Aguente firme. Não chore. Não demonstre fraquezas. Você precisa ser forte, seu filho precisa de você. Não peça ajuda. Muitas já passaram por isso e sobreviveram, você também consegue. Calma, ainda vai piorar.
Essas e tantas outras frases são ouvidas com frequência pelas recém-mamães. Críticas, julgamentos e conselhos não solicitados inundam os dias que, por si só, já não são uma tarefa fácil.
Claro, “é justo que custe o que muito vale”, como disse Santa Teresa D’Ávila, mas é mesmo necessário que as mulheres precisem abrir mão delas mesmas para se tornar boas mães?
Recentemente, as redes sociais estão abrindo espaço para tratar sobre maternidade real. Influencers, marcas e até mesmo pessoas comuns estão utilizando as tecnologias para difundir problemas e vivências reais, que antes eram mascaradas pela maternidade perfeita.
As mães continuam amando os filhos de forma incondicional, mas o movimento é voltado para o cotidiano, em que nem sempre todos os dias cumprem as expectativas impostas pela sociedade.
O intuito dessa matéria produzida pelo Testo Notícias é acolher e dar voz às mães que enfrentam dificuldades em sua maternidade para que elas saibam que não são as únicas passando por isso e que procurar por ajuda não lhes faz menos mães.
Algo que todas as entrevistadas concordam é que a maternidade é maravilhosa e mudou suas vidas de forma positiva. Nem por isso, as dificuldades deixaram de existir.
Se você estiver passando por algum desafio, não deixe de buscar ajuda, seja ela física ou psicológica.
Na gestação, um mundo de surpresas
“Tem horas que você se sente uma estranha dentro do próprio corpo, tudo muda. Quanto mais a gravidez avançava, mais desafiadores eram os dias.” Isadora*, de 35 anos, resume dessa forma os desafios encontrados durante a gestação do filho.
Desde o momento em que encontrou a pessoa certa para construir uma família, ela nutria o sonho de ser mãe. A pandemia atrasou os planos, mas, assim que as vacinas vieram e a gravidade dos casos diminuiu, o casal decidiu que era hora de tentar novamente. “Depois disso, foi mais de um ano e meio até vir o positivo que mudou nossas vidas”, relata.
Por já idealizar esse momento diversas vezes, a felicidade tomou conta do coração de Isadora. “É claro que junto vem toda uma gama de sentimentos… Em querer saber se está tudo bem com a criança, em como será dali pra frente e assim por diante.”
Sobre o período da gravidez, ela admite que não tinha muitas expectativas para os meses seguintes e compreendia que não seria fácil. “Principalmente por conta de outros problemas de saúde. Mesmo assim, foi bem mais desafiador do que eu esperava”, revela.
Durante os cinco primeiros meses, a mãe de primeira viagem sofreu com enjoos constantes, que começavam logo ao acordar e melhoravam por volta de cinco horas da tarde. “Eu tinha muito mal-estar geral também. E cheguei a ter um pequeno sangramento que me deixou de repouso por um pequeno período.”

Quanto mais o tempo passava, mais árduos eram os dias. Isadora passou por muitas dores nas costas e pelve, enfrentava dificuldades em trocar de posição na cama, sentar e levantar. “Fora o cansaço extremo. Eu fazia uma atividade cotidiana simples e precisava sentar, pois me sentia mal. Consegui manter o pilates durante a gestação, acredito que foi o que ajudou muito na questão das dores”, conta.
Sobre isso, a fisioterapeuta pélvica, Natália Stasaitis, que se especializou em cuidados na gestação, parto e puerpério, relata que, geralmente, a mudança de corpo não é um processo fácil para as mães. “Sabemos que toda alteração que surge na vida da mulher, falando de disfunções, como incontinência urinária ou evacuatórias, as dores sexuais, dores do intestino e da pelve, são decorrentes do processo de gestar, e não da via de parto que a mulher escolheu, seja natural ou cesárea.”
Ela esclarece que não são todas as mulheres que experienciam a gravidez com facilidade. “Não podemos esperar que todas as mulheres grávidas se sintam felizes com as mudanças do corpo e com o processo de gestação, e isso é diferente de gostar de ser mãe ou de desejar o filho. Tenho várias pacientes que amaram o fato de engravidar, mas odiaram o fato de estarem grávidas, isso porque o corpo mudou, tiveram muitos enjoos, sonolência, não conseguiram manter a atividade física, cresceu o abdômen, ganhou muito peso, etc.”, completa.
