Coluna do Prates – 16/05

Felicidade no trabalho

Dia destes, num encontro de gestores aqui em Santa Catarina, “especialistas” vieram falar sobre felicidade no trabalho. Santo Deus, foram “idílicos”, superficiais, não disseram nada que pudesse levar um pouco de clareza sobre felicidade no trabalho às cabeças menos arejadas. Foi um cirquinho.

Ninguém falou de números, estatísticas, pesquisas, “provas”, enfim, sobre a desesperada condição da maioria dos brasileiros em seus ambientes de trabalho. Ignoraram, por exemplo, que 78% dos que trabalham no Brasil são infelizes no que fazem. Um escândalo. São pessoas que nunca se objetivaram por uma carreira, por um sonho profissional, por algo que lhes fizesse bater mais forte o coração, são pessoas que só saem de casa pelo salário. E nesse caso, sabe-se, seja qual for o salário, a pessoa se sentirá sempre mal paga… Muito justo.

Ter objetivos, construir uma carreira, um nome, uma reputação, distinguir-se no fazer um trabalho por qualidade, engajamento, ética, amor… É para poucos.

E aí vêm “românticos” falar em salas de descanso na empresa, sessão de Yoga, sextas-feiras mais curtas, tolices e diversões… Muito bonito mas isso não motiva os sem ânimo profissional, isso só atrai os vadios, os que vivem olhando para o relógio para voltar para casa.

Ouça esta outra manchete: – “Sem qualificação e sem emprego”. São 82% da população brasileira. Horror. Mas isso não foi dito no encontro de gestores. Sem levar em consideração a falta de qualificação, como pensar em felicidade no trabalho? Ademais, temos que “casar” por amor com o nosso trabalho. Os apaixonados por seu trabalho buscam qualificação continuada, não se cansam por pouco, produzem mais e melhor e não vivem buscando distrações em salas de joguinhos eletrônicos, por exemplo.

E tenho esta outra pesquisa, do Diese/SP:- “Só 14% dos operários no País são qualificados.”… Nojo. Mas que fique claro: qualificação é de inteira responsabilidade nossa, de ninguém mais.

E o que dizer sobre dados da Isma, entidade que estuda o estresse, sobre os 5 milhões de brasileiros que sofrem de Estresse-Pós-Férias? O ordinário volta das férias deprimido, tem cabimento? Isso não foi discutido no encontro de gestores. É fácil falar romanticamente sobre felicidade no trabalho evitando tratar de questões que “poderiam” levar os vadios (maioria) ao constrangimento…

E para terminar esta conversa enjoada, outra manchete: – “Capital humano desafia crescimento brasileiro”. Capital humano são pessoas, o jornal foi elegante, devia ter dito – “Incompetentes, maioria, travam o Brasil”. Lástima, nada disso foi dito no encontro de gestores. Mas o cafezinho deve ter sido bom, aposto, afinal, todos foram lá para serem felizes.

 

REVERSO

Tudo bem que a maioria que anda por aí só quer salário, nada de comprometimentos, sonhos de carreira, esses “romantismos”, mas… Mas temos o outro lado: e os patrões usam da moeda da meritocracia com seus “subordinados”? Resposta enfática: Nunca. Exceções? Onde? Tratam a todos por iguais. Injustiça grave e estúpida. Quer dizer, tudo tem que vir de um lado só, o dos empregados.

 

BOMBA

É bom retocar a lembrança… Você pode se tornar uma “bomba”, no melhor sentido, sobre algum assunto ou vários lendo. Há livros para tudo, ler com vagar, atenção, sublinhando, pensando… leva a pessoa a uma poderosa força: a força do saber. Com isso, você vai calar muitos atrevidos e provocar encantamentos em muitos corações. Que tal? Digamos isso aos jovens.

 

FALTA DIZER

Os narradores de futebol têm muita culpa nisso, o resto fica com os clubes e federações. Jogadores de futebol com números ridículos: 33, 99, 28… e jogadores com nome e sobrenome, ah, vão aprender a jogar, pernas-de-pau. Pelé foi Pelé com quatro letras e a número 10…

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