Na Rota do Enxaimel, em Pomerode, a aposentada Marli Jandre, 62 anos, mantém viva uma tradição que torna a Páscoa ainda mais especial. Foi a mãe quem lhe ensinou os primeiros pontos de crochê, ainda na infância. “Eu só aprendi a fazer correntinha”, relembra, contando que depois uma amiga a ensinou novos pontinhos. Apesar de nunca ter feito peças grandes, como tapetes, o crochê sempre esteve presente em sua vida. Agora, ele ganha destaque nas delicadas bolsinhas que produz para embalar casquinhas de ovos pintados que embelezam a Osterbaum da Rota do Enxaimel.
A ideia das cestinhas surgiu em novembro do ano passado, quando Marli decidiu contribuir com a árvore comunitária de Páscoa. “Primeiro, eu falei assim: não sei, eu não sou criativa”. Depois de pensar bastante, a inspiração veio de repente, numa noite quando fez os primeiros testes. “Fiz uma de lã e uma de barbante que eu tinha em casa”, conta, explicando que preferiu a lã porque “a cor é mais viva” e o material estica mais, deixando a peça mais bonita.
Embora seja a primeira vez que produz as cestinhas para a Osterbaum, a tradição da Páscoa sempre fez parte da sua história. Desde criança, ela ajudava a montar o ninho para o coelho no jardim. “Eu me lembro que meu pai sempre me carregava e procurava comigo o ninho”, diz, emocionada ao recordar as memórias que faziam esse dia santo tão especial.
Com os filhos, Marli repetiu o costume. Dias antes da Páscoa, eles preparavam o ninho do lado de fora, enfeitado com flores. Para ela, a data sempre foi marcada por respeito e silêncio. “Na minha época, não podia ouvir música alta na Sexta-feira Santa. Era um dia sagrado”, afirma, ressaltando que os filhos aprenderam a manter esse significado.

Hoje, a tradição também é compartilhada com o neto de 10 anos, que já demonstrou interesse em aprender crochê. “Ele queria porque queria aprender”, conta, embora admita que ensinar exige paciência e habilidade manual. Neste ano, ela pintou mais de 60 casquinhas, todas assinadas, para pendurar na Osterbaum de casa. Pretende levar o neto para ajudar a montar o ninho e pendurar os enfeites, fortalecendo os laços familiares em torno da celebração.
Após a Páscoa, tudo é cuidadosamente guardado para o ano seguinte. “Eu guardo tudo”, garante, mostrando coelhos que já enfeitam a casa pela terceira vez. Para Marli, participar desse momento é motivo de alegria e também de humildade. Mais do que a beleza das peças, ela destaca o sentido da data: “Não é só o bonito. Tem que pensar no que realmente significa a Páscoa”, declara.
Na Sexta-feira Santa, ela prefere o recolhimento. Confessa que não consegue assistir aos filmes sobre a crucificação. “Eu me sinto mãe, ver um filho sofrer. Isso me dói muito”, revela. No Domingo de Páscoa, a família vai à missa pela manhã e depois se reúne em casa. Os netos procuram as cestas escondidas no jardim, entre risadas e chocolate. “Pra mim, é um dia mais de família reunida e de alegria”, resume.
Moradora de um dos pontos mais tradicionais da cidade, a Rota do Enxaimel, Marli diz rezar todos os dias por Pomerode. Sente-se abençoada por viver em um lugar tranquilo, que preserva costumes e recebe turistas com hospitalidade. Em sua casa, onde também há hospedagem, visitantes costumam sair dizendo que querem voltar ou até morar na cidade. Para ela, manter viva a tradição da Páscoa, com suas cestinhas de crochê e ninhos floridos, é uma forma de agradecer e perpetuar aquilo que aprendeu em família.
































