Luiz Carlos Prates – 10/07

Nascemos condenados

É isso mesmo, nascemos condenados. Condenados à solidão, e essa solidão nos leva ao que psicólogos da antiguidade definiram como “angústia vital”, a angústia que nos acompanhará do berço à sepultura.

Todos nascemos sozinhos, gêmeos nascem sozinhos, e vamos sair do jogo sozinhos… Isso aterroriza. De onde viemos, para onde vamos? Santo Deus, os seres humanos giram em torno de si mesmos buscando a resposta… Nunca a irão encontrar. E por saber disso, os humanos criaram os deuses, os que sabem de tudo e de tudo podem para nos dar um “Paraíso” cheio de anjos… Coitados dos humanos.

Como disse, nascemos sozinhos, vamos andando pela vida sozinhos, vamos sair dela mais sozinhos ainda… Desesperados pelo cerco da vida, criamos os afetos, os relacionamentos, os apegos a de tudo um pouco… Esses apegos nos “distraem”, nos fazem pensar que somos infinitos. Solidão dói no colo de todos, jamais nasceu uma pessoa autossuficiente a bastar-se a si mesma. E você já deve ter notado que quase todos os mendigos têm um cão, já notou, não é mesmo? E o que significa aquele cão para o mendigo? O cão é a companhia que minimiza a solidão na vida do mendigo.

Vim até aqui para chegar ao assunto de hoje: nossa primeira infância e a importância dela, não é mesmo Sigmund Freud? Freud dizia que até aos 5, 6 anos vivemos todos nós o chamado Período de Molde, os anos de formação da personalidade básica do ser humano. Nessa fase é indispensável pai e mãe, os “presumidos” grandes amores de nossa vida. Nesse curto período de meia dúzia de anos o que vamos ser será formado em casa… Em casa. Mas você sabe qual é a “moda” agora nas grandes cidades brasileiras? Os pais, por razões profissionais (será só por isso?) desovam os filhos de ZERO a 5 anos em escolas de tempo integral, um tempo que foi levado a 12 horas. A criança é deixada no colégio às 6.30h ou 7.30 da manhã e só levada para casa nesse mesmo horário à noite. A criança vai para casa banhada e alimentada, vai para dormir e no outro dia, cedo, já volta para a escola. Quer dizer, a criança não tem mais vida familiar, afeto, amor, presença, companhia nos aninhos em que mais precisa. Tudo pela modernidade “econômica/profissional dos pais. Essas crianças crescem em solidão, a solidão coletiva das escolas. Serão angustiadas, neuróticas, cheias de tiques, medrosas da vida. Tudo por culpa dos irresponsáveis que não pensaram nisso na hora do “bem-bom”. Ordinários da paternidade. Irresponsáveis. Pobres crianças em solidão no Período de Molde, o mais importante da vida. Pais “biológicos”.

 

AMOR

O amor pelos filhos deve começar antes do nascimento deles. Pois sim… Planejamento Familiar é a discussão entre marido e  mulher sobre a conveniência, o momento, as possibilidades de gerarem um filho. Só depois de demorada reflexão, os dois farão o filho. Claro, devia ser assim, mas os irresponsáveis fazem o filho e depois olham para os lados: Será que a vovó vai cuidar? Quem sabe a dinda? Irresponsáveis, safados.

 

VOVÓS

Vovós não têm que cuidar de netos, quando cuidam mal educam as crianças, são “dóceis” demais, são chatas nas transigências de comportamento, são, enfim, contraindicadas. E cá para nós, não é função de avó cuidar de filhos alheios. Certo? Acho muito bom. Fizeste o filho, cuides dele. Ué, gente!

 

FALTA DIZER

Alguém que me “ouviu” aí em cima pode dizer: – Ah, Prates, como tu és grosseiro? De fato, verdades costumam agredir, danem-se. Filho é coisa séria, responsabilidade total de quem o faz. Ponto.

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