Coluna do Prates – fim de semana

O galho certo     

Nunca esqueci uma frase que ouvi num filme brasileiro, faz tempo. O nome do filme? Se não me engano, Uma Rosa para Luísa. Começa com um sujeito de chapéu, terno e gravata, caminhando à noite por uma calçada, acendendo um cigarro e murmurando: – “Vida de merda”! Nunca esqueci.

Quantos e quantos repetem isso a si mesmos? A questão, todavia, é que a nossa vida, boa ou má, tem apenas um autor: nós. Ninguém tem nada a ver com a nossa vida… – “Ah, mas o meu pai, a minha mãe; ah, mas as minhas circunstâncias; ah, mas a minha falta de sorte”…  Passamos pela vida arrumando desculpas.

Acabei de ler um amarelado pedaço de jornal que de há muito recortei e guardei, estava na minha caixa de sapatos, você sabe… Um pedaço de jornal “atualíssimo”… Dizia assim, a certa altura:

– “Como pode o sujeito de reduzida agudeza mental pedir aos deuses que lhe deem uma posição de mando, uma gerência, uma direção de empresa? É um pedido impertinente que o sujeito faz precisamente por ser limitado, ter uma cabeça apoucada… (…) Um desejo só é passível de realização quando baseado em tendências, impulsos, habilidades, vocações, prontidões mais ou menos adormecidas no íntimo daquele que deseja…”.

É o que digo nas minhas palestras: “Os nossos desejos, sonhos, são perfeitamente realizáveis, posto que difíceis, não raro, muito difíceis, algumas vezes dificílimos, mas… realizáveis. Sonhar com o que está fora do nosso alcance é refinada estupidez, é caso até de internação psiquiátricas, a pessoa é insana. Precisamos, minimamente, nos conhecer.

Então, quando dizemos que nossa vida está uma merda a culpa é nossa. Temos imensas possibilidades de nos realizar em incontáveis ações na vida, mas precisamos saber delas e se elas servem para nós. O mais é estultícia.

E tem aquela coisa: nasci para ser um formidável cortador de grama, um jardineiro de mão-cheia, sinto isso em mim, mas… quero ser outra coisa, quero admirações e invejas da estúpida plateia da vida e aí vou para a universidade fazer alguma coisa que nada tem a ver comigo. O resultado disso será o sujeito passar pela vida dizendo que ela é uma merda…

A sabedoria popular tem razão: “Cada macaco no seu galho”. Quando o macaco está no seu galho está feliz. Nós não, queremos ser felizes em “outro galho”. Assim, a vida é mesmo uma merda. Nossa felicidade está “no galho certo”, é achá-lo. Aí estará a felicidade.

 

MAL

Vivemos dizendo – Ah, o fulano faz aquilo porque é ignorante! Há dois conceitos para “ignorante”, o primeiro é ignorar, a pessoa desconhece o fato; o outro conceito é o de estupidez: a pessoa sabe dos fatos e suas consequências e mesmo assim os faz… A isso se chama em Psicologia – Dissonância Cognitiva. Dito de modo mais claro: sei e mesmo assim faço. Estupidez pura. É como o médico que fuma, ele sabe dos danos do fumo à saúde mas nem aí… continua fumando. Esse é o mal da humanidade: a estupidez. Desça.

 

VOCÊ

Quantas coisas erradas você faz todos os dias, sabe que estão erradas, que não lhe fazem bem e continua a fazê-las? Isso quando não se promete não as fazer mais a partir “de amanhã”, não é verdade? De minha parte, acho que já desisti, cansei de promessas a mim mesmo. E comecei a renunciar a elas nas passagens de Ano-Novo…

 

FALTA DIZER

Cada macaco no seu galho? Mais que tudo, é achar o “galho” certo no amor. É o que menos acontece hoje, as pessoas estão casando com “equívocos”. E vivam os divórcios e as depressões!

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