Em um mundo marcado pela velocidade e pela constante mudança de rumos, histórias de longevidade e dedicação ganham um valor raro. E é exatamente esse o legado que Marisa de Lima Clovacki construiu com sabor, carinho e panelas fumegantes ao longo de seus 30 anos no coração da cozinha do Restaurante Schroeder, em Pomerode.
Desde o dia 3 de maio de 1995, quando começou como faxineira e rapidamente assumiu as panelas após a saída de uma cozinheira, Marisa é parte essencial da rotina e da alma do restaurante. Registrada oficialmente em 1º de agosto de 1995, ela não apenas acompanhou, mas ajudou a moldar a história do estabelecimento, que é reconhecido como um dos pontos gastronômicos mais tradicionais da cidade.
Do olho ao coração: o tempero que conquista gerações
Marisa começa seu dia às 6h30min da manhã, preparando tudo para o buffet estar impecável ao meio-dia. “Vai no olho”, ela diz sobre as quantidades, com a sabedoria de quem conhece o movimento da casa como poucos. A cozinha, para ela, é extensão da própria casa, e talvez por isso, tudo que sai dali tem gosto de afeto.
Entre os pratos mais pedidos e que viraram clássicos estão o goulash, o pastelão que são servidos no buffet do almoço, os bolinhos de carne e o famoso “Heringsbrot” que podem ser apreciados no balcão da lanchonete. Mas Marisa garante que o verdadeiro segredo do sabor é mais simples que qualquer receita: “amor e paixão pelo que se faz”.
Do Paraná para Pomerode: um caminho sem volta
Influenciada pela mãe, que trabalhou por 16 anos no Schroeder, Marisa chegou do Paraná e encontrou ali seu primeiro e único emprego na cidade. Aos 27 anos, abraçou a oportunidade e nunca mais trocou de profissão. “Eu não me vejo fazendo outra coisa”, admite, com a serenidade de quem encontrou seu lugar no mundo.

Trinta anos de mudanças e permanência
O restaurante passou por reformas e evoluções, mas para Marisa, a essência segue a mesma: “Parece que estou em casa”. Com o tempo, clientes viraram amigos e os patrões, família. Ainda hoje, aos 57 anos, ela não pensa em parar. “Espero me aposentar, sim. Mas quero continuar trabalhando até quando conseguir. Não me vejo em casa sem fazer nada”.
Um legado que vai além da comida
Na cozinha, Marisa não só prepara os pratos — ela aquece lembranças, constrói histórias e alimenta laços. Quem passa por ali e prova seus sabores, leva muito mais do que uma boa refeição: leva a generosidade de uma vida inteira dedicada ao bem servir.
Marisa agradece aos donos do restaurante e aos frequentadores fiéis que, dia após dia, fazem parte dessa trajetória. E com a simplicidade que só os grandes têm, conclui: “Como que eu consegui tanto tempo assim? Mas aí vai ficando e ficando mais um pouquinho. E lá se vão 30 anos, parece que foi ontem quando comecei.”
