Sentimento compartilhado por Isadora. Mesmo que em nenhum momento tenha sentido arrependimento por estar gestando o filho, ela precisou deixar muitas coisas de lado durante esse período. “Por mais que você esteja gerando uma vida, sempre bate um sentimento de frustração por não conseguir continuar com sua rotina normal. Lembro que desacelerar do trabalho foi bem ruim, não conseguir fazer uma atividade doméstica por mais de 30 minutos seguidos também me deixava triste. Meu filho é tudo o que sempre pedi a Deus, mas confesso que não via a hora dele nascer, da gestação chegar ao fim”, expõe.
*Nesta reportagem especial, o nome fictício “Isadora” será utilizado para proteger a identidade da entrevistada.
Fissuras, mágoas e uma grande decisão
“Eu sem dúvida me senti muito culpada. Na verdade, não só naquele momento, mas por muito tempo. […] Ele tinha mais de um ano e eu ainda me culpava por não ter conseguido, por não ter sido capaz.” É dessa forma que Josi*, de 27 anos, admite se sentir ao falar sobre não ter conseguido amamentar o filho.
Casar e construir uma família sempre foi um desejo dela. Quando descobriu a gravidez, medo, alegria e insegurança se instalaram em seu coração. “Fiquei trêmula e sem reação definida. Como eu já havia tido um aborto na minha primeira gestação, a mistura de sentimentos se fez dentro de mim”, conta.
Durante a gestação, tinha o desejo de ter um parto normal. No entanto, nem tudo ocorreu como imaginava. “Na última semana, eu já estava tão exausta e com dor, que só queria que ele nascesse logo”, brinca. “Ele nasceu de cesárea, de 40 semanas e seis dias, em uma segunda-feira de muita ansiedade. Depois da aplicação da anestesia, comecei a sentir falta de ar, acredito que era da ansiedade e medo, mas conseguiram me acalmar e não precisei que colocassem oxigênio. Quando o vimos, eu e meu marido não contivemos a emoção. Foi o dia mais emocionante da minha vida.”

No entanto, já na primeira tentativa de amamentar o filho, Josi encontrou dificuldades e, no dia seguinte, o seio da mãe de primeira viagem já estava dolorido. “Eu não tinha leite e ele começou a chorar de fome no hospital. O pediatra não quis dar nenhuma fórmula e eu fiquei tentando amamentá-lo, mas não tinha leite. Ele pegava, tentava mamar um pouquinho, via que praticamente não saía nada e começava a chorar, porque já estava com muita fome”, lembra.
Na saída do hospital, o seio de Josi começou a apresentar fissuras e, diante disso, ela recebeu a indicação de passar uma pomada, mas nada parecia funcionar. “Quando precisava amamentar, eu gritava de dor, literalmente chorava de tanto dor que tinha.”
Em determinado momento, o desespero bateu à porta. “Eu estava com um recém-nascido perdendo peso porque não tinha leite, aí comecei a complementar com fórmula. Mas ele tinha muita cólica, gritava e acabava vomitando o que tinha mamado”, conta.
A fisioterapeuta pélvica Natália fala sobre as dificuldades encontradas pelas mamães durante os primeiros dias após o nascimento do bebê. “Vem muitas outras coisas com a amamentação, a pressão de que tem que dar certo porque o recém-nascido precisa ganhar peso, e se você não der de mamar eficiente, o peito vai encher, vai endurecer e empedrar”, enfatiza.
Segundo ela, a amamentação, em diversos casos, tira o sono das mulheres no pós-parto e é quando os primeiros sinais psicológicos costumam aparecer. “Eu sempre digo que o sonho seria que todas tivessem suporte para esse período, porque ninguém sabe o que vai acontecer, se vai ter intercorrências, se vai encontrar facilidade ou não”, enfatiza.

Como amamentar fazia parte do sonho de ser mãe, mesmo com a fórmula, desistir ainda não estava entre as opções. Por isso, mesmo sofrendo, Josi insistiu por cerca de 15 dias até entender que não teria outra opção a não ser abrir mão. “Eu sempre tive o desejo no meu coração, então criei muito essa expectativa em volta da amamentação e achava que seria a coisa mais fácil do mundo, mas não foi o que aconteceu.”
Mesmo de forma dolorosa, ela relembra o dia em que teve que tomar a difícil decisão. “Eu estava sozinha em casa, já que meu marido e minha mãe estavam trabalhando. Coloquei meu filho no seio para amamentar, aí quando ele começou a chorar, porque puxava e não saía mais nada, eu complementei com a mamadeira.”
