“Pra não ficar velho, tem que morrer novo”, já diz a minha nona desde que me entendo por gente. Em outras palavras, é preciso abraçar a passagem dos anos com gentileza, porque a alternativa não é muito boa não, viu!
Cheguei aos 33 e, com o dígito, vieram os primeiros fios brancos. Na verdade, eles já tinham pintado no pedaço há algum tempo, mas ignorei a existência deles o quanto pude. Nunca pintei os cabelos (porque gosto deles do jeitinho que são) e também não ia começar tão já.
Mas eis que estava caminhando pela rua com alguém de minha convivência diária e a criatura parou no meio da calçada para bradar: “meu Deus, quanto cabelo branco!”. Pronto, parei de ignorá-los.
Continuo não desejando o tingimento, então, procurei referências e minha tia indicou um shampoo anti-idade. Cheguei à farmácia para comprar e, “pata” como sempre, não achei sem ajuda da atendente. Perguntei pela tal marca de shampoo e ela começou a explanação: “tem vários moça, pra engrossar os fios, hidratar…” aí eu fui logo interrompendo, porque né… já ignorei a existência dos fios brancos por muito tempo: “Eu quero o anti-idade!”.
Eu sei que está na moda deixar o cabelo branco natural, mas ainda não estou preparada para esse momento. Usei o produto duas vezes e até agora não senti muita diferença, porém a esperança é a última que morre. Enquanto aguardo o resultado, vou repetindo o mantra ensinado por minha avó: “pra não ficar velho, tem que morrer novo”.

