Uma sentença contundente da Justiça de Santa Catarina condenou um treinador de equipes amadoras de futebol a 65 anos de reclusão e mais oito anos e seis meses de detenção. A decisão é resultado de uma série de crimes de cunho sexual, aliciamento e perseguição cometidos contra atletas adolescentes em uma cidade do Oeste do Estado entre os anos de 2023 e 2024.
O réu, que teve a prisão preventiva mantida devido à gravidade e reiteração das condutas, atuava em uma escolinha de futebol, utilizando o esporte como fachada para conquistar a confiança de famílias e jovens de 10 a 14 anos.
O ciclo de manipulação e presentes
De acordo com os autos do processo, o treinador estabelecia um vínculo de dependência com os alunos através de benefícios materiais. A denúncia detalha que ele presenteava os meninos com:
- Chuteiras e roupas esportivas;
- Aparelhos celulares;
- Dinheiro, lanches e passeios.
Essas regalias eram usadas como ferramentas de controle psicológico. No campo, o técnico prometia posições de destaque, como a faixa de capitão, para garantir que os jovens mantivessem silêncio sobre os abusos.
Locais afastados e chantagem emocional
Os relatos das vítimas descrevem um padrão sombrio: o técnico levava os adolescentes de moto para locais isolados, onde ocorriam os atos libidinosos. O processo traz depoimentos emocionados de pais e responsáveis que notaram mudanças drásticas no comportamento dos filhos, como isolamento, crises de choro e medo repentino de frequentar os treinos.
Além dos abusos físicos, o homem foi condenado por perseguir um dos jovens com mensagens insistentes e chantagens, chegando a prometer um computador e uma moto para que o contato não fosse interrompido. A investigação também comprovou, via análise pericial em celulares, o envio de pornografia infantil em grupos de WhatsApp que contavam com a presença de menores.
Reparação e Segredo de Justiça
Além da privação de liberdade, a sentença determinou que o condenado pague indenizações por danos morais às vítimas, com valores que variam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil para cada caso, conforme a extensão do dano.
O processo tramita em segredo de justiça para preservar a identidade e a intimidade das vítimas. Cabe recurso da decisão ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
































