Ensinar foi a maior felicidade da minha vida

Aposentado, Uwe Hass recorda sua trajetória em Pomerode e deixa uma mensagem de incentivo para quem escolhe o magistério como profissão

Encerrar um ciclo nunca é simples. Para o professor aposentado Uwe Hass, no entanto, a despedida da sala de aula foi feita com a serenidade de quem tem consciência de ter cumprido bem a sua missão.

Após 32 anos de docência em escolas de Pomerode – com destaque para o Colégio Doutor Blumenau e a EEB José Bonifácio, onde encerrou sua trajetória – ele olha para trás com gratidão, lembrando dos momentos vividos e, sobretudo, da satisfação de encontrar ex-alunos que hoje trilham seus próprios caminhos. “Essa etapa está encerrada”, diz, sem pesar. Para ele, o lecionar não deixou espaços de arrependimento ou de vontade interrompida. O tempo se cumpriu, e outros professores dão continuidade ao trabalho.
Ainda assim, ele pondera que caso surjam oportunidades de falar com turmas de estudantes sobre vestibulares, carreiras ou escolhas de vida, ele aceitaria com entusiasmo. A docência pode ter saído da rotina, mas nunca de dentro dele.

Uwe se recorda de como sempre estimulava os jovens a pensarem de forma crítica diante das constantes transformações do mundo. “Antes de curtir, compartilhar ou comentar alguma coisa, pesquise. Descubra se aquilo faz sentido. A gente precisa ter criticidade. A tal da interrogação: será que é assim mesmo?”, aconselha, numa lição que segue atual mesmo fora da sala de aula.

A própria história pessoal é um exemplo de coragem em mudar de rota. Antes de se formar em História, Uwe iniciou a faculdade de Engenharia Mecânica, mas percebeu que não era o caminho certo. “Foi a coisa mais fantástica que eu podia ter feito: mudar. Não tenha medo de errar. Faça algo com o qual você se sinta feliz”, aconselha aos jovens que pensam em seguir carreira. A alegria de ter trabalhado com o que gostava foi, para ele, a grande recompensa. “Trabalhe no que você gosta e nunca mais você vai trabalhar. O tempo passa rápido, você vai acordar de manhã feliz da vida para ir trabalhar”, resume, reforçando que qualquer profissão tem problemas, mas que a realização compensa os desafios. Ao longo da conversa, Uwe deixa transparecer seu prazer em ensinar. “Uma vez professor, sempre professor”, brinca, reconhecendo que o olhar pedagógico permanece mesmo fora das salas de aula.

Essa identidade de educador também é mantida na forma como é tratado pela comunidade. “Há pessoas que não me chamam pelo nome, só de professor. Isso é carinho e respeito”, comenta, orgulhoso de ver que o título ultrapassa documentos ou cargos oficiais e se torna parte de quem ele é.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela categoria, acredita que ser professor é uma das experiências mais ricas que alguém pode viver. “Apesar de desafiador, também é maravilhoso trabalhar com pessoas. Você está sempre vendo pensamentos, ideias, coisas diferentes. O reconhecimento é maravilhoso”, diz, ao mesmo tempo em que reforça um recado otimista aos colegas, ativos ou já aposentados: “Não desistam. A profissão de professor é a coisa mais fantástica que existe.”

Com serenidade e brilho nos olhos, ele resume em uma frase o sentimento que guarda dessa longa trajetória: “Eu ganho mais do que preciso, menos do que mereço. Mas nunca deixei de me sentir agradecido por ter escolhido esse caminho.”

Reconhecimento: Prêmio Educador Elpídio Barbosa

Em 24 de outubro de 2022, professor Uwe foi homenageado em Florianópolis com o Prêmio Educador Elpídio Barbosa, durante cerimônia realizada no tradicional Teatro Álvaro de Carvalho. A distinção chegou como um marco em sua trajetória de mais de três décadas de dedicação ao ensino em Pomerode.
O prêmio destaca educadores que fazem a diferença, trazendo novas ideias e incentivando o protagonismo estudantil.

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