Os amigos e a vida
Desculpe-me mas não vou ser gracioso: quem tem amigo não se “destrói”. Já conto o fato. Antes, preciso dizer que tenho um arquivo temático, assuntos de toda sorte, você já sabe disso. Nesse meu arquivo, o assunto que for lá estará ele em inesgotáveis histórias, fatos, reportagens, de tudo. Esse meu arquivo me tem sido muito valioso em palestras e trabalhos jornalísticos ao longo do tempo.
Tenho, por exemplo, o registro de inúmeros suicídios de celebridades, pessoas jovens, mais das vezes, ricas e muito famosas, pessoas que viveram o seu tempo cercadas de multidões histéricas, mas… Solitárias de amigos. E essas celebridades de que falo mataram-se.
Ora, será que quem tem de fato um amigo, amiga, vai se destruir? Não vai. Quem tem amigo procura pelo amigo na hora da corda existencial no pescoço, e esse amigo, ele ou ela, vai ser a salvação do corpo e da alma dessa pessoa angustiada, o difícil é encontrar e ter essa pessoa na vida. Raríssimos a têm.
O fato de que falei é dos últimos dias. Uma mulher, relativamente jovem, muito bem-sucedida na vida profissional, sem problemas financeiros, com passaportes carimbados nos aeroportos do mundo, dinheiro no banco… Matou-se. Surpresa entre muitos dos seus “amigos”. Não, amigos ela não tinha. Quem tem amigos, amigo, melhor dito, não se mata; desabafa, é ouvido, se conforta e segue a vida, o amigo deu-lhe ouvidos, ombro para o desabafo, braços para o abraço e coração para a compreensão…
Confundimos hoje conhecidos com amigos. Amigo é aquele que chega antes dos bombeiros à nossa casa quando a sabe em chamas… Amigo nos lê nossos lábios fechados, na nossa cara dissimulada, nossas inquietações, nos lê, enfim, na energia trêmula que passamos quando sofremos e não falamos…
Maior parte desse rebanho que anda pelas esquinas, rebanho humano sem identidade de caráter, gente de todas as classes sociais, de todas, o que busca nos possíveis “amigos” é referências bancárias, bens e ostentações que nada significam senão mentiras sociais da sociedade capitalista… Um pobre honesto, bom, pessoa a valer a pena é desprezado, afinal, é um joão-ninguém para a gentalha que domina a sociedade.
Como não haver cada vez mais “loucos”, ansiosos, depressivos e transtornados de todo tipo se o que mais vemos é gente nos mentido… E nós, por que não, mentido para os outros?
Eu a conhecia bem, a suicida. Mas não estava na sua lista de “amigos”…
FRASE
Diz num jornal um psiquiatra americano, Allen Frances, da Universidade de Duke, Carolina do Norte: – “Gastamos muito dinheiro para tratar pessoas normais”. O que ele quis dizer? Eu respondo: – As pessoas que andam por aí, dopadas contra a ansiedade, estresses e depressão, não têm nada, tem, isso sim, é medo das circunstâncias da vida, é covardia existencial. Claro, os laboratórios internacionais sabem disso e jogam no mercado cada vez mais comprimidos “mágicos” para os frouxos da vida. Frouxos, eu disse.
AMIGO
Fui duro, grosso, ao chamar muitos de frouxos, covardes existenciais? Só os amigos fazem isso. Dói, fere mas… faz-nos “acordar” e a enfrentar o que não é tão difícil assim… De outro modo, fica: – Ah, pobrezinho, coitadinha, que pena, como sofre… Nada. É preciso a boa e santa pancada para que, não raro, acordemos, pelos menos as pessoas que razoavelmente valem a pena. As outras, diachos, se enterraram vivas…
FALTA DIZER
Vamos repetir a lição? Você sabe que a repetição é a mãe do aprendizado… Então, lá vai, repetição: – “A verdade é um remédio muito amargo, mas é o único que nos confere saúde moral”. Moral e física.
































