Muito antes de se aposentar, Agnaldo Montibeler, hoje com 60 anos, tinha o sonho de poder contribuir de alguma forma com a comunidade onde está inserido. “Sempre gostei muito de dar aulas de informática, foi um trabalho que exerci dos meus 18 aos 50 anos. Mas antes eu não tinha tempo para me dedicar a isso.”
Do trabalho que exerceu a vida toda e inspirado pelo exemplo da mãe, decidiu que ofertaria um pouco do seu tempo para os idosos do Centro de Convivência Pommernheim. “Como tinha a minha mãe, hoje já falecida, que também gostava muito, vim ajudá-los, para mantê-los bem de alguma forma.”

E foi assim que, em julho de 2018, surgiu a Oficina de Informática para os internos do Pommernheim, com aulas semanais gratuitas. A cada encontro participam entre oito e dez idosos. “Só paramos entre março de 2020 e abril 2022, porque havia muitas restrições em função da Covid-19 e a saúde de cada um deles era o mais importante.”
Do início, Agnaldo recorda com orgulho das dificuldades para conseguir montar a sala em que pudesse dar as aulas. “Sem dúvidas, um dos principais desafios da época foi ter que conseguir computadores e notebooks, mesas e cadeiras, para darmos condições para que eles pudessem aprender de verdade. As cadeiras ainda não são muito boas, mas o restante nós conseguimos de doações e são todos materiais muito bons”, revela.

Melhorar a questão da ergonomia é uma das metas que Agnaldo ainda pretende tirar do papel, dar condições ainda melhores para que os idosos possam de dedicar ainda mais aos estudos. “Essa é uma proposta que depende também da ajuda voluntária de outras pessoas. Sei que podemos melhorar ainda mais o espaço das aulas e, principalmente, o lugar onde eles ficam sentados, para dar mais conforto aos meus queridos alunos.”
A cada novo encontro, muito mais do que uma troca de experiências, Agnaldo fala também dos aprendizados e vivências que tem com cada aluno. “É incrível vê-los se lembrarem de lugares através de imagens e vídeos, de onde viveram, de coisas que gostam de ver, como plantas, animais, lugares do mundo e muito mais. Outros também gostam de escrever sobre vários assuntos.”
Para os que pretendem se dedicar à belíssima conexão entre trabalho e voluntariado, Agnaldo deixa um importante recado: “Acho que todos nós conseguimos, de alguma forma, ajudar. Pessoas, ou uma instituição de caridade com doações de tempo, de conhecimento, ou de materiais, é uma das maneiras mais fáceis e mais gratificantes de ajudar o próximo e dar ainda mais sentido ao trabalho.”
E para tanta entrega e dedicação, Agnaldo garante que a melhor recompensa que recebe é a alegria de cada aluno. “É impossível descrever a felicidade deles quando chego para uma nova aulinha. Ajudar idosos e vê-los felizes, com certeza, é uma das mais puras expressões de amor.”
































