A duplicação da BR-470, considerada vital para a mobilidade e o desenvolvimento econômico do Médio Vale do Itajaí, corre risco de novos atrasos após a divulgação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) emitiu nesta quinta-feira, dia 02, um alerta ao Ministro dos Transportes, Renan Filho, sobre os impactos da redução de verbas destinadas ao DNIT para obras e manutenção de rodovias federais no estado.
Segundo a entidade, o orçamento previsto para 2026 destina R$ 50 milhões à BR-470, o que equivale a apenas 25% do valor necessário para dar andamento às frentes de duplicação entre Navegantes e Indaial, além da licitação do viaduto no km 138, em Rio do Sul. O prazo original para a conclusão dessas obras era entre 2017 e 2018, e, com os cortes, a previsão de término se torna cada vez mais incerta. “Neste ritmo, é provável que a duplicação não alcance a eficiência e a segurança adequadas, tornando-se cada vez mais difícil prever a sua conclusão”, destaca o documento da FIESC.
A preocupação é reforçada porque a rodovia é a principal ligação do Médio Vale com o Litoral e o Planalto, além de ser rota estratégica para o escoamento da produção industrial e agrícola. O trecho é usado diariamente por milhares de motoristas e sofre com congestionamentos, acidentes e atrasos logísticos.
Além da BR-470, a FIESC cita prejuízos em outras rodovias catarinenses com grande impacto econômico: BR-280 (R$ 80 milhões de R$ 209 milhões necessários), BR-163 (R$ 20 milhões de R$ 30 milhões), BR-285 (necessita aporte adicional de R$ 51 milhões) e BR-282 (R$ 20 milhões para terceiras faixas entre Palhoça e Alfredo Wagner).
No total, a LOA de 2026 prevê R$ 506,7 milhões para Santa Catarina, valor 50% menor que o orçamento recorde de 2023 (R$ 1,04 bilhão) e inferior também ao de 2024 (R$ 780,8 milhões) e 2025 (R$ 651,9 milhões). Para a FIESC, esse cenário ameaça não apenas a conclusão das obras, mas também a competitividade econômica do estado. “Essas rodovias são fundamentais para a competitividade de Santa Catarina, na geração de renda, arrecadação de tributos, manutenção e criação de empregos. Precisamos sensibilizar todos os envolvidos sobre a necessidade de ampliação dos recursos e de uma gestão eficiente na execução das obras”, afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme.
Diante da situação, a FIESC anunciou que vai mobilizar parlamentares catarinenses para apresentar emendas ao orçamento federal. A intenção é assegurar que recursos adicionais sejam destinados às rodovias, especialmente à BR-470, que permanece como a prioridade mais urgente.
































