda. Como o Juliano já era criador de ovelhas há alguns anos, comecei com três borregos que vieram da propriedade dele no Ribeirão Domingos”, relembra. “Mas eu nunca imaginei que pudesse ter ovelhas no quintal da minha casa”, complementa a mãe com um sorriso no rosto.
Tempos depois, quando chegaram as primeiras matrizes da raça Santa Inês, a vontade de empreender e o amor pelos bichos fez o criador buscar por capacitação. A proposta era criar um espaço focado em um manejo simples, com alta rentabilidade. “Eu comecei a pesquisar sobre as diferentes raças, capacidade genética e produtividade”.

Matheus Kurth /Fofinhos e lucrativos: a ovinocultura conquistou o coração do jovem criador, que investe em melhoramento do rebanho e manejo desde 2015.
Durante esses estudos, Marcos conheceu e se apaixonou pela raça Black Texel e, um ano mais tarde, adquiriu quatro fêmeas, já prenhas, durante uma feira em Pomerode. Em 2017 chegaram mais dez animais da raça, vindos da cidade de Rio Negrinho. “Nesse período acabei tendo alguns problemas relacionados à adaptação e umidade muito intensos aqui de Pomerode e, infelizmente, acabei perdendo algumas matrizes devido a verminoses”, lamenta.
Entre erros e acertos, Marcos adaptou o aprisco ao clima pomerodense, iniciou o melhoramento da pastagem com o sistema de pastejo rotacionado e investiu em espécies perenes. “Foi por meio da assessoria da Epagri que começamos o processo de piqueteamento e a escolha por gramas como Tifton e Jiggs, que têm resistência também ao inverno”, explica.
Segundo Marcos, um dos problemas ainda encontrados para o aumento do rebanho é a questão da logística. Devido à falta de um abatedouro especializado, os animais precisam ser comercializados vivos. “Poderíamos ter uma rentabilidade maior se tivéssemos como vender a carne já beneficiada e não apenas as matrizes e borregos” reforça.

Matheus Kurth /Ovinocultura: entre as raças que são a aposta de Marcos para a pequena propriedade familiar está a Black Texel.
Mesmo com os entraves, inovou mais uma vez, em março deste ano, quando decidiu iniciar o processo de quarentena para trazer os primeiros exemplares da raça Poll Dorset, vindos de um criadouro na cidade de Palmeira, no Paraná. “Tivemos que respeitar cada fase, que iniciamos em junho e é uma normativa para trânsito de animais de outros estados feita pela barreira sanitária da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc)”, conta.
Marcos foi um dos pioneiros na região, tanto pela escolha da raça como pelo processo para entrada dos animais em Santa Catarina. “A raça é muito conhecida pela sua aptidão para produção de carne e leite, além das matrizes ciclarem o ano todo, gestando geralmente gêmeos, trigêmeos e até quadrigêmeos. Trouxe um macho e duas fêmeas adultas com borregos ao pé”.

Matheus Kurth /Nova aposta: após a quarentena sanitária, o criador comemora a chegada dos primeiros animais da raça Poll Dorset da região, vindos da cidade de Palmeira, no Paraná.
O jovem criador investiu ainda, em parceria com Juliano, no registro e disseminação da marca no Vale do Itajaí, batizada de Sítio MJ Volkmann, afixo Poll Dorsett MJ, associados à Arco (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos). “M e J são as iniciais minha e do Juliano, meu parceiro de longa data, e Volkmann em homenagem à minha mãe que tem me ajudado tanto nesses anos”.
Agora, com esses animais, o Sítio MJ Volkmann pretende aumentar o rebanho e investir também em cruzamento industrial. “O que eu posso garantir é que cada fase de tudo o que traçamos até agora valeu muito a pena. Preciso deixar um agradecimento especial ao Senhor Paulo, que abriu sua propriedade em Palmeira e me ensinou muito sobre o Poll Dorset”.

Matheus Kurth /
Ele espera ter um retorno do investimento em até dois anos e, quem sabe, futuramente ter outras áreas destinadas para a expansão da criação de ovinos. “Para mim, inovar é ter praticidade. Meu desejo é que com todas as adaptações e investimentos que estamos fazendo, eu possa um dia me dedicar apenas às ovelhas. Um desafio para Pomerode são os espaços limitados, mas acredito que não seja um sonho impossível”, reitera.
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Foto: Matheus Kurth
Fofinhos e lucrativos: a ovinocultura conquistou o coração do jovem criador, que investe em melhoramento do rebanho e manejo desde 2015.
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Nova aposta: após a quarentena sanitária, o criador comemora a chegada dos primeiros animais da raça Poll Dorset da região, vindos da cidade de Palmeira, no Paraná.
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Ovinocultura: entre as raças que são a aposta de Marcos para a pequena propriedade familiar está a Black Texel.
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Incentivo na lida: além do amigo e parceiro nos negócios, Juliano Jandre, a mãe Adelaide é o braço direito nas atividades diárias com os ovinos.
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