Há 25 Anos, presépio pintado por moradora de Pomerode tornou-se símbolo de superação

Leonida Conz aprendeu a pintar para não entrar em depressão, quando teve câncer, e mantém até hoje o hábito de montar o espetáculo do nascimento de Jesus todos os natais

Tudo começou há 25 anos, na serenidade da Serra Rio Rosina, em Rio dos Cedros. Foi ali que Leonida Conzatti, hoje com 92 anos, enfrentava um dos momentos mais difíceis de sua vida: o tratamento contra um câncer de mama. Para não sucumbir à tristeza e ao isolamento, ela buscou algo que ocupasse a mente e aquecesse o coração. Encontrou esse refúgio na pintura.

Foto: Graziela Tillmann/Testo Notícias

Comprou um presépio de gesso, simples, com 20 peças, e passou dias mergulhada nas cores inspiradas na Bíblia. Quando terminou, surpreendeu-se com o resultado e, mais ainda, com a paz que aquele gesto lhe trouxe. A cura do câncer chegou alguns anos depois, mas a paixão pela arte e pelo presépio nunca mais a deixou.

Hoje, morando em Pomerode, Leonida mantém o ritual que se tornou parte da sua história: todos os anos monta o presépio na área da casa. Para os trabalhos mais pesados, recebe ajuda, mas faz questão de assumir 90% do processo. “Todo ano acrescento algo diferente, mudo um detalhe ou outro”, conta. Este ano, reaproveitou cacos de vidro de um fogão quebrado e transformou-os em um caminho brilhante que atravessa o cenário, um gesto simples, mas cheio de simbolismo.

Foto: Graziela Tillmann/Testo Notícias

A vida também lhe trouxe dores profundas. Há três anos perdeu o marido, Juliano Conzatti, companheiro de mais de seis décadas. Sete meses depois, enfrentou a partida da filha mais velha, vítima de câncer. “Cuidei dela até o fim. Quando ela se foi, vim morar com a Cleusa, minha outra filha”, diz. Hoje, Leonida celebra a família que construiu: seis filhos, oito netos e um bisneto de 18 anos.

Mesmo longe da casa onde viveu por tantos anos, o presépio segue sendo sua âncora emocional, seu elo com o passado e sua forma de manter viva a fé e a memória. Em 25 anos, apenas a cabecinha de uma ovelha quebrou, mas foi possível ser consertada. “Deixo tudo montado até metade de janeiro, depois guardo com muito cuidado”, diz.

Para quem chega aos 92 anos com saúde, lucidez e uma serenidade admirável, Leonida revela o segredo com simplicidade: paciência. “Procuro ter calma com tudo na vida”, afirma, como quem sabe que é nesse estado de espírito que mora a força.

Proibido reproduzir esse conteúdo sem a devida citação da fonte jornalística.

Receba notícias direto no seu celular, através dos nossos grupos. Escolha a sua opção:

WhatsApp

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui