“Olha, eu não sei nem como cheguei aqui.” Foi com essa frase espontânea e carregada de afeto que Inês Mércia Krause começou seu depoimento sobre a Rede Feminina de Pomerode. E talvez essa seja mesmo a melhor forma de descrever o impacto que a instituição teve em sua vida: uma chegada inesperada, mas transformadora.

A história de Inês com a Rede começou como paciente. Vinda de Jaraguá do Sul, ela buscava um novo recomeço em Pomerode, e também um espaço onde pudesse se sentir acolhida. “Eu morava em Jaraguá e gostava muito de trabalhar como voluntária. Lá trabalhei 25 anos com idosos. Quando vim pra cá, estava procurando algo”, conta.
Foi então que conheceu as terapias integrativas da Rede, especialmente a Dança Circular, conduzida pela voluntária Marineuza. “Ela sempre me chamava: ‘vem trabalhar conosco, vem ser voluntária’. E eu dizia que ainda não estava preparada”, relembra. Dois anos depois, Inês aceitou o convite e passou a atuar no brechó. Em setembro, completou três anos como voluntária.

Durante o tratamento contra o câncer de mama, diagnosticado na mama esquerda, a Rede foi mais do que um espaço terapêutico. Foi um porto seguro. “Me ajudou muito. Eu estava meio sozinha, e aqui encontrei apoio, acolhimento e amizade. É uma família”, afirma.
Hoje, já em alta médica, Inês continua dedicando seu tempo à Rede Feminina. E mesmo sem estar diretamente à frente das pacientes, sente que seu trabalho faz diferença. “Quando estou aqui, parece que esqueço do mundo lá fora. É muito agradável. Ajuda muito”, diz.
Para ela, o papel da RFCC na vida das pacientes vai além dos serviços oferecidos. “Elas ajudam muito, deixam a gente pra frente. Dá muito apoio, que é o que a gente precisa”, explica. E essa vivência dupla, como paciente e voluntária, lhe dá uma perspectiva única sobre o valor do acolhimento.
Neste Outubro Rosa, Inês deixa uma mensagem para quem está no início da jornada contra o câncer: “Tenham fé, força, esperança. Não desanimem. Esse bichinho não nos vai derrubar, não. Tem que ter muita força de vontade e fé.” E para quem ainda não conhece a Rede, ela faz um convite: “Que venha conhecer. Quem não conhece, não sabe tudo o que a Rede Feminina oferece. Mas é muito bom aqui.”
Da superação ao acolhimento, uma vida transformada pela Rede
A batalha de Iracy Lourdes da Cruz Santana contra um câncer começou em 2016, quando recebeu o diagnóstico de um dos tipos mais agressivos da doença: o câncer de mama triplo negativo. A perspectiva era sombria, e a jornada que se seguiu foi marcada por desafios intensos. “Fiquei em tratamento quimioterápico até dezembro de 2019. Tive uma metástase no pulmão, e meu médico dizia que a cura não era uma possibilidade”, relembra.
Mas Iracy acreditou. Enfrentou os tratamentos, apostou em uma técnica cirúrgica radioterápica inovadora e, contra todas as expectativas, viu seu quadro evoluir para uma remissão espontânea. “Depois de oito anos, meu médico olhou para mim e disse: você é um milagre”, conta com emoção.

Após essa virada, Iracy deixou Paulínia, no interior de São Paulo, em busca de tranquilidade. O destino escolhido foi Pomerode, onde encontrou mais do que sossego: encontrou a Rede Feminina. “A Rede me chamou atenção pela estrutura e pelo acolhimento. Comecei como voluntária, mas também me tornei paciente”, revela.
A vivência profunda com a doença transformou sua forma de enxergar a vida e o voluntariado. “Você começa a ver que tanta coisa que você dava importância não tem efetivamente essa importância. E como é bom ter apoio durante a doença. Isso me fez pensar nas outras pessoas que vivem a mesma situação”, reflete.
Hoje, Iracy atua no grupo de apoio da RFCC, responsável por acolher pacientes, realizar visitas domiciliares e identificar necessidades específicas, seja uma cesta básica, um vale combustível, fraldas ou medicamentos. Também participa da organização do café mensal e coordena, junto com outra voluntária, as atividades de hidroginástica. “Eu ajudo no que precisa ser feito. É um trabalho que me realiza”, afirma.
Para as mulheres que estão iniciando a batalha contra o câncer, especialmente neste Outubro Rosa, Iracy deixa uma mensagem poderosa: “Você tem que acreditar que tudo é possível. Por mais que digam que não tem jeito, sempre pode haver um jeito. Aceite, confie e agradeça.”
Na Rede Feminina, ela encontrou não apenas apoio, mas também propósito. “Aqui você compartilha a mesma situação com outras pessoas. Pode fazer hidroginástica, yoga, dança, consultar nutricionista, psicoterapia, fisioterapia… tudo isso ajuda a manter o bom humor e a força para seguir em frente.”
































