Entre treinos e competições internacionais, jovem de Pomerode constrói carreira no tênis

Bernardo começou a competir aos nove anos e hoje soma títulos, experiência no exterior e aprendizado sobre disciplina e superação

Aos 14 anos, o pomerodense Bernardo Lenzi já carrega na bagagem títulos internacionais, vice-campeonatos brasileiros e uma rotina intensa de treinos. Estudante do nono ano do Colégio Doutor Blumenau, ele leva o tênis com a seriedade de um atleta profissional.

O primeiro contato com o esporte veio ainda na infância, dentro de casa. “Eu comecei a jogar tênis através do meu pai. Quando era criança, via ele jogando, ele me chamou pra jogar, eu gostei do esporte e fui continuando”, relembra. O que começou como uma brincadeira virou compromisso. Primeiro, um treino por semana. Depois dois, três. Até que surgiu um objetivo maior e, com ele, as competições.

Determinação: Nenhum campeão se forma sozinho. Entre um set e outro, o treinador Carlo Wachholz ensina que a insistência supera o nervosismo. Foto: Arquivo pessoal

Bernardo começou a competir aos nove anos e, desde então, não parou mais. A mais recente disputa foi em Punta del Este, no Uruguai. Para chegar aos campeonatos sul-americanos, ele explica que é preciso somar pontos em etapas classificatórias. “As pessoas que mais têm pontos conseguem entrar nesse sul-americano”, diz. As competições são divididas em categorias que vão do Cossat G4, considerado o mais fraco, até o G1, o mais forte. O caminho é gradual: inicia-se no G4, acumulando pontos até alcançar níveis mais altos.

Ele também já foi três vezes vice-campeão brasileiro e soma cinco títulos estaduais em Santa Catarina, na sua categoria. O momento mais marcante, segundo ele, foi justamente a primeira conquista fora do país: “foi o primeiro campeonato que ganhei fora do país e o primeiro sul-americano. Ganhar um torneio internacional é bem difícil”, afirma. Para o jovem atleta, a vitória internacional simboliza evolução e amadurecimento dentro do esporte.

Se hoje ele entra em quadra com mais naturalidade, nem sempre foi assim. No início, o nervosismo era intenso: “eu ficava muito nervoso antes do jogo, tipo, de chorar”, recorda. Com o passar dos anos, a experiência trouxe maturidade. Ainda sente o frio na barriga, especialmente nas primeiras partidas de cada competição, mas aprendeu a lidar melhor com a pressão.

Foto: Arquivo Pessoal

Em relação às lesões, Bernardo afirma nunca ter enfrentado nada grave no tênis. Já precisou ficar uma ou duas semanas afastado por dores na lombar e no cotovelo, mas nunca ficou parado por longos períodos. Também reconhece que há momentos difíceis, como sequências de jogos ruins ou semanas de treino desanimadoras. Ainda assim, garante que nunca pensou em desistir. “Às vezes a gente perde, às vezes a gente ganha. Quando perde, fica mais triste, mas fui acostumando a conseguir lidar com a derrota ao longo do tempo”, diz.

A rotina de treinos é intensa. De segunda a sexta-feira, ele treina diariamente, das 13h30min às 14h30min. A preparação inclui ainda fisioterapia, nutrição e academia. Apesar da dedicação ao esporte individual, Bernardo faz questão de praticar outras modalidades. Joga futebol, vôlei, handebol e tênis de mesa, e participa dos campeonatos estudantis de Pomerode, representando a escola. Ele destaca que gosta especialmente dos esportes coletivos pela convivência com os amigos, algo diferente da dinâmica individual do tênis.

Entre as principais lições aprendidas nas quadras, o adolescente cita o respeito e a amizade. Para ele, o tênis se diferencia por ser um esporte em que raramente há brigas. “Acaba o jogo, os dois se cumprimentam e tudo certo”, afirma. A competitividade existe, mas termina junto com a partida.

Como inspiração, Bernardo menciona o espanhol Rafael Nadal. Embora diga não ter um ídolo específico, admira a postura do atleta. “É um cara que tem muita vontade de vencer. É muito raro você ver um jogo dele desistindo ou quebrando uma raquete”, comenta. O jovem costuma acompanhar grandes torneios pela televisão e já teve a oportunidade de assistir presencialmente ao Rio Open, no Rio de Janeiro, única competição profissional que assistiu de perto até agora.

Para quem pensa em começar no esporte, ele deixa um recado sincero: o tênis é difícil. “Olhando de fora, parece ser fácil. Só batendo uma bolinha. Mas aí você entra nas aulas e percebe que é muita coisa além de um movimento de braço”, explica. Segundo Bernardo, muitos desistem no início justamente por essa dificuldade. Ainda assim, garante que vale a pena insistir. “Se você for treinando, vai pegar o gosto e embalar. É um esporte bem divertido.”

Entre treinos, estudos e competições internacionais, Bernardo segue construindo sua trajetória no tênis com disciplina e entusiasmo, sempre lembrando que, acima das vitórias, ficam o respeito e as amizades conquistadas dentro de quadra.

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