No dia 17 de setembro, às 19h, na ACATE Primavera, será lançado o livro Design 5.0 – O Lugar dos Criativos na Indústria Digital. A obra foi escrita pelos consultores de empresas e professores da Universidade Federal de Santa Catarina, Júlio Teixeira, doutor em Engenharia de Produção pela UFSC, e Israel Braglia, doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela mesma instituição. Ambos possuem uma carreira acadêmica de prestígio e têm atuado como consultores para importantes empresas catarinenses e nacionais.
O livro estará à venda no evento de lançamento e também em grandes livrarias online, como Amazon, Livraria da Travessa e Livrarias Curitiba, além do site da Editora Alta Books. A obra também poderá ser encontrada em marketplaces como o Mercado Livre.
O livro nasceu da expertise do grupo de pesquisa da UFSC, o LEMME, e da experiência de consultoria de seus fundadores. Contudo, começou a ganhar forma durante a pandemia, “quando finalmente tivemos tempo para organizar nossas pesquisas e registrar os cases que vínhamos aplicando na prática”, destaca Braglia. Os coordenadores contaram ainda com a co-autoria de integrantes do LEMME, estudantes de pós-graduação em Design e em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC.
Os autores ressaltam que o propósito central da obra é mostrar que o design gráfico clássico mudou. Atualmente, o design está diretamente conectado à Indústria 5.0, funcionando como suporte estratégico para a criatividade, inovação e tomada de decisão baseada em dados. “Queremos reforçar que o design não é apenas estética ou funcionalidade — é também engajamento, é pressão positiva para transformar realidades, é geração de valor econômico e social”, afirma Júlio Teixeira.
Israel Braglia reforça: “Nosso foco é evidenciar como o design pode impactar a indústria e, ao mesmo tempo, melhorar a vida das pessoas — promovendo eficiência, qualidade de vida e decisões mais inteligentes. Este livro reúne tudo isso, tendo a criatividade como eixo que dita às novas regras no mundo digital.”
Os consultores afirmam que têm alguns objetivos com esta obra. O primeiro é mostrar aos profissionais criativos que eles têm um espaço estratégico na Indústria 5.0. Afinal, o mercado já reconhece e demanda esse tipo de atuação, colocando-os como protagonistas e agentes de inovação, capazes de gerar experiências mais relevantes para os clientes e decisões mais inteligentes para as empresas. O segundo objetivo é oferecer direcionamentos práticos, reunindo conceitos, métodos, técnicas, ferramentas e estudos de caso que mostrem a empresários, executivos, profissionais e acadêmicos como o design pode ser melhor explorado nesta nova Indústria Criativa.
Segundo os autores, a Indústria Criativa é formada por áreas que transformam talento, conhecimento e imaginação em produtos, serviços e negócios. Engloba desde design, arte, moda, arquitetura e audiovisual até música, games, publicidade, tecnologia e inovação. “Diferente das indústrias tradicionais, que dependem de máquinas e insumos físicos, aqui o motor da transformação é a capacidade de criar. Nos grandes centros urbanos, essa indústria costuma ser um dos principais aceleradores econômicos e sociais”, afirma Júlio Teixeira.
Entre os profissionais da indústria criativa estão designers, artistas, publicitários, criadores de conteúdo, programadores, analistas de dados, estrategistas digitais, empreendedores e muitos outros. “Os criativos são aqueles profissionais que conseguem unir sensibilidade, técnica e visão estratégica para criar soluções úteis e intuitivas”, complementa o pesquisador.
Para Israel Braglia, “a indústria criativa no Brasil já é uma realidade e se expressa no modo de viver e no jeito de ser do brasileiro”. Ele explica que, a indústria criativa combina produção, tecnologia, comunicação e inovação, tornando-se parte essencial de quase todas as áreas.
Segundo Júlio Teixeira, a indústria vem se transformando desde a Revolução Industrial, quando, pela primeira vez, a forma de produção foi radicalmente modificada. De lá para cá, cada fase trouxe uma novidade. “Atualmente, essa evolução da Indústria 5.0 mudou não apenas a forma como trabalhamos, mas também como consumimos informação, produtos e serviços — seja no mundo físico ou no virtual”, destaca o consultor.
Teixeira explica que as duas últimas fases — a Indústria 4.0 e a Indústria 5.0 — marcaram uma verdadeira revolução digital. “Nesse novo cenário, ganharam espaço os profissionais que conseguem unir tecnologia, negócios e pessoas. Inclusive, são eles que têm a chance de criar experiências mais próximas, humanas e relevantes, capazes de gerar valor tanto para as empresas quanto para a sociedade”, explica o professor.
Um bom exemplo é o setor bancário: quase tudo que antes exigia fila na agência hoje está no celular, disponível na palma da mão, 24 horas por dia — e, na maioria das vezes, de forma simples e intuitiva. “Costumamos lembrar às pessoas que, se está difícil usar o aplicativo, a falha não é da pessoa, mas sim do design que não foi bem feito”, ressalta Teixeira.
O professor Israel Braglia complementa que, em cada uma dessas fases da indústria, o design também foi se transformando. “No início, os criativos cuidavam apenas da estética dos produtos, mas aos poucos passaram a organizar processos, melhorar a usabilidade e até influenciar o consumo. Hoje, o design passou a criar experiências mais acessíveis, rápidas e conectadas, remodelando setores inteiros da economia”, afirma.
Eles pontuam que, atualmente, a sociedade está inserida na Indústria 5.0, marcada pela inteligência artificial e pelo uso da tecnologia a favor das pessoas. E nesse contexto, o Design 5.0 se torna mais humano, criando soluções empáticas e personalizadas. Um exemplo já acontece na área da saúde, com consultas online, diagnósticos apoiados por IA e o monitoramento do bem-estar por meio de relógios e dispositivos inteligentes. “É um momento em que a criatividade e a tecnologia caminham juntas para melhorar a vida das pessoas”, explica Braglia.
