Luiz Carlos Prates – fim de semana

Ele não vale nada

Todos nós usamos de frases depreciativas sobre esta ou aquela pessoa, não nos damos conta de que nós somos os outros dos outros; o que dizemos de alguém, alguém pode dizer de nós. Exemplo?

Quem já não ouviu alguém dizer – “Ah, esse sujeito (ele ou ela) não vale nada! Quem já não ouviu?

Ele não vale nada. Ela não vale nada. Vivemos dizendo isso de um e outro, vivemos, eu disse. Que ninguém me venha posar de anjinho para dizer que nunca disse isso.

 Acabo de ler uma frase do inesquecível Marlon Brando, ator de bons filmes do cinema americano. Brando não era bonito, era bom ator. E isso é mais que ser bonito, bonito qualquer seboso pode ser… Bonito por dentro é que são elas.

A frase do Marlon Brando é esta: – “Tudo o que fazemos é ligado ao dinheiro. Eu sou uma mercadoria e tenho plena consciência disso”. Alguém discorda?

No trabalho, valemos o nosso salário. – “Ah, mas eu sou muito bom e ganho pouco, não posso ser avaliado pelo meu salário”! Posso até concordar, há gente boa no trabalho ganhando muito pouco mas aí a culpa não é do mercado, é da pessoa…

Nós temos um valor de mercado, e esse valor envolve mais que nossas qualificações profissionais. Somos pagos de acordo com a altivez da nossa gerência interna. Se o nosso “gerente interno” for um bobão, seremos tratados e pagos como bobões…

Nas famílias, quando a mocinha vai casar, não falta uma tia para dizer – “Mas como é que ela vai casar com aquele joão-ninguém? E o sujeito é joão-ninguém porque não tem dinheiro, ele pode ser primo-irmão do Papa, boa pessoa, generoso, honesto, tudo, mas se não tiver o “aval” do saldo bancário não passará de um joão-ninguém. Todos pensam assim, todos. – Ah, mas tu estas jogando palavras na minha boca, eu nunca disse isso… Pode não ter dito, mas pensa… Não adianta, somos assim, no capitalismo valemos pelo que produzimos, e fora do capitalismo não valemos nada…

Tenho visto ao longo dos meus anos de jornalismo o pessoal das redações e dos estúdios sair correndo, derrubando cadeiras para receber um babacão, um político vagabundo, mas… que tem o “prestígio” social, mais das vezes, indevido. Os réus da Lava Jato ainda são beijados na rua… Sociedadezinha podre!

 

PODER

Vivo dizendo aos jovens que me ouvem em palestras nas escolas que eles, os mais pobres, especialmente, poderão ser o que bem entenderem na vida, estudando, qualificando-se para um trabalho, e honestos na corrente sanguínea. Com esse “poder”, nunca vão precisar baixar os olhos para quem quer que seja, para ninguém… O maior de todos os poderes é o poder de fazer bem um trabalho e ser correto no agir. Ouviste bem, guria, guri? Acho bom.

 

POBREZINHOS

Falo das crianças e adolescentes de pais fracos, safados, desatentos, não raro, um para um lado, outro para outro… Pobres crianças. Sem o bafo quente da educação, da presença e do amor dos pais não haverá como crescerem saudáveis e bem norteados para a vida. Esses cuidados não se terceirizam, e sem eles haverá encrencas existenciais sérias na vida dos filhos. Os pais vagabundos, eles e elas, não creem nisso e só cuidam de suas vidas. Vão pagar.

 

FALTA DIZER

Ouvi ontem na TV um especialista em trabalho dizendo que é muito saudável mandar os filhos ao trabalho a partir dos 16 anos. E segundo ele, aos 24 o filho seria um “veterano”, não teria dificuldades de iniciantes no mercado. Ah, senhor, vá dizer isso num país civilizado, não para os calças-frouxas do Brasil. 

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