A prova do serrador, uma das atrações mais aguardadas da Festa Pomerana e de outros eventos típicos, vai muito além de um simples corte preciso sobre a madeira. Em Pomerode, a competição é tratada com a seriedade de um esporte e o respeito de um ritual cultural, conectando gerações por meio da força, da técnica e da cooperação. Foi nesse cenário que Eduarda Barth e Osny Krüger conquistaram o título da categoria serrador misto, presente pela primeira vez na 41ª edição da festa, transformando tradição em vitória esportiva.

A trajetória de Osny com a prova se confunde com a própria história da Festa Pomerana. Sócio de clubes desde a infância, influenciado pelos pais, ele cresceu frequentando o evento e absorvendo o espírito comunitário que envolve a celebração. “Praticamente todos os anos eu estava aqui”, relembra. Embora nem sempre como competidor, a ligação com o serrador se fortaleceu a partir de 2020, quando passou a participar com mais frequência. Desde então, a prova deixou de ser apenas uma lembrança cultural e passou a ocupar o espaço de desafio esportivo, no qual cada segundo e cada movimento contam.
Do outro lado da serra, Eduarda traz uma relação mais recente, mas igualmente intensa. Morando em Pomerode há quase nove anos, ela sempre participou da Festa Pomerana, mas foi apenas no ano passado que começou a serrar, incentivada por amigos e pelo ambiente competitivo. Inicialmente, disputou provas femininas e mistas (essa não possuía final ou premiação). A experiência serviu como aprendizado. Em 2026, o cenário mudou: além do título no misto ao lado de Osny, Eduarda também sagrou-se campeã na categoria feminina, com Yasmin Piske.

O treinamento da dupla vencedora no misto reflete a essência da prova: simplicidade, repetição e sintonia. Nada de treinamento contínuo. Os treinos aconteceram ali mesmo, no local da competição, em poucas sessões, mas suficientes para alinhar ritmo, força e comunicação. Serraram juntos apenas três vezes antes da final, lapidando detalhes que fazem diferença quando a serra entra em ação. Durante a prova decisiva, um pequeno susto: a serra saiu do corte por um instante. Em uma modalidade em que frações de segundo podem decidir o resultado, o erro trouxe apreensão imediata. A recuperação rápida, porém, mostrou maturidade competitiva.
A reação ao anúncio do título foi marcada pela surpresa. A dupla sabia que o deslize poderia custar caro no cronômetro. Quando o resultado confirmou a vitória, veio a sensação de recompensa. Para Osny, foi um marco pessoal: depois de um segundo lugar no masculino, finalmente o primeiro título. Para Eduarda, a consagração de um ano de evolução e de um caminho que une sua vivência esportiva, já que ela é atleta do atletismo, na prova de arremesso de peso, com uma tradição cultural local.
É justamente nesse ponto que a prova do serrador se afirma como esporte. Exige força física, resistência, coordenação, técnica e trabalho em dupla. Mas, ao mesmo tempo, carrega um simbolismo profundo, herdado da colonização pomerana e do cotidiano dos antepassados que moldaram a região. Na Festa Pomerana, competir é também preservar. Cada corte na madeira ecoa histórias antigas, agora reinterpretadas sob o olhar da competição moderna.
A conquista de Eduarda e Osny mostra que tradição não é algo estático. Ela se renova quando encontra novas gerações dispostas a transformá-la em desafio esportivo, sem perder o respeito às origens.
































