Amor e respeito pelo trabalho

Foto: Matheus Kurth
Rebanho: no total de 75 animais da raça holandesa, 32 vacas garantem uma produção média diária de 400 litros de leite.

A propriedade da família Gums está localizada em um dos lugares mais bucólicos do município, a Estrada da Carolina. No vale, em meio a montanhas, surgem os contornos singulares da área rural, dividida entre pastagens, plantações e muito verde. Privilégio para aqueles que escolheram o campo para viver e ver os filhos crescerem.

Edson Gums nasceu no sítio, que hoje administra ao lado da esposa Marilucia, com quem está casado há 13 anos. Os dois acompanham agora o crescimento da filha Caroline Thainá, 12 anos, que desde cedo aprendeu o amor e o respeito para com a terra e os animais da família. “Temos muito orgulho de tudo o que investimos e transformamos aqui. Minha filha ainda pequena já queria nos acompanhar no cuidado com as vacas”, conta.

Matheus Kurth /Família: Edson e Marilucia hoje são os responsáveis pela propriedade de Rita e Nelson, localizada na Estrada da Carolina.

Antes de Edson abandonar o trabalho em uma indústria, nos anos 2000, eram os pais, Rita e Nelson, que se dividiam no plantio de fumo, arroz e batatinhas. “A principal fonte de renda era o fumo, mas eles ainda tinham algumas vacas de leite e outras criações. Foi quando decidi deixar o serviço para ajudá-los com a agricultura”, relembra.

Entre as muitas opções, Edson passou a investir na criação de gado leiteiro porque cuidar dos animais sempre foi algo que gostou muito de fazer. “É o dom e o carinho que nós temos pelos animais”, reforça Edson. Quando Marilucia se mudou definitivamente, já haviam 18 vacas produzindo leite no local. “Eu cheguei na propriedade quando tinha apenas 16 anos e não tenho vergonha em dizer que tudo o que eu sei hoje, aprendi a fazer aqui”, afirma.

O desafio para o casal, que sempre trabalhou junto, foi então tornar a propriedade autossuficiente economicamente. Desde então muitas modificações foram feitas, como adaptações nos estábulos, implantação da ordenha mecanizada e um resfriador para o leite, tudo para aumentar a produção e garantir a qualidade do que estavam ofertando. “As formas de lidar com os animais, as estruturas, a forma de ordenhar, tudo mudou. Acho que ficou tudo melhor que antes, mesmo que no começo a adaptação com a ordenha mecanizada tenha sido um pouquinho mais difícil, hoje ganhamos tempo e temos mais facilidade na hora do manejo”.

Matheus Kurth /Desafios: no trabalho diário, a esperança da família Gums em continuar vivendo no campo de forma sustentável e feliz.

Hoje são 32 animais produzindo em torno de 400 litros diários, todos vendidos para uma indústria de laticínios e achocolatados da região Norte do Estado. No total, o sítio tem 75 cabeças de gado da raça holandesa, escolhida criteriosamente por Marilucia. “É uma raça muito mansa e produz muito o leite”, declara.

Entre os principais desafios da propriedade familiar, que hoje tem a produção leiteira como fonte de renda, é a variação constante do preço do leite para venda e da compra de ração. “Nosso planejamento precisa levar em conta sempre essas questões porque nosso sustento vem totalmente da produção familiar e a situação não é muito como as pessoas pensam. Tivemos que investir, procurar por qualificação profissional, mas nem sempre o que produzimos é valorizado pelo consumidor que está na outra ponta”, argumenta Edson.

Matheus Kurth /União: casal Edson e Marilucia trabalha junto para cuidar da propriedade especializada em produção leiteira.

Além da variação para a aquisição de insumos, o casal ainda trabalha para recuperar o investimento feito para as adaptações no galpão da ordenha. “Fizemos um financiamento pelo ‘Mais Alimentos’ e agora temos dez anos para quitá-lo. Acredito que valeu muito a pena, não temos muito dinheiro, mas valorizamos tudo o que construímos aqui”, revela Edson. “Esse trabalho representa tudo, porque nós também temos nossas alegrias com os animais, não é apenas trabalhar. É o dom de cuidar da terra, é melhor ganhar menos e ser feliz”, completa Marilucia.

Alegrias compartilhadas pelo casal mesmo com uma rotina de trabalho que muitas vezes ultrapassa 12, 13 horas diárias, sete dias por semana. “Todos os dia acordamos, vamos para o galpão lidar com as vacas, durante o dia cuidamos das outras tarefas da propriedade e à noite cuidamos novamente das vacas e da ordenha. Acho que as vacas são felizes porque fazem parte da nossa família e isso se reflete na qualidade do leite que ofertamos”, garante Edson.

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