
Planejamento, esta é a palavra que define o modo de pensar de Jean Nicoletto, 38 anos, pai de três meninas – Gabriele Fernanda, de oito anos; Maria Eduarda, seis e Jenifer Beatriz, de dois anos. Nicoletto e a esposa, Raquel, namoraram por 12 anos e só resolveram ter filhos após ter a casa construída. Tudo isso, para oferecer o que há de melhor para elas. Porém, a vida nem sempre segue o plano dos homens e coloca no caminho obstáculos que, em um primeiro momento, parecem instransponíveis, mas acabam por revelar a força que uma pessoa adquire através dos que o apoiam.
Ao pai, com gratidão
Desde cedo Jean aprendeu que a vida cobra coragem. Ao nascer teve uma série de problemas que o fizeram ser “desacreditado” pelos médicos, mas nunca por seus pais. Ao completar dez anos, precisou fazer uma cirurgia de alta complexidade nos rins, uma provação para os pais que se tornou ainda maior com a notícia do falecimento de sua avó paterna no exato momento em que estava na sala de cirurgia. “Meu pai teve uma coragem invejável. O filho estava em uma maca enquanto sua mãe partia deste mundo”, revela com profundo respeito e admiração.
Aliás é no pai, Manoel, que mais baseia sua conduta. “Ele levou muitas rasteiras. Após nos recuperar, havia comprado todo o material para construir uma nova casa para nossa família e deixado tudo pago no material de construção. Em seguida, descobriu que o dono havia fugido com o dinheiro. Estávamos morando em uma meia-água, pois nossa casa havia sido desmanchada para a construção da nova, quando uma enxurrada acabou com tudo. Ficamos sem absolutamente nada e contamos com a solidariedade de uma pessoa que permitiu que morássemos em sua casa até nos reerguermos”.
E realmente se reergueram, até precisarem enfrentar uma nova avalanche. Os Nicoletto abriram uma empresa familiar no ramo de tornearia, por anos trabalharam nela até que um incêndio pôs fim a 80% de todo o capital. Um enorme baque, que abalou, mas não derrubou Manoel, que se manteve firme e, ao lado dos filhos, reconstruiu tudo mais uma vez. “Meu pai é um grande guerreiro, enfrentou os obstáculos da vida e nos ensinou a dar a volta por cima sem pisar em ninguém. Este foi o exemplo que deu a mim e ao meu irmão Maurici. Nos fez batalhadores e mostrou que somos capazes de sobreviver ao dia a dia, por mais duro que ele seja. Quero mostrar isso às minhas filhas, quero que seja a herança delas”.
Às filhas, com amor
As lições aprendidas ao lado do pai deram forças a Jean em outro momento turbulento pelo qual passou, anos após o incêndio, já então pai, descobriu que estava doente. O diagnóstico foi Hepatite C, uma doença perigosa, que destrói o fígado silenciosamente. “Nunca tive nenhum comportamento de risco relacionado à Hepatite, por isso não consegui ter a certeza de como contraí, pode ter sido através da cirurgia que fiz aos dez anos, já que naquela época não havia este controle rígido que há hoje nos hospitais, pode ter sido genético, pois descobri que minha tataravó morreu desta mesma doença. Tudo que sabia era que em meio às dúvidas, havia uma tempestade a ser enfrentada”.
Os passos até conseguir o tratamento e terapia em si foram cruéis. “Eram 16 comprimidos por dia, injeções, remédios. A médica havia avisado de que eu iria precisar da força de toda minha família, pois o tratamento me derrubaria, me faria entrar em depressão, me transformaria em outra pessoa”. Assim o foi. Jean perdeu mais de 22 quilos, teve dificuldades para caminhar, se alimentar. Chegou ao extremos de questionar a continuidade da vida, pouco antes de questionar a continuidade do tratamento. Foi então que em conversa com os pais, recebeu um pedido de força, isto, claro, lhe rendeu um gás extra. Mas foi nas filhas que mais pensou. “Eu só pensava nos meus três anjinhos, que teria que ser forte para vê-las crescer. Pedia isso a Deus, pois quero estar presente na vida delas máximo que puder”.
Foi por amor a elas que continuou e, ao retornar à médica no fim do ciclo de tratamento, ouviu dela que das seis pessoas que iniciaram o tratamento, era o único a conseguir completar. Atribui isso às lições aprendidas com o pai, ao imenso amor que sente pelas filhas e ao companheirismo fiel da esposa e familiares.
Para o futuro, Jean espera que as filhas aprendam os exemplos de simplicidade, força e honradez. Também não esconde que gostaria que elas continuassem com as atividades da família, mas ressalta, acima de qualquer coisa, que elas possuem liberdade de escolha e seja o que decidirem para si mesmas, terão o pai sempre ao lado.
“Tenho ao meu lado uma esposa maravilhosa e acredito que nós nos complementamos na criação de nossas meninas. Elas representam tudo para mim. Ser pai é uma grande honra e procuro fazer igual ou melhor do que meus pais fizeram. Até você não ter filhos, não imagina certas situações, como o prazer de chegar em casa e suas filhas virem correndo te abraçar ou se esconderem para o pai procurar”, conclui.
Imagens

Foto: Arquivo Pessoal 
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