Na acolhida, um novo formato para o crescimento

Família Schutz escolheu o turismo rural para aumentar a lucratividade da granja

Foto: Matheus Kurth
Novos visitantes: operadoras que trabalham os roteiros de cicloturismo são parceiras para fomentar o destino.

Foi aquele gostinho das coisas servidas na casa da Oma e do Opa que impulsionou o casal Simone Schutz Greuel e Peter Christian Greuel a abrir as portas da propriedade rural localizada no Ribeirão Souto. “São receitas que aprendemos com os nossos avós e bisavós, feitas com ovos, e que faziam parte do cardápio diário e das festas, lá no passado. Nossa culinária e nossos costumes são muito aprovados pelos visitantes. Quando começamos não tínhamos ideia de como eles se encantariam com tudo o que temos aqui”, conta.

Há um ano eles fazem parte da Rota do Imigrante, um roteiro que une história, cultura e lazer e está fomentando o desenvolvimento da região de Testo Central. “O ovo tem uma lucratividade muito baixa. Apenas a venda deles já não era mais suficiente para manter a propriedade e garantir o sustento de toda a família, que trabalha sempre unida. Então, quando soubemos da criação da Rota, decidimos tentar, mesmo não sabendo ao certo tudo o que teríamos para mostrar”, relembra.

Matheus Kurth/Acolhida: a recepção aos turistas é compartilhada com uma das noras do casal, Suellen Michelle Hein.

O local, era um sonho do pai de Simone, Ralf Schutz, que quando se aposentou, queria dar um novo formato para o sítio que há gerações pertencia à família. “Ele sempre foi empreendedor e começou a procurar propostas sobre o que fazer após a aposentadoria. Então pensou na granja, que era algo que ainda não existia no município”.

Foi assim que, em 1996, surgiu a Ovos Schutz, com uma criação inicial de aproximadamente duas mil galinhas. Atualmente, esse número chega a mais de dez mil galinhas, com uma produção diária de mais de nove mil ovos, quase tudo destinado ao mercado local e algumas cidades vizinhas como Timbó, Blumenau e Jaraguá do Sul.

Simone e Peter não queriam deixar tudo esse sonho de lado, por isso decidiram apostar no turismo rural ainda no início de 2018. Com alguns cursos na bagagem e algumas visitas técnicas, o casal adaptou a parte externa de um antigo paiol, para ser o local de acolhida aos visitantes, e buscou nas memórias as histórias antigas da família, tudo para receber bem os turistas que chegam de todas as partes do Brasil e do mundo. “Como meu pai criou e se dedicou por tantos anos à empresa, nós não queríamos desistir agora e acho que isso também vem um pouco da nossa origem, não desistir nunca. Nós batalhamos para encontrar alternativas e manter tudo isso”.

Matheus Kurth/Galinha dos ovos de ouro: granja é o plano de fundo para fomentar a sustentabilidade da família Schutz na propriedade rural.

Eles revelam que já receberam a visita de mais de 400 pessoas. Durante o tempo em que está na propriedade, o visitante aprende um pouquinho da história da família Schutz, dos imigrantes pomeranos, como surgiu a granja e são realizadas as atividades no local. “Para encerrar a visita, os turistas são convidados a degustarem um delicioso café no sítio com produtos coloniais à base de ovos”, explica Simone orgulhosa.

Como na granja, cada um já é acostumado com a rotina de trabalho de domingo a domingo, foi bem tranquilo para a família Schutz se adaptar à nova rotina de receber turistas todos os dias. “Eu acredito que seja uma troca, porque as pessoas que vêm de fora, têm a curiosidade de saber como é o nosso dia. Mas eles também nos ensinam muito, e essa troca não tem como mensurar o seu valor”.

Atualmente a família está buscando capacitação para oferecer um atendimento diferenciado aos turistas. “Esse período serviu para adquirirmos certa experiência. Agora trabalhamos em algumas mudanças para adaptar e proporcionar uma experiência ainda mais completa para aqueles que nos visitam. Claro, tudo depende de planejamento e investimento. Por exemplo, lançamos recentemente os ovos em conserva, um pedido feito pelos turistas que queriam levar a iguaria para casa”.

Simone, assim como muitos pomerodenses, trabalhou por anos longe das propriedades familiares, em indústrias e comércios. Quando se aposentou, Simone viu a oportunidade, assim como seu pai, de dar um novo sentido para o sítio. “Acho que voltar significou também aplicar um pouco de tudo o que eu aprendi lá fora, principalmente a parte de gestão, além da bagagem de atendimento ao cliente. Cada dia é um novo desafio”, revela.

Matheus Kurth/Turismo rural: hoje o principal público atendido pela família são os ciclistas, como a família de Sérgio Mota, de Mogi das Cruzes, São Paulo.

Hoje Simone diz que tem uma vida mais saudável do que tinha antes. A família diz que não busca apenas o lucro, mas também a convivência e a satisfação de todos. “Na época, todos saíram para procurar emprego fora porque não tínhamos noção de quanto era gratificante ver esse negócio crescer e dar resultado. Hoje me sinto realizada em poder estar em casa, com esse dia a dia em família. Acho que não tem preço você ver os filhos crescerem e agora os netos também”, admite.

Fomentando o turismo no interior

Pomerode tem desenvolvido, ao longo dos anos, várias iniciativas para fomentar o turismo também fora da região central do município. Moradores, empresários e agricultores têm se estruturado no desenvolvimento de rotas turísticas em várias localidades diferentes.

Matheus Kurth/Amor pelo trabalho: casal Simone Schutz Greuel e Peter Christian Greuel, parceria no trabalho e na vida.

Atualmente, além da já tradicional e reconhecida Rota do Enxaimel, maior acervo desse estilo construtivo fora da Alemanha, existem outras três rotas em fase de consolidação: Rota do Imigrante, Rota das Raízes Germânicas e Rota da Colonização. Em cada uma delas é possível apreciar belas paisagens, ter contato com a cultura local e aprender um pouquinho sobre a história dos colonizadores e seus costumes, sem esquecer, é claro, daquele sabor inconfundível das iguarias pomerodenses.

A ideia da Rota do Imigrante surgiu em 2017, após a realização de um café cultural em uma pousada de Testo Central. Atualmente, são 17 empreendimentos, entre pessoas físicas e jurídicas, que se associaram à Rota e fazem parte do projeto que busca o desenvolvimento do turismo sustentável e de experiência sem perder as características da cultura pomerana.

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