Pomerode deu um importante passo na preservação de suas tradições religiosas e culturais. O Projeto de Lei Ordinária nº 0025/2025, de autoria do vereador Marco Aurélio Sudbrack Desessards, declara como Patrimônio Cultural Imaterial do município as manifestações religiosas e o badalar dos sinos das igrejas.
Apresentado na sessão da Câmara de Vereadores de Pomerode, realizada na segunda-feira, dia 04, o projeto ainda passará por uma segunda votação devido a ajustes redacionais. “A expectativa é que a proposta seja aprovada e publicada oficialmente nas próximas semanas”, reforça Marco.
Tradições religiosas que moldam a identidade de Pomerode
O projeto reconhece como patrimônio imaterial diversas expressões religiosas que fazem parte da história e da identidade da cidade, entre elas:
- Festejos religiosos, como a confecção de tapetes de serragem e flores para procissões
- O tradicional badalar dos sinos das igrejas, especialmente da Igreja Luterana Central
- Cultos ecumênicos realizados anualmente no Teatro Municipal
- Celebrações da Quaresma, Páscoa e Natal
- O emblemático desfile das lanternas, que reúne a comunidade em uma caminhada iluminada
Segundo o vereador, o projeto surgiu da necessidade de proteger essas manifestações culturais que, embora já enraizadas na rotina do município, ainda não possuíam reconhecimento legal como patrimônio. “Essas celebrações fazem parte da alma de Pomerode. São expressões de fé, memória e identidade que precisam ser preservadas”, afirma.

O Sino da Igreja da Paz: um símbolo histórico
Um dos destaques do projeto é o reconhecimento do sino da Igreja Luterana do Apóstolo João, a Igreja da Paz, localizada no Centro de Pomerode, como bem cultural imaterial.
Há décadas, o sino marca o tempo e celebrações religiosas, tocando diariamente às 6h, 12h e 18h. “Com origem europeia, o sino chegou a Pomerode pelo Porto de Itajaí, sendo recebido com festa pela comunidade e transportado em carroças até o centro da cidade.”
O vereador também destacou que, apesar de algumas reclamações recentes sobre o som dos sinos, é essencial lembrar que essa tradição é anterior à urbanização moderna da cidade. “O sino é parte da nossa história. Torná-lo patrimônio é uma forma de garantir que ele continue a soar como símbolo de fé e união”, explicou.

Proteção legal e valorização cultural
Ainda de acordo com o vereador, com base no artigo 216 da Constituição Federal, o projeto reforça o dever do poder público em proteger bens de natureza material e imaterial que representem a identidade dos grupos formadores da sociedade brasileira. “A proposta também valoriza o patrimônio cultural germânico-brasileiro, presente em Pomerode, por meio de inventários, registros e ações de preservação.”
Patrimônio Imaterial: fé, cultura e comunidade
Marco destaca que, com a aprovação do projeto, Pomerode reafirma seu compromisso com a preservação das raízes religiosas e culturais que moldam sua história. O badalar dos sinos, os tapetes de serragem, os cultos e procissões deixam de ser apenas tradição: passam a ser lei, protegidos como Patrimônio Cultural Imaterial do município.
































