Nascida em 9 de agosto de 1983, em Jaraguá do Sul, Areli Krüger cresceu no bairro Rio da Luz, o “Oba Luz”, como ela mesma brinca, cercada pela simplicidade da vida rural e pelo sotaque alemão que ecoava nas casas vizinhas. “Sou a caçula de quatro irmãos. Minha família era simples, humilde, mas sempre muito unida”, relembra.

O nome “Areli”, incomum, tornou-se para ela um símbolo de identidade e missão: “Foi por esse nome que Deus me chamou, me restaurou, me vocacionou e tem me conduzido em minha caminhada ministerial.”
O despertar da vocação
Até os 33 anos, Areli não imaginava estar à frente de uma igreja. Trabalhou por 11 anos em uma empresa têxtil de Jaraguá do Sul e criava seu filho, Erick Felipe Hoffmann. “Vivi um divórcio, enfrentei situações difíceis, e foi nesse momento que a fé voltou a ocupar um lugar central em minha vida”, conta.
O despertar da vocação aconteceu dentro da comunidade luterana local, onde foi acolhida pela pastora Marli Hellwig. “Ela me ouviu, me apoiou, me ajudou a enxergar que Deus tinha um propósito para mim, mesmo diante das minhas dúvidas e inseguranças”, lembra Areli.
Discernimento e coragem para mudar
Entre 2012 e 2016, Areli viveu um período de perguntas e angústias. “Eu tinha medo, pensava na minha idade, no meu filho, nas dificuldades que enfrentaria como mulher e mãe”, confessa.
Mas a comunidade a encorajou. “Vi pastoras sendo ordenadas, ouvi suas histórias de perseverança e percebi que Deus também podia me usar.”

Em 2016, tomou a decisão mais ousada de sua vida: deixar o emprego e a segurança familiar para cursar Teologia na Faculdade Luterana de Teologia, em São Bento do Sul. “Fui com meu filho de dez anos na época. Foi a primeira vez que saí de perto dos meus pais, que ficaram preocupados, mas confiaram em mim e em Deus”, relata.
Formação e intercâmbio na Alemanha
Durante a graduação, Areli teve a oportunidade de fazer intercâmbio na Alemanha, onde mergulhou na cultura e na língua alemã. “Lá, entendi ainda mais a importância de ouvir as pessoas em sua língua materna, de respeitar suas raízes e tradições. Isso me marcou profundamente.”
Formada em 2021, seguiu para um período de residência ministerial em Curitiba, sob a mentoria da pastora Iberini. “Foram 17 meses de aprendizado intenso, de desafios, mas também de muita alegria em servir”, diz.
Após avaliações e aprovações, foi ordenada em 2023 e enviada para Canoinhas, onde atuou por três anos.
O retorno às origens
Agora, em 2026, Areli retorna ao Vale do Itajaí para trabalhar junto à Paróquia São Lucas, em Pomerode. “Poder estar perto dos meus pais, que já estão idosos, e do meu filho, é um presente. É como voltar para casa, mas agora como pastora, como alguém que pode servir a comunidade que sempre fez parte da minha história”, emociona-se.
A paróquia que Areli assume é composta por quatro comunidades, marcadas pela herança alemã, pelo uso do plattdeutsch e pelo forte senso de pertencimento.

Planos para o ministério
Areli pretende dedicar-se a diferentes frentes de trabalho: crianças, jovens, casais, música e educação cristã contínua. “Meu coração pulsa pelo ministério infantil e pela juventude, porque sei como é importante manter a fé viva em todas as fases da vida”, afirma.
Ela também destaca a importância de acolher os idosos em sua língua e cultura: “Muitos só se sentem realmente compreendidos quando ouvem o alemão, quando participam de um culto na língua que aprenderam com seus pais e avós. Quero ser essa ponte, essa presença que escuta e acolhe.”
Uma missão de fé e acolhimento
Com sua chegada, a comunidade da Paróquia São Lucas ganha uma líder comprometida com a fidelidade ao Evangelho e com a missão de promover paz, reconciliação e acolhimento. “O que eu tenho no meu coração é acolher as pessoas diante das situações em que elas estão vivendo, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, e que através de mim Deus possa agir também na vida delas. Que eu não brilhe, mas que Ele brilhe.”
































