A história de Beatrice Gasparek com a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode começou quase junto com a própria instituição. Em 2001, ao passar pela Praça Jorge Lacerda, ela foi atraída por uma lojinha de roupas usadas. “Gostei da ideia, comecei a participar das reuniões”, relembra. Assim, iniciou sua trajetória como voluntária no brechó, o primeiro de muitos papéis que assumiria ao longo de mais de duas décadas.

Com o tempo, Beatrice passou a atuar também no ambulatório, que se tornaria um dos pilares da Rede. “Era o nosso forte”, conta. Ela lembra com carinho da época em que, junto com outras voluntárias, visitava empresas para coletar exames preventivos. A estrutura ainda era modesta, mas o propósito já era grandioso.
Hoje, Beatrice dedica-se às terapias integrativas, uma frente que ganhou força nos últimos cinco anos. “É oferecido para as nossas atendidas, que já passaram pelo ambulatório e têm cadastro aqui. Elas escolhem o que mais gostam: artesanato, reflexologia podal, reiki, dança circular, ritmos, hidroginástica…”, enumera com entusiasmo. A parceria com a Água Doce para as atividades aquáticas é um dos destaques: “Faça chuva, faça frio, a piscina está sempre cheia”. Além das práticas corporais e artísticas, há encontros mensais com psicólogas, voltados para pacientes e seus acompanhantes. “É uma tarde de trocas e artesanatos. Elas brincam, contam, dançam, riem… É muito bom”, descreve Beatrice.
Para ela, as terapias integrativas não têm como foco a cura, mas sim o acolhimento. “É um momento delas, onde vão se relaxar e ficar com elas mesmas. Isso já faz um bom efeito”, afirma. A Rede também oferece fisioterapia e uma estrutura dedicada ao empréstimo de perucas, entre outras ações que, segundo Beatrice, são tantas que “a gente até esquece tudo que se oferece”.
Ao refletir sobre os 25 anos da Rede, Beatrice destaca a evolução da estrutura física e dos serviços prestados. Mas o que mais a impactou foi a força coletiva que construiu a instituição. “Foi uma lição muito grande. Um grupo de mulheres de visão e fibra, com garra e determinação. Com dinheiro, sem dinheiro, com apoio, sem apoio… fomos em frente. E aos pouquinhos isso foi se impondo”, diz.

Hoje, ela vê a Rede como uma organização de peso, respeitada e bem posicionada. “É uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo que as pessoas recebem da gente, a gente também recebe. Conhecemos novas realidades, desenvolvemos empatia”, resume.
Para as voluntárias que seguem o mesmo caminho, Beatrice deixa uma mensagem de esperança: “Sempre tem uma mão estendida. Onde a gente for, tem ajuda, tem esperança, e tem quem esteja disposto a ajudar. Cada um, na sua boa vontade, faz o que pode”.
Da paciente à voluntária, uma história de acolhimento e renascimento. “Olha, eu não sei nem como cheguei aqui.” Foi com essa frase espontânea e carregada de afeto que Inês Mércia Krause começou seu depoimento sobre a Rede Feminina de Pomerode. E talvez essa seja mesmo a melhor forma de descrever o impacto que a instituição teve em sua vida: uma chegada inesperada, mas transformadora.
































