Sete anos após transplante, uma história de fé, superação e propósito

Após enfrentar falência renal e hemodiálise, Daiane Cristina de Lima celebra vida nova e se dedica ao cuidado de idosos

Em 2018, a vida de Daiane Cristina de Lima mudou radicalmente. Após crises de pressão alta e dores de cabeça, exames revelaram alterações graves nos rins. “O médico me disse que eu estava entrando em falência renal. Ouvir que precisaria de um transplante foi devastador, porque eu tinha dois filhos pequenos, a Gabriela e o Gregori, que precisavam de mim”, relembra.

Daiane precisou passar por um procedimento cirúrgico e, em fevereiro, iniciou a hemodiálise. As sessões eram realizadas em Timbó, três vezes por semana. “Nos primeiros meses eu passava muito mal, vomitava direto, tinha pressão baixa. Não foi fácil, mas depois a gente acaba se acostumando”, conta.

O telefonema que mudou tudo

Em janeiro de 2019, após 11 meses de hemodiálise, Daiane recebeu a ligação que esperava. “Era um domingo à tarde, eu e meu marido, o Wolfgang, aproveitávamos o fim do dia. A gente estava roçando a grama quando o telefone tocou. Era do Hospital Santa Isabel e me disseram que havia um rim compatível. Naquela hora eu nem sabia o que responder.”

Foto: Arquivo pessoal

No dia 7 de janeiro, às 7h da manhã, Daiane foi submetida ao transplante. “Quando acordei da cirurgia já passava das 13h. Graças a Deus, tinha dado tudo certo.”

Recuperação e apoio da família

Segundo Daiane, a recuperação foi rápida. Ela ficou dez dias internada e, em quatro meses, já estava de volta ao trabalho. “Sempre tive o apoio da minha família, em especial do meu marido, que queria ser meu doador desde o início, mas não pôde por termos filhos pequenos. Ninguém vence sozinho.”

Sete anos após o transplante, Daiane mantém sua rotina de acompanhamento médico, com consultas a cada dois meses, e encara com serenidade os efeitos da medicação. Sua voz carrega a lucidez de quem conhece o caminho: “Eu sei que o rim não vai durar para sempre, mas estou preparada caso precise voltar àquela rotina novamente”.

Uma nova vocação

Durante o tratamento, Daiane se aproximou dos idosos que também realizavam hemodiálise. “Eu era uma das mais jovens e me apeguei demais aos idosos. Isso despertou em mim o desejo de cuidar deles.”

Ela fez curso de cuidadora e já atua há seis anos na área. “Antes eu trabalhava em empresa, mas hoje sinto que encontrei meu propósito.”

A trajetória de Daiane é marcada por fé, resiliência e gratidão. Mais do que superar uma doença, ela encontrou um novo propósito de vida e, por isso, deixa uma mensagem poderosa. “Você só dá valor quando é você ali. Ser doador de órgãos é transformar o fim em um novo começo. Uma única decisão pode salvar vidas.”

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