A Mãe que eu me tornei – e a que nunca imaginaria ser

Eu achava que era paciente. A pessoa zen do grupo. A que oferecia conselhos para as amigas gripadas e dizia coisas como “tudo passa”, com um olhar sábio e maternal. E eu era, até meu filho nascer. Aí descobri que paciência não é esperar calmamente o ônibus, é tentar colocar meias em um bebê que acha que seus pés são uma extensão de um foguete em decolagem.

Este é meu segundo Dia das Mães, mas o primeiro em que ele realmente interage, mesmo que a “interação” se resuma a me acordar cedo pela manhã, por vezes com um sorriso banguela que desarma até o mau humor mais crônico, por vezes com o choro mais sofrido do mundo motivado pelo resquício de sono que permanece.

Ser mãe me ensinou muita coisa, começando pelo fato de que dormir é um privilégio e que o silêncio absoluto pode significar desastre. Aprendi também que amor é um bicho muito mais bruto do que os comerciais de TV mostram. Amor é se desesperar escondida no banheiro por exaustão e, dois minutos depois, sair com voz animada de apresentadora infantil.

Antes de ser mãe, eu achava que sabia o que era “doar-se”. Mas doar-se de verdade é outra liga. É viver a incerteza diária do que virá pela frente e, ainda assim, sorrir porque aquele serzinho te chama de “mãiii” e te olha como se você fosse o planeta inteiro.

A maternidade, pra mim, não veio com manual, veio com fraldas, com o refrão “palma, palma, palma… pé, pé, pé… roda, roda, roda caranguejo peixe é” cantado repetidamente durante uma tarde animada e uma nova versão de mim mesma que nem eu conhecia. Uma versão que, apesar de todos os desafios, nunca se sentiu tão completa.

Hoje, prestes a viver meu segundo Dia das Mães, eu olho pra esse pequeno ser humano que agora corre pela casa e bagunça tudo ao seu redor, e penso: “Quem diria que eu viraria essa mãe?” A que se emociona com conversas em “bebenês” (impossíveis de decifrar), que canta “Pintinho amarelinho” no carro com convicção, e que acha que oferecer colo durante uma crise em plena madrugada, às vezes, tem um quê de poesia.

Feliz Dia das Mães pra mim. E pra todas nós que nos reinventamos, amassadas, bagunçadas, mas cheias de amor.

Receba notícias direto no seu celular, através dos nossos grupos. Escolha a sua opção:

WhatsApp

1 COMENTÁRIO

  1. Duplo parabens Jana: pela crônica e pelo dia das mães!!
    Continue escrevendo assim com essa dinâmica genial de mãezona!!!
    O quotidiano da maternidade deve te dar um volume enorme de assuntos.
    Abraços,
    Antonio

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques

Últimas notícias