Tal filha, tal pai: como Kamile transformou sua paixão pela dança em um legado familiar

Dançarina do Grupo Folclórico Alpen Bach, ela levou o pai, a mãe e o namorado para fazer parte da tradição

Tradição é uma palavra que ecoa por toda Pomerode. Ela se revela nos sabores da culinária, nos traços da arquitetura e nos costumes de quem nasceu aqui. Ao falar dos grupos de dança alemã, então, a tradição deixa de ser apenas um conceito e passa a nortear o dia a dia de todos que fazem parte desses movimentos tão importantes, que garantem que a história seja lembrada e celebrada.

Quem permeia toda essa tradição e cultura são as pessoas. E nesta matéria especial vamos falar de duas delas. Integrantes do Grupo Folclórico Alpen Bach, eles são mais que parceiros: são pai e filha. Ademar Meier Junior, de 45 anos e Kamile Vitória Meier, de 16, vestem os trajes típicos, ensaiam cada passo e levam a dança germânica ao público que ama ver os movimentos ao vivo.

É natural que avós e pais passem a tradição da dança para as próximas gerações, mas no caso dessa dupla foi ao contrário: foi Kamile quem entrou primeiro no grupo folclórico aos oito anos. Ela foi rainha mirim do Clube Primavera e depois veio o convite para integrar o grupo de dança. Foi apenas em 2022, após a pandemia, que ela trouxe o pai para o palco.
Com a entrada de Ademar no Alpen Bach, a família foi se envolvendo ainda mais. A mãe de Kamile, Marli Meier, de 50 anos, assumiu a presidência do grupo, e, mais recentemente, quando a jovem começou a namorar, colocou o namorado Kevin Scheiwe, de 17 anos, para dançar também. Assim, a tradição passou a unir gerações e fortalecer ainda mais os laços familiares.

A dança que embeleza por onde passa: o giro é um dos passos mais complexos, mas também um dos mais bonitos da coreografia. Foto: Daniel Zimmermann/Testo Notícias

Mas os passos do Alpen Bach não ficam restritos a Pomerode. O grupo já levou a cultura germânica para eventos como Schützenfest, Fecarroz, Fenarreco, Oktoberfest e, claro, a Festa Pomerana. O evento se tornou ainda mais especial para Kamile, que participou do desfile pela primeira vez em 2020.

Para ela, fazer parte do grupo vai muito além de dançar. “Quando eu entrei, ainda tinha uma política mais complicada para ganhar o traje, pois o traje a gente não paga, a gente ganha do grupo”, conta. Hoje, ela possui o traje longo, usado nos desfiles da Festa Pomerana, e também o traje curto. Um símbolo de pertencimento e orgulho por representar a cultura germânica.

Ademar explica que o grupo faz questão de estar presente sempre que possível: “aonde a gente recebe convite, a gente tenta ir. Se conseguimos juntar quatro ou cinco casais, vamos.” Essa disposição ajuda a manter viva a tradição e levá-la a diferentes públicos.
Sobre os ensaios, Kamile revela que, no início, tudo parece mais difícil. “Quando a gente entra no grupo, tem um receio maior. Mas com o tempo, a dança se torna natural e tudo fica mais fácil”. O grupo tem mais de 12 coreografias e as apresentadas na Festa Pomerana são sempre mais especiais.

A filha também revela quais são seus passos favoritos: “eu gosto muito de girar, porque é o que traz a beleza para as nossas danças. Abrir as três pontas é um passo que eu amo. Mas a dança do barril é bem legal: tem o sapateado dos meninos, o giro das meninas e a gente levanta o barril”.

Na fase de preparação da Festa Pomerana, os ensaios são intensificados, e o grupo não aceita novos integrantes entre dezembro e janeiro. Depois da festa, tudo volta ao normal, com ensaios quinzenais aos domingos, no Clube de Caça e Tiro Alto Rio do Testo – Salão Belz, em Testo Alto.

Durante todo esse tempo, pai e filha nunca pensaram em desistir do grupo, sempre firmes e fortes no propósito. “Eu amo muito o que faço, tanto que o lema do grupo é ‘Paixão Pela Dança’”, declara Kamile.

Sobre o sentimento de pai ao ver a filha dançando, Ademar diz ser de muita felicidade, pela filha viver essa tradição. Sobre os momentos mais desafiadores do grupo ele afirma que a dificuldade maior foi na pandemia. “Pois ela dançava no infantil, onde havia apenas dois casais, que depois foram para a categoria adulta. Nessa época ela começou a aprender as danças da nova categoria, que são passos mais complexos.”

Kamile acredita que manter viva a tradição dos grupos folclóricos é um desafio, mas também uma missão. “A gente sabe o quanto é difícil as pessoas buscarem essa cultura hoje em dia. Por isso, ter o infantil e pessoas que apoiam é muito importante.”

Pensando no futuro, ela não tem dúvidas: se um dia tiver filhos, quer que eles também vivam essa experiência. Além de professora de inglês, Kamile iniciou o curso de alemão para ajudar a preservar a cultura que tanto ama. “Sou muito apaixonada por isso e quero passar adiante.”

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