Como líderes de laboratório na UFSC, os coordenadores atuaram em diversos setores. Somando suas experiências individuais às dos demais co-autores, o livro reúne exemplos de micro e pequenas empresas atendidas, além de projetos para organizações de maior porte, incluindo multinacionais e empresas no exterior. No Brasil, os professores já prestaram consultoria para empresas como Natura, Sebrae/SC, Parati S.A. e Tropical Brasil; no exterior, em parceria com o IXL Center (EUA), apoiaram empresas como NutsCo e Top Therm na entrada no mercado norte-americano, além de acompanharem empresários brasileiros em missões internacionais no Vale do Silício.
Teixeira destaca que uma das primeiras consultorias realizadas em conjunto com Braglia foi em 2017, atendendo 27 empresas ligadas à ACATE, por meio do Sebrae/SC. “Essa foi uma experiência incrível que nos mostrou o quanto as empresas de base tecnológica já valorizavam e precisavam do nosso trabalho de consultoria na área da indústria criativa”, comemora.
Outro caso de destaque foi na Natura, onde reformularam o design de serviço do 0800 da empresa. “Apenas com a otimização do menu, elevamos a satisfação dos clientes em 2 pontos no Net Promoter Score (NPS), métrica que mede a probabilidade de recomendação. Também reduzimos o tempo médio de ligação de 6 para 2 minutos e 40 segundos, o que representa quase 10 mil horas de atendimento economizadas por dia. O impacto financeiro foi de aproximadamente R$ 400 mil por mês, ou quase R$ 5 milhões por ano, em valores atuais”, destaca Teixeira.
Em 2021, eles atenderam o Sebrae/SC, que à época possuía quase meio milhão de contatos, mas apresentava baixo engajamento e poucas vendas no digital. “Nessa consultoria, planejamos e implementamos um novo fluxo de comunicação automatizada, com personas e jornadas digitais criadas a partir de dados, incluindo três fluxos baseados em dores que guiavam o interessado da primeira visita ao pós-venda”, explica Braglia.
Na visão dos consultores, “o mais interessante, ao longo dessas duas décadas de projetos e consultorias, foi perceber que a principal diferença entre clientes de grande porte e micro e pequenas empresas, quando falamos de design, experiência do cliente e uso inteligente de dados, está apenas na escala”, ressalta Braglia. E complementa: “Hoje, na Indústria 5.0, o acesso à infraestrutura e às ferramentas digitais tornou-se cada vez mais democrático; o diferencial está em saber usar todo esse potencial a favor do negócio”.
Segundo Teixeira e Braglia, as principais queixas e demandas que recebem dos empresários estão ligadas ao desafio de colocar o ser humano no centro dos processos. “Apesar de toda a tecnologia disponível, muitas empresas ainda falham em oferecer experiências realmente empáticas e relevantes para as pessoas. É aí que os criativos assumem papel estratégico, ajudando as organizações a transformar dados e inovação em valor humano e social”, afirmam.
Para os consultores as dificuldades mais recorrentes das empresas são:
Automatizar sem perder o toque humano – Muitas empresas recorrem aos criativos para redesenhar suas interfaces, interações e jornadas digitais que se tornaram frias e robotizadas, ou quando ainda operam de forma analógica e pouco integrada. “Normalmente, as empresas desejam mais automação, mas enfrentam desafios para manter tudo acessível e amigável às pessoas. Casos como esses são exemplificados no livro, com a proposta de algumas soluções”, destaca Teixeira.
Personalização em escala – Equipes, principalmente de marketing e vendas, ainda têm grandes dificuldades para criar fluxos de comunicação e integrar canais com roteiros de abordagem adaptados às necessidades de cada cliente. “Mesmo com bases de dados robustas, muitas empresas não conseguem interpretar necessidades nem transformá-las em ações ou produtos mais inteligentes. No livro Design 5.0, mostramos caminhos práticos para traduzir dados em experiências relevantes”, ressalta Braglia.
Resiliência e adaptação a mudanças – Os pesquisadores mostram que muitos criativos ainda resistem a assumir o protagonismo e o papel estratégico que o mercado já oferece. Estigmas como aversão a negócios, apego à “liberdade criativa” e recusa em aprender novas competências limitam sua atuação. “O livro ressalta que o profissional da indústria criativa precisa unir razão e emoção para propor soluções úteis, inovadoras e fundamentadas”, pontua Teixeira.
Entenda as diferentes fases da indústria e do design:
Indústria 1.0: Fábricas movidas a vapor e carvão. O Design 1.0 tinha como função apenas embelezar os produtos, sem interferência estrutural.
Indústria 2.0: Linhas de montagem e produção em série. O Design 2.0 visava otimização e redução da impessoalidade dos produtos.
Indústria 3.0: Eletrônica e automação. O Design 3.0 passou a organizar processos, diferenciar produtos e atuar com marketing.
Indústria 4.0: Internet e dados remodelaram produção e consumo. O Design 4.0 transformou setores inteiros (ex.: Netflix, Uber, Airbnb).
Indústria 5.0: Inteligência artificial e tecnologia a favor das pessoas. O Design 5.0 busca soluções mais humanas, empáticas e conectadas — como no setor da saúde, com triagens por IA, telemedicina e monitoramento remoto.
Serviço:
Lançamento do livro: “Design 5.0 – O Lugar dos Criativos na Indústria Digital”
Onde: Acate Primavera
Quando: 17 de setembro de 2025.
Horário: às 19h.

































