Marciana Seiler Piske conta como o Vôlei Sentado está transformando sua vida

Descoberta: Marciana deu uma chance à modalidade e se apaixonou logo nos primeiros treinos.
Sonhar novos projetos, descobrir novas habilidades e a força para evoluir sempre mais. São esses alguns dos benefícios que Marciana Seiler Piske, de 36 anos, está descobrindo em uma nova modalidade esportiva, o Vôlei Sentado.
Ser uma pessoa fisicamente ativa fez toda a diferença na vida dela, inclusive em um dos momentos mais desafiadores de sua vida. Em abril de 2015 ela sofreu um grave acidente na SC-421, em Pomerode, e teve uma das pernas amputadas. “Como eu praticava atividade física antes do acidente, minha recuperação foi muito mais rápida”, conta. Logo após colocar a prótese, Marciana voltou para a academia e logo depois começou a dançar zumba.
Já o esporte coletivo não fazia parte da vida dela desde a adolescência, quando jogava vôlei pela Karsten. Isso mudou graças à insistência de Anderson Ronchi, atual treinador de Marciana. “Ele fez vários convites para que eu realizasse um teste”. As respostas iniciais foram: não. Mas aos pouco ela cedeu à ideia. “Conversei com meu marido sobre isso. De que tinha o desejo de tentar para descobrir se gostava ou não”. E a experiência não poderia ter sido melhor, mesmo com as dores musculares pós-treino, Marciana se apaixonou perdidamente pela modalidade. “É preciso ter muita força para fazer as jogadas. Quem já praticou o vôlei convencional sente bastante essa diferença”, conta.

Arquivo pessoal/Descoberta: Marciana deu uma chance à modalidade e se apaixonou logo nos primeiros treinos.
Ela explica que o Vôlei Sentado tem praticamente as mesmas regras da modalidade convencional, com apenas duas grandes diferenças: como o próprio nome já diz, os atletas precisam estar sentados, no momento em que golpeia a bola os glúteos precisam estar no chão (no momento do deslocamento pela quadra, uma leve tirada dos glúteos do chão não é considerada infração). Além disso, o tamanho da quadra e a altura da rede são diferentes.
Aprender todas as regras, a forma de golpear a bola, o deslocamento, o ponto certo do saque têm trazido à Marciana muito mais do que uma nova atividade física. “O Vôlei Sentado me trouxe sonhos, novas perspectivas. Tenho agora o desejo de competir nesse esporte, aprender com minhas companheiras de time, disputar grandes competições. O que mais me encantou foi o fato de que cada um de nós tem uma dificuldade diferente, mas nos apoiamos mutuamente e aprendemos um com o outro”, ressalta.
Além de realizar atividades específicas para a modalidade na academia, Marciana treina duas vezes por semana no time da Apesblu (Associação do Paradesporto de Blumenau). Os professores são remunerados pela Prefeitura de Blumenau, através da Secretaria de Educação, e os materiais utilizados nos treinos são custeados pela Apesblu. A cidade se tornou agora centro de referência para o esporte paraolímpico catarinense. “O projeto da modalidade de Vôlei Sentado iniciou nesse ano. Por enquanto, seis atletas compõem a equipe”. O objetivo é conquistar a filiação à Confederação Brasileira de Vôlei para Deficientes (CBVD) e começar a participar de competições no próximo ano.
“Essa modalidade não é só para amputados, é para quem tem outras dificuldades de mobilidade também. Eu convido a quem deseja conhecer mais sobre o esporte, que venha fazer um teste e se permita tentar antes de decidir que não vai gostar. Você só vai descobrir isso na prática”, finaliza Marciana.
































