Luiz Carlos Prates – 29/06

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Você sabe o que quer?

Pois é, a resposta parece fácil: Sim, claro que sei o que quero! Tudo bem, você diz isso, eu também digo, o amigo ali da esquina de igual modo, enfim, todos sabemos o que queremos. Será mesmo?

Quem me instigou a esta conversa, leitor (a), foi um colunista que acabei de ler, ele falava que não sabia o queria na vida e da vida. Fiquei pensando. Tenho a certeza do que quero, mas… Será mesmo? Quantas vezes sonhamos com algo, lutamos por esse algo e, quando a sorte nos bafeja, chegamos ao pote do desejo e… Bah, não era bem isso, pensei que fosse diferente, poxa, e agora? E sabes quando é que isso mais acontece, leitor? Claro que sabe, se já casou, se já teve namorados (as), casos, “experiências”, sabe muito bem que esse equívoco é muito frequente nos casos de “amor”. Quantos casos de amor começam incandescentes com o ardor da certeza e não muito depois o fogo vai se reduzindo, ficando fraco e… Não digo que se apague totalmente mas não era aquilo o que havíamos desejado. Queríamos uma fogueira e ficamos com um fósforo… Enfim, somos um caso incompleto, estamos sempre vendo e desejando a felicidade que está no lá e no então; lá, em outro lugar, e então, em outro momento. E felicidade, você sabe, só pode ser vivida aqui e agora, nunca lá e então… Sabemos o que queremos mas… Não temos muita certeza. Talvez seja por isso que depois de ler o cidadã/cronista escrevendo sobre não saber o que quer, dei muita atenção à página seguinte do jornal, onde havia uma enorme manchete: – “Cresce internação psiquiátrica por planos de saúde”.

A questão, séria, envolve os transtornos emocionais de pessoas de todas as classes, trabalhos e rendas, de médicos (metidos a sebo) à funções das mais simples, pessoas pirando e pirando… Pudera. Essas pessoas, garantidamente, não sabem o que querem. Quem sabe, vive mais e melhor. São poucos esses. Será que estou entre eles?

Vou ao espelho fazer essa pergunta a mim mesmo: – Hei, cara, tu sabes o que queres? Sei, mas e se for pecado…?

 

Parecer

Você já ouviu a conversa aí de cima? Então ficará mais fácil de entender que não somos o que parecemos, não pelo menos diante de nós mesmos. Dia destes, um cidadão “cheio de autoridade” perdeu os cadernos num encontro público, jurídico,  e, destemperado, disse o que não devia. Coisa forte, pesada. Passado o surto de perturbação emocional, ele disse: “Não sou assim…”. Claro que é assim, ninguém consegue ser o que já não é. E olhe que o sujeito é autoridade judiciária, devia conhecer bem a Psicologia, alicerce forte dos princípios de justiça e vida equilibrada. Diante de nós mesmos, parecemos ser diferentes, mas somos bem diferentes do que veem em nós. Bem piores.

 

Nós

Muitos que nos conhecem dizem sobre nós e para nós: – Ah, como tu és bom, como tu és justo…”. Até pode ser, por fora, para os outros. Mas as pessoas boas e justas para os outros, não costumam ser boas e justas para elas mesmas. Sabemos disso, não é, leitor (a)? Talvez a única saída para evitarmos os nossos sentimentos de culpa, inconscientes, fosse não desejar o mal a ninguém. Mas isso é impossível para os humanos.

 

Falta dizer

Um colega me contou que de há muito é vidrado numa certa mulher, procurou de todos os jeitos achar um defeito nela. Achou. Um baita defeito, segundo ele. E aí, parou de gostar dela

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