Se a dedicação de Mario Rahn, o Marinho, 61 anos, pudesse caber em uma única frase, seria esta: “O futebol é como o ar que respiro.” E não é exagero. A paixão que pulsa desde a infância atravessou décadas, virou trabalho, se transformou em legado. Há 29 anos, ele fundou a Marinho Sports, loja especializada em artigos esportivos; e criou também o time de futebol de campo que leva o seu nome, uma história que nasceu no amor ao esporte e cresceu com a força da persistência.

Com brilho nos olhos de menino, Marinho conta que ainda hoje entra em campo. Às vezes no veterano, acima dos 47 anos; às vezes nos amistosos que reúnem talentos de todas as idades. A relação com a bola começou cedo, quando ele morava em frente ao antigo campo do Botafogo, no Bairro Wunderwald. Ali, bastava a aula terminar para que as crianças corressem ao gramado improvisado. “Saíamos da aula e já íamos jogar futebol”, recorda, num sorriso que entrega saudade.

Sonho
Como quase todos os meninos, ele sonhava em ser jogador de futebol. Porém, a família não o incentivou. “Meus pais diziam que futebol não era profissão. Até recebi alguns convites para jogar. Mas eles não deixaram”, conta. Os amigos têm opinião diferente e elogiam a sua performance em campo. Ele queria ser igual ao seu ídolo, o jogador do Botafogo, do Rio de Janeiro, Marinho Chagas.

Sem apoio para seguir no futebol, começou a vida profissional como chapista na Impressora Mayer, no fim dos anos 70. Logo depois, foi convidado a trabalhar no departamento de exportação da Porcelana Schmidt, convite que escondia uma motivação paralela: reforçar o time da empresa. Funcionou.

Vitórias
A equipe disputou diversos campeonatos promovidos pelo Sesi. Em 1984 foram campeões no futsal e, em1985, no Society suíço. Nos anos de 86 a 88 sagraram-se tricampeões no futebol de campo. Ficaram em segundo lugar no Sul Brasileiro do Sesi, em Curitiba.

Antes de fundar o Marinho Sports, juntamente com o irmão Max, e os amigos Babalu, Leandro, Piá, Marinho, Gersinho e Mauro, jogou no Vasquinho – Vasco da Gama do Wunderwald, Botafogo do Wunderwald, Floresta, Atlético Itoupava, Caramuru, Vera Cruz, Cruz de Malta de Jaraguá do Sul, 25 de Julho e João Pessoa de Jaraguá do Sul/Schroeder. Logo o Marinho Sports recebeu reforços de outros amigos. Os amigos também criaram o time do América, no qual o técnico, Nilton Muller (Nico), era amigo deles.

Por isso, acabou recebendo alguns convites para jogar em times regionais. Mas já estava casado e com o filho Marlon, por isso preferiu manter o futebol como hobby, jamais como obrigação.

Pausas forçadas
A trajetória também foi marcada por pausas forçadas. Em 1994, uma cirurgia no joelho o tirou dos gramados por oito meses. Em 2008, um tumor maligno na cabeça exigiu nova batalha: cirurgia, 32 sessões de radioterapia e seis de quimioterapia. Essa batalha foi mais complicada porque o tumor tinha grau 4 de malignidade.
Voltou para casa sem memória, precisando reaprender a escrever e a realizar atividades simples. A loja só se manteve aberta graças ao apoio dos amigos. Como ele teve algumas convulsões, os médicos recomendaram que nunca mais jogasse futebol. “Não tem como ficar sem jogar. Então tomo meus cuidados.”

Agachados: Leandro, Ricardinho, Marinho e Arão. Foto: Arquivo Pessoal
Gratidão
Marinho conta que tem muita gratidão até hoje por todas as pessoas que fizeram parte do seu processo de cura. Entre tantas nomes, destaque para o neurocirurgião, Leandro José Hass, a médica Natasha, a oncologista Liziane, ao Hospital Santa Isabel, a sua esposa, sua fiel escudeira, Roseli, aos diversos amigos e a todas as pessoas que oraram pela sua recuperação.
“A previsão era de seis meses a um ano de vida. Já completei 17 anos de vida depois da cirurgia. A oração, aliada a competência dos médicos e ao amor dos que nos querem bem, tem um poder extraordinário. Todos os dias agradeço a Deus pela vida e a saúde”, enfatiza. Há dois anos, outro golpe deixou Marinho triste: a morte do irmão Max para um câncer de pâncreas. “Estávamos sempre juntos nas competições”, lamenta.

Mesmo com todas as provas que a vida lhe apresentou, Marinho continua com uma fé inabalável. E, com muito amor, segue incentivando outras pessoas, especialmente os jovens, a encontrarem no esporte o que ele encontrou para a vida inteira: disciplina, pertencimento, força. “O esporte ajuda na formação de caráter e tira muitos jovens das drogas”, afirma. Para Marinho, o futebol nunca foi apenas um jogo. Foi ponte, foi cura, foi destino. E continua sendo, como o ar que ele respira.

































Desejo tudo de bom ao Marinho, somos praticamente da mesma idade e jogamos contra na maioria das vezes, no entanto o Marinho foi uma referencia no futebol pomerodense. Longa vida a ele e as pessoas que são referencias do bem.