No entanto, o bebê começou a se engasgar, gerando minutos de tensão, medo e desespero para a mãe. “Eu o virei como o doutor tinha me ensinado, dei os tapinhas nas costas, mas não tinha voltado. Fiz o mesmo procedimento de novo e nada. Então decidi falar com Deus, já que nunca tinha passado uma situação dessas e estava sem nenhuma outra pessoa para poder me ajudar. Era só eu, Deus, a minha fé e a criança”, recorda.
Josi colocou o filho de bruços e fez o procedimento novamente, fazendo com que ele vomitasse o leite que estava engasgado e voltando a respirar normalmente. “Naquele momento, decidi parar de amamentar. Eu estava tentando já fazia mais de duas semanas, não tinha resultado, não saía do mesmo lugar, o meu filho gritava de fome, tinha muita cólica e daí aconteceu isso e foi o que me fez parar de tentar.”
Sobre a escolha, ela admite ter sentido culpa por muito tempo. Para a mãe, doía muito saber sobre a importância do leite materno e ter que se privar da amamentação. “Quando ele tinha mais de um ano, eu ainda me culpava por não ter conseguido, por não ter sido capaz. Mas, hoje, eu vejo ele forte e saudável e isso conforta meu coração”, completa.
Quando se fala de consultoria de amamentação e atendimento humano, a fisioterapeuta destaca que tudo é feito em função de nutrir o bebê, independente da via que seja escolhida.
Mesmo assim, muitas mulheres mantém o pensamento de que estão sendo “menos mães” e, nesses casos, o auxílio psicológico é indicado. “No processo terapêutico buscamos entender quais são as crenças relacionadas ao sofrimento emocional. Existem mães que, por não conseguirem amamentar, não tem mais expectativas de nada e a frustação da maternidade aparece”, relata a psicóloga Janaina Busarello.
Através da terapia, é possível trabalhar em cima do pensamento de que, mesmo não amamentando, ela continua sendo uma ótima mãe. “Através disso, busca-se melhorar e mudar os impactos que isso está trazendo na vida dela, fazendo com que essa mãe comece a cuidar do bebê, independente da amamentação, sem deixar de olhar para o sofrimento dela também.”
*Nesta reportagem especial, o nome fictício “Josi” será utilizado para proteger a identidade da entrevistada.
Nos dias mais difíceis, a luz no fim do túnel
“O sentimento que eu tinha por qualquer criança era o mesmo que tinha pelo meu filho, isso me dói muito, mas na época eu não tinha um sentimento de mãe.” As palavras são de Maria*, de 30 anos, diagnosticada com depressão pós-parto.
Mesmo tendo engravidado pouco tempo após conhecer o namorado, ela resume com “felicidade” o sentimento que teve quando descobriu que seria mãe. “Pensava que havia chegado a hora de ter minha família. Hoje, vejo que não tinha ideia nenhuma do que estava por vir. Mãe de primeira viagem acha que sabe das coisas, mas a gente não sabe, só vamos descobrir depois que nasce.”
A gravidez de Maria foi tranquila, com poucos desafios. Durante o passar dos meses, aproveitou para estudar muito sobre as etapas que viveria com o filho. “Lia temas como o sono do neném e amamentação. Foi um período em que me informei das coisas, mas ainda assim não foi o suficiente, acho que a gente nunca vai saber de tudo”, declara.
Depois do nascimento do filho, os primeiros 10 dias foram muito corridos, em razão dos diversos compromissos para cumprir com o recém-nascido, como os exames e as vacinas. “Ele também chorava muito nesses primeiros dias, até que descobri que era por causa do meu leite. Hoje, eu sei que é porque ele não conseguia fazer a sucção da forma correta e eu também não consegui ensinar isso para ele. Eu nunca tive um desejo muito grande de amamentar, então isso não foi ruim para mim. Eu sabia que logo ia ter que voltar a trabalhar e ter ele dependendo de mim seria mais complicado.”
No entanto, após esse período, as coisas começaram a se tranquilizar. O que para muitas mães seria algo positivo, para Maria foi o estopim para algo maior crescer dentro de si. “A calmaria era para ser algo bom, mas, para mim, era muito chato ter que ficar em casa com ele, eu não suportava”, admite.
Na época, os dias felizes dela ocorriam quando ia até a casa da mãe, deixava o filho aos cuidados da avó e optava por fazer outras coisas para passar o tempo. “Lembro que ficar jogando no celular era o que me deixava feliz, porque achava muito chato ter que ficar em casa.”
Ao redor dela, Maria via outras mães postando fotos nas redes sociais, felizes ao lado dos bebês e aproveitando o tempo com eles, e não entendia por qual motivo não partilhava do mesmo sentimento. “Mas claro que nunca falei isso para ninguém, como eu ia dizer que eu achava chato ficar em casa com meu filho?”, questiona.
Por isso, após cerca de 20 dias do nascimento, ela decidiu retornar ao trabalho. “Fisicamente eu estava bem, o corte da cesárea foi tranquilo, não me doía nada. Então, voltei ao trabalho para não precisar ficar em casa com ele.”
Como nunca namorou de forma séria e, por isso, nunca se deu a oportunidade de sonhar com uma família, Maria acreditava que a falta de sentimento pelo filho era normal. “Eu não sabia o que era amor de mãe. Era bem ruim, não era um sentimento profundo como eu tenho agora”, explica.

Isso durou cerca de dois meses e, durante esse período, Maria emagreceu cerca de 16 quilos, mesmo não tendo amamentado. Ao mesmo tempo, a imunidade dela não estava boa e, por isso, ficava doente de forma frequente. “No fim do ano, eu pedi ao meu companheiro para ir ao pronto-socorro, porque estava com uma gripe muito forte, não aguentava mais e queria ir para o hospital. Quando estava esperando a consulta com o médico, chorava muito, porque estava sempre doente, com gripe e muito fraca.”
Sentada na sala de espera, ela pegou o celular, abriu o Google e pesquisou sobre depressão pós-parto, mesmo nunca tendo desconfiado da doença. “Vi que batiam todos os sintomas. Lembro que eram desânimo, fraqueza, muita vontade de chorar, eu não tinha vontade de comer porque sempre estava triste, por isso emagreci muito. No entanto, como era fim do ano, não tinha muito o que fazer, tratei a gripe e procurei um médico”, lembra.
Em janeiro, Maria se consultou com um psiquiatra, o qual confirmou a depressão pós-parto. “Lembro de me sentir muito aliviada quando ouvi o diagnóstico, porque entendi que não era porque eu não amava o meu filho ou porque nunca tive o desejo de ser mãe, mas era algo maior que eu.”
O médico passou, então, o tratamento que seria necessário seguir e pediu para que, se ela tivesse condições, ficasse um mês sem trabalhar e junto de alguém para não ficar sozinha. Com isso, ao lado do companheiro e do filho, Maria morou um mês com a mãe. “Também me senti muito aliviada por não precisar cuidar dele até melhorar. Isso pra mim foi maravilhoso”, confidencia.
O tratamento, que inicialmente seria de seis meses, se estendeu por um ano. Porém, o sentimento de mãe e filho foi sendo cultivado dia após dia. “Amor por ele lembro que fui ter quando ele fez três meses, aí pude dizer que eu sabia o que era o amor de mãe.”
Hoje, após ter vencido esse grande desafio, ela entende que ter engravidado foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida. “É muito amor, é inexplicável, é o sentimento que só quem é mãe entende”, salienta.
Para muitos, o relato de Maria pode chocar e trazer muitos questionamentos, já que há ainda muito “tabu” sobre o tema. No entanto, quando o bebê nasce, ele traz consigo muitas mudanças para a mãe, sejam elas físicas ou emocionais. “É normal que a mãe chore com mais frequência nos primeiros dias pós-nascimento. É muito comum ela não ter a mesma energia que tinha antes, querer dormir mais ou não conseguir dormir, não ter fome ou ter muita fome”, explica a psicóloga Janaina.

Durante o puerpério, também chamado de “baby blues”, é necessário que o olhar de cuidado também seja voltado para a recém-mamãe. “O que precisa chamar a atenção é se isso continuará e permanecerá por muitas semanas, e é quando precisa ser avaliado.”
De acordo com a psicóloga, no meio científico não é mais utilizado o termo depressão pós-parto, e sim “transtorno depressivo maior, com início no periparto”. “Essa classificação tira a ideia de que a depressão vai vir somente após o nascimento do bebê, já que pode acontecer durante a gestação ou depois.”
