Ser mãe era um sonho alimentado há muitos anos por Karoline Cristina Pereira Lira, 27 anos. Há três anos ela e o marido, Canisio Roque Paulitsch, aguardavam por um resultado positivo. “Tentamos muitas vezes e nunca conseguimos, até achávamos que tínhamos algum problema.”
A notícia tão aguardada chegou em um momento que o casal não esperava e pegou a todos de surpresa. Uma emoção ainda maior tomou conta da família ao descobrirem que dois bebês estavam a caminho. “Soubemos que seria uma gestação de gêmeos no dia do meu aniversário. Meu marido ainda perguntou surpreso ao médico ‘tem certeza que são dois mesmo?’ Ficamos muito assustamos, chegamos a errar a porta para sair do consultório, nem sabíamos como reagir”, relembra.
Passado o susto, a mãe de primeira viagem foi se apaixonando por cada novo instante do processo da gestação. Pouco tempo depois teve a confirmação que seriam duas meninas, gêmeas idênticas.
Corria tudo bem com a gravidez de Karoline até que, próximo às 26 semanas, descobriu um problema que exigia cuidados redobrados para que as meninas não nascessem extremamente prematuras. “soube que tinha o colo do útero curto e que já estava com nove centímetros de dilatação. Tive que fazer um procedimento para colocar um pessário, um dispositivo para ajudar a segurar a gravidez, porque era muito cedo para elas nascerem.”
A gestação passou então a ser acompanhada com todo o cuidado necessário. Foi nessa mesma época que a mãe de Karoline, Eva Maria Pereira, acabou adoecendo e faleceu exatamente quando Karol estava internada. “Fui uma notícia muito dura para mim e não pude me despedir dela. Minha mãe sempre dizia que estaria comigo quando as meninas nascessem.”
A notícia abalou Karoline de tal forma que as gêmeas acabaram vindo ao mundo uma semana após o falecimento da mãe. Heloísa e Gabriela nasceram com 27 semanas, quando a mamãe estava entrando no sétimo mês de gestação, e pesavam pouco mais de 900 gramas cada uma. “Para ser mais precisa, uma nasceu com 946 gramas e outra com 935 gramas. Elas eram muito pequeninas e frágeis.”
Por ser um parto de emergência e de risco, Heloísa e Gabriela nasceram no Hospital Santo Antônio, em Blumenau, para serem encaminhadas logo depois do parto para unidade de terapia intensiva neonatal. “Mas para minha tristeza não havia vagas de UTI naquele dia. E logo recebemos a notícia de que elas seriam transferidas para Florianópolis”, conta emocionada.
Karoline afirma que a equipe médica até tentou transferi-la antes do parto para a capital catarinense, mas não conseguiu. Era o período de pandemia e os casos de covid-19 superlotavam hospitais e exigiam ainda mais dos profissionais de saúde.
Enquanto a transferência das meninas era preparada, a mamãe tentava se recuperar o mais rápido possível para poder acompanhá-las em Florianópolis. Mais uma vez uma notícia abalou Karol. “Me disseram por telefone que a Gabriela estava bem, mas que a Heloísa precisaria ser transferida para um outro hospital para passar por um procedimento cirúrgico, pois os médicos desconfiavam que ela estava com uma perfuração no intestino. Não pude acreditar que tão pequenas seriam separadas uma da outra e que eu não estaria naquele momento com elas.”
Quando pôde ir a Florianópolis acompanhar a recuperação de Heloísa e Gabriela bem de pertinho, Karol teve que fazer uma difícil escolha, a de decidir em qual dos hospitais ficaria. “Eu sabia que tinha que ter forças por elas, mas ainda nem as tinha visto de pertinho e tive que escolher, porque não podia ficar indo de uma UTI para outra para evitar riscos contaminação.”
Karol então ficou na unidade em que estava Gabriela, mas pediu para a equipe da UTI onde estava Heloísa mandasse fotos ou fizesse um vídeo da filha. “Até perguntei para a enfermeira se elas eram parecidas, porque não tinha a menor noção de como eram. Chorei muito quando recebi o vídeo porque não acreditava que um bebê tão pequeno pudesse estar sofrendo tanto.”
Para a mamãe aquele foi um dos piores momentos da vida. “Eu romantizei muito a maternidade, tinha o sonho de que o parto seria um momento mágico, as filhas nasceriam, chorariam e que logo poderíamos ir para casa juntas”, declara.
Com a melhora no quadro de Heloísa a pequena pode voltar para o hospital onde estava Gabriela e enfim o reencontro entre as três foi possível. Na época, Karol fazia um acompanhamento diário chamado de método canguru. Gabriela já estava no colinho da mamãe quando Heloísa foi colocada no outro lado. Instantaneamente, as pequenas deram as mãozinhas. “Parece que a ligação entre nós três era muito forte e de alguma forma elas queriam me dizer que estavam unidas e que tudo ficaria bem.”
Um pouco mais de 60 dias depois, as gêmeas ganharam alta e puderam voltar para Pomerode. Mesmo com todos os receios dos papais, os cuidados redobrados fizeram com que elas ganhassem peso rápido e surpreendessem a todos pela recuperação. “Graças a Deus elas estão muito bem e cada dia celebramos com gratidão a bênção de tê-las conosco.”
Hoje Karol dedica 100% do seu tempo para as meninas e, além do amor e apoio incondicional do papai, tem uma ajudinha extra da titia Nelsi Paulitsch dos Santos. Em abril as meninas fizeram o primeiro aniversário, uma data comemorada por toda a família. “O um aninho delas foi uma vitória para nós, foi uma dádiva. Fizemos uma camisa escrita ‘gratidão’, porque para nós foi uma dádiva. Elas representam tudo para mim, são tudo o que eu tenho.”
Karol afirma que ser mãe é amor, é cuidado. “Minha mãe foi capaz de fazer tudo por mim, e hoje eu faria tudo pelas minhas filhas. O maior exemplo que minha mãe deixou é o amor e a bondade, acredito que isso está no coração de cada mãe”, finaliza.
































