Uma tradição centenária ganhou um significado ainda maior na famosa Casa da Família Radünz, na Rota do Enxaimel. A Osterbaum montada neste ano não chama atenção apenas pelas cores e delicadeza, mas pela história que carrega em cada detalhe. A árvore foi criada por Tânia Utpadel Viebrantz, de 37 anos, que decidiu transformar o símbolo da Páscoa em uma verdadeira árvore genealógica da família.
A estrutura reúne seis gerações, desde os imigrantes alemães que deram origem à família até as crianças mais novas. Segundo Tânia, a ideia surgiu após uma reunião sobre o concurso de Osterbaum da rota turística. “Naquela noite me veio a ideia de fazer algo diferente, de trazer uma homenagem a todos aqueles que já passaram pela família Radünz e contribuíram com a nossa história”, conta.

Para dar vida ao projeto, foi necessário um intenso trabalho de pesquisa e produção. Parte das informações já estava documentada, mas alguns detalhes ainda precisaram ser levantados. Em cerca de uma semana, entre pesquisa e execução, a árvore ganhou forma. Ao todo, foram utilizadas aproximadamente 500 casquinhas de ovos naturais, cada uma identificada com o nome de um integrante da família. “Foi uma semana e muitas noites mal dormidas”, relembra.
As casquinhas utilizadas não vieram apenas da propriedade. A comunidade também contribuiu para que o projeto fosse possível. Cada peça recebeu uma identificação e um acabamento artesanal, com pequenos detalhes aplicados manualmente.
O resultado tem surpreendido visitantes. De longe, a Osterbaum chama atenção pelas cores vibrantes. De perto, revela nomes e histórias que despertam a curiosidade. “Os turistas começam a perguntar quem são as pessoas. Quando explico que é uma árvore de gerações, desde o imigrante alemão até os mais pequenos, eles ficam encantados. Muitos dizem que nunca viram algo assim”, afirma Tânia.

Além do impacto visual, a iniciativa também ajuda a resgatar o verdadeiro significado da tradição. Segundo ela, muitos visitantes desconhecem o simbolismo da Osterbaum, que vai além da decoração e representa renovação, vida e continuidade.
A relação da família com a tradição vem desde a infância. Tânia relembra que, quando criança, já participava da pintura das casquinhas ao lado do pai. “A gente usava tintas automotivas da oficina dele, misturava tudo com água e mergulhava os ovinhos. Isso sempre fez parte da nossa história”, conta.
Hoje, a montagem da Osterbaum já se tornou um costume consolidado na propriedade, sendo realizada há cinco anos. Neste ano, no entanto, a tradição ganhou um novo significado: preservar a memória, valorizar as raízes e contar, de forma criativa, a trajetória da família Radünz ao longo das gerações.
