Os sintomas, segundo Janaina, são os mesmos de outro episódio depressivo: humor deprimido, desinteresse nas atividades que fazia antes, perda ou ganho significativo de peso, insônia ou hipersonia, agitação, fadiga ou perda de energia, sentimento de inutilidade, culpa excessiva, capacidade diminuída para pensar ou se concentrar e pensamentos de ação suicida.
No entanto, é importante destacar que não se pode pensar em apenas um sintoma de forma isolada, assim como nem todos precisam aparecer. “Para fechar um diagnóstico de depressão, é importante que esta avaliação seja realizada por um profissional especializado, isso significa um psicólogo ou psiquiatra. Diagnóstico não é uma lista de sintomas, ele precisa ser realizado através de uma investigação minuciosa, com embasamento científico”.
Além disso, é importante que a mulher compartilhe as informações com a rede de apoio, seja com o companheiro/a, algum familiar ou amigo/a. “Alguém de fora provavelmente vai perceber os sintomas muito mais fácil do que a própria mãe. Ou, ao contrário, o outro pode achar que é uma depressão pós-parto, mas talvez seja apenas fase do puerpério”, evidencia.
*Nesta reportagem especial, o nome fictício “Maria” será utilizado para proteger a identidade da entrevistada.
A união de vozes na busca pela informação
A falta de informação é um dos principais motivos que faz com que as mulheres enfrentem empecilhos durante a gestação e após o nascimento. “Estudos mais recentes trazem que quanto mais inteirada do assunto ela está, mais segura ela fica frente à gestação, parto e puerpério”, afirma a fisioterapeuta pélvica.
Para ela, ainda falta a conversa entre mãe e filha, a instrução no colégio e a melhora na qualidade do conteúdo disponibilizado para pesquisa. “Nós somos muito restritos com relação à educação sexual. Quando falamos de educação sexual, não é a respeito de sexualidade, é o cuidado e entendimento dos órgãos uroginecológicos. Quando a gente entende isso e é o que a gente espera como certo e saudável, tudo o que sai nessa caixinha tem que chamar a atenção”, destaca.
Além disso, Natália entende essa busca por conhecimento também como autocuidado, já que não se pode esquecer que a mulher quando se torna mãe ainda necessita de atenção. “O meu recado é para que as mulheres não se acomodem com relação à saúde, porque muita gente acha que seu problema não tem solução, que é normal, mas é qualidade de vida. Que as mulheres se permitam viver seus processos e buscar por ajuda, independente de qual seja a esfera, física ou psicológica.”
Sobre a quebra da romantização da maternidade, a psicóloga Janaina entende esse movimento como sendo de extrema importância. “Quando as mães realizam a troca e compartilham experiências, elas entendem que não existe maternidade perfeita. A queixa que uma mãe pode ter em relação a amamentação, outra pode ter com a privação de sono ou com a alimentação na introdução alimentar”.
Por isso, o conselho que fica é para que as mulheres busquem conhecimento durante o período de gestação e compartilhem com o parceiro/a e rede de apoio. “Buscar conhecimento não significa que vai eliminar possíveis desafios, mas faz com que entendam o que está acontecendo com seu corpo e seu emocional, durante a gestação e após o nascimento. O conhecimento potencializará ainda mais o maternar dessa mãe”.
No entanto, ela entende que ainda há muito a melhorar quando o assunto é maternidade. “Geralmente, as mães têm muito receio de expressar sua opinião por conta do julgamento dos outros. Infelizmente, a sociedade ainda é muito cruel quando falamos desse tema”, esclarece.
Para Josi, mãe que enfrentou problemas com a amamentação, é preciso parar de camuflar a maternidade e também mostrar os desafios e superações. “Não fui só eu que passei por isso, certamente muitas mulheres passaram e muitas não falam com medo de serem julgadas ou com medo de assustar outras mulheres a serem mães.”
Porém, mesmo com os momentos de dificuldade, dor e angústia, ela entende que tudo vale a pena quando olha o sorriso do filho. “Eu acho que pronta para ser mãe ninguém nunca vai estar, ninguém estará pronta para abrir mão totalmente de si por muito tempo, abrir mão das noites de sono, porque ser mãe não é como uma profissão, nunca deixamos nossa responsabilidade de lado. E mesmo depois que o filho cresce, ele sempre terá um carinho e um aconchego para voltar. Não importa quanto tempo ele fique fora, a mãe sempre vai estar lá orando e cuidando e esperando ele voltar”, finaliza.
































