
Alegria: essa é a marca registrada de toda a apresentação do Stüppen, tradição herdada dos primeiros imigrantes de Pomerode
É Sábado de Aleluia. E para os cristãos o anúncio da ressurreição de Jesus, no domingo de Páscoa, está próximo. É a luz que sobrepõe a escuridão, a morte que dá lugar à vida. E para os descendentes dos primeiros imigrantes que chegaram em Pomerode, é hora de reviver uma tradição centenária: o Stüppen, a serenata de Páscoa.
O costume do Stüppen tem início sempre a partir da meia noite do Domingo de Páscoa. Músicos, acompanhados de seus instrumentos, passam de casa em casa para anunciar a ressurreição de Jesus. E a tradição prega que uma música seja apresentada para despertar os moradores, em seguida uma para que eles se levantem e depois uma terceira para que os músicos sejam recepcionados pela família.
Adolar Fischer, proprietário da Pousada Mundo Antigo, faz questão de manter a tradição herdada dos pais e avós. E há quase 50 anos se reúne com os amigos para despertar os vizinhos e hóspedes com belas músicas e muita alegria. “Há quase 50 anos que participo dos grupos de Stüppen porque é uma tradição carregada de significado. A alegria de cada grupo é pela celebração da ressurreição de Cristo, por isso a animação das pessoas com a música”, afirma.
Após as apresentações, músicos são convidados a entrar na casa da família visitada para degustar um café com cuca, um heringsbrot e, às vezes, até uma cachacinha. “Geralmente eram grupos de três ou quatro músicos, a maioria nunca foi profissional, que se reuniam nessa época, um com bandoneon ou gaita, instrumentos de percussão improvisados e quase sempre um pente”, relembra.
O trabalho dos poucos grupos de Stüppen ativos em Pomerode é para que o costume não seja esquecido, fato que motivou Adolar a sugerir o Stüppen como uma atração da Osterfest aos sábados e domingos à tarde. “Lá geralmente nos apresentamos em três pessoas. É a nossa primeira vez no evento mas, com certeza, não será a última. As pessoas gostam muito e até dançam junto.”
Além do Stüppen feito na Osterfest, há também apresentações em algumas pousadas e hotéis no município. “Alguns proprietários já entenderam essa tradição como diferencial e já começam a oferecer o Stüppen como parte do pacote para a Páscoa. Mundo Antigo, Bergblick, Dein Haus, Oma Helga e Casarão Schmidt são alguns dos locais onde ocorrerá em 2018”, declara.
Para Adolar, é essa movimentação, de quem faz e vive do turismo, a grande responsável pela fama e manutenção de uma das maiores festas de Páscoa do mundo. “Eu sempre digo que todo o trabalho que é feito é para atrair cada vez mais visitantes para Pomerode. Eu fui um dos pioneiros com a manutenção das tradições para mostrar aos turistas e se não estivéssemos unidos enquanto Avip, não existiria a vontade de manter e fazer a festa crescer todos os anos. Se não fosse a Avip, a Osterfest já tinha deixado de existir há cinco anos. Muitas famílias hoje vivem do turismo e dos frutos dele”, finaliza.
É pente mesmo?
Sim, e são habilidosamente tocados por poucos músicos. A história que se conta é que o primeiro homem teria começado a tocar o instrumento após uma briga entre outros dois senhores carecas em um banheiro. Cansado de ouvir as reclamações sobre precisarem ou não de pente, ele arrancou o objeto das mãos dos dois, saiu do banheiro e entrou no salão já tocando, como se fosse um instrumento.
Lenda ou fato verídico, o que vale destacar é que o pente de cabelo, transformado em instrumento de sopro, requer muita habilidade de quem se atreve ao ofício. Tradição que pode ser acompanhada bem de pertinho durante a Osterfest.
Imagens

Foto: Gilson Zickuhr
Músico: Orlindo Hass, de Massaranduba, aprendeu a tocar pente ainda criança
Foto: Gilson Zickuhr 
Foto: Gilson Zickuhr
Alegria: essa é a marca registrada de toda a apresentação do Stüppen, tradição herdada dos primeiros imigrantes de Pomerode
































