Entre a raiz e o rumo: o MDB que Pomerode observa

A decisão do deputado estadual Jerry Comper de permanecer no MDB diz muito mais do que parece à primeira vista. Em meio às especulações de mudança para o PL, o gesto foi apresentado como uma escolha de história, de princípios e até de coração. Mas, para quem acompanha a política regional — e especialmente em cidades como Pomerode —, a leitura vai além da emoção.

O MDB de Santa Catarina vive um daqueles momentos clássicos de encruzilhada. De um lado, lideranças que defendem alinhamento com o governador Jorginho Mello. De outro, um movimento puxado por João Rodrigues, com apoio declarado do presidente estadual Carlos Chiodini. No meio disso tudo, deputados tentando equilibrar base eleitoral, coerência política e sobrevivência partidária.

E é justamente aí que Pomerode entra nessa história.

A política local, historicamente organizada e muito conectada às lideranças regionais, observa com atenção esses movimentos. O MDB sempre teve presença relevante na região, seja por meio de prefeitos, vereadores ou articulações que chegam até as comunidades. Quando um deputado como Comper decide ficar, ele não está apenas falando de si, mas também sinalizando para essas bases que ainda existe espaço para diálogo dentro da sigla — mesmo em meio ao ruído.

Mas não dá para ignorar o que está nas entrelinhas: o partido está rachado. E isso, cedo ou tarde, respinga nos municípios. Em cidades menores, onde a política é mais próxima e pessoal, essas divisões partidárias costumam se traduzir em desconforto, reposicionamentos e, muitas vezes, em alianças inesperadas.

A fala de que decisões não são tomadas apenas com a razão pode soar bonita, mas, na prática, a política exige cálculo. Permanecer no MDB hoje é, também, apostar em qual grupo terá mais força até 2026. E essa conta ainda está longe de fechar.

Para Pomerode, o recado é claro: o cenário estadual está em ebulição, e isso deve impactar diretamente as articulações locais nos próximos anos. Lideranças municipais vão precisar, mais do que nunca, escolher lados — ou aprender a conviver com as diferenças dentro do mesmo partido.

No fim das contas, a decisão de Comper não encerra o assunto. Pelo contrário. Ela escancara um MDB que tenta, ao mesmo tempo, preservar suas raízes e definir para onde quer ir. E, como sempre, quem vive a política no dia a dia — inclusive aqui na nossa região — sabe que esse tipo de momento é só o começo de movimentos maiores que que ainda estão por vir.

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