Sydonia, a bruxa da Pomerânia (- Parte I)

Desta vez vamos nos remeter para muitos anos antes da vinda dos imigrantes pomeranos ao Brasil, pois é preciso lembrar que a história da Pomerânia é milenar e que durante séculos naquela região predominava a era pagã, antes da cristianização de toda a Pomerânia. Mais precisamente nos remetemos para o ano de 1295, na região de Regenwalde que além de uma extensa floresta, lá também haviam as propriedades das famílias nobres dos Von Borcke e dos Von Vidante que ali construíram os seus castelos. Historicamente, no início de 1229 estas terras pertenciam aos Cavaleiros Hospitalários. Já a partir de 1365 os Von Vidante deixaram Regenwalde para assumirem uma outra área de terras a convite do Duque Barnim IV da Pomerânia-Wolgast. Um século mais tarde, a partir de 1447 todos habitantes de Regenwalde estavam de certa forma atrelados ao castelo dos Von Borcke, onde muitas famílias permaneceram como serviçais/servos até 1808. Eram os únicos proprietários e governantes de Regenwalde e da sua extensa área de florestas. O castelo da família dos Von Borcke localizava-se no povoado de Stargordt (Starogard), na antiga estrada que ligava à sede de Regenwalde (hoje chamada de Resko) a Labes (Lobez) e para Schivelbein (Swidwin no município de Belgard). Anos mais tarde esse castelo estava quase abandonado devido às sucessivas guerras e pela falta de conservação. Coube a Adrian Bernard Von Borcke (1668-1743), herdeiro da propriedade, marechal de campo no exército prussiano de Frederico Guilherme I, a restauração e ampliação desse bem familiar. Foi desta forma que, juntamente com sua esposa, Antoinette Hallart, nascida Hedwig, não só restaurou o castelo (1717-1721) de estilo arquitetônico holandês, como também ampliou o solário (pátio), o qual foi decorado com jardins vistosos e um telhado de mansarda decorativo. Inicialmente, as terras compreendiam 17 mil hectares. Em 1829 a propriedade compreendia 11 mil hectares, com 18 residências ao seu redor, casa de trabalhadores (camponeses pomeranos diaristas/Tagelöhner que moravam nessas residências e que mais tarde imigraram para várias partes do mundo, inclusive para o sul do Brasil), quatro grandes celeiros de madeira e áreas paroquiais (residência, escola e escritório do guardião da área). Tudo isto isento de impostos. E é nesta família que aconteceu esta dramática e aterrorizante história de Sydonia Von Borcke, que viveu de 1548 até 1620. Antes de iniciar o relato sobre a vida de Sydonia von Borcke, é preciso lembrar que, ao revermos a história dos pomeranos, essa sempre traz à tona o seu vínculo com as superstições. Será preciso relembrar que no século I d.C. os deuses pagãos da floresta já vinham sendo reverenciados. Isto se acentuou no século V, quando os eslavos (Wenden) migraram para a costa báltica. Tanto aqui como na região de Stettin havia grandes centros de adoração a esses deuses pagãos e que passaram a ser combatidos em meados do século X por Mieszko, rei da Polônia. Na história dos Duques Pomeranos e da baixa nobreza pomerana dificilmente vamos encontrar citações sobre superstições, cultos adoração aos deuses pagãos ou sobre magia. Tem-se a impressão de que as próprias famílias eram levadas a encobrir tais fatos e em casos extremos as pessoas suspeitas desta irregularidade eram, por assim dizer, aprisionadas num mosteiro. Na prática, os inúmeros relatos de superstição, de magia e de adoração aos deuses pagãos ficaram sem dúvida para os pobres, os sem-terra, aos que não tinham posses. Os mosteiros, naqueles tempos, tinham também certa função “social”: assim, muitas viúvas de duques e de príncipes, para “zelar” pelo nome da família após a morte de seu cônjuge, passavam o resto de seus dias em algum mosteiro local. O mesmo também acontecia com prostitutas idosas ou outras mulheres que não mais conseguiam prover o seu próprio sustento. A trágica história da bela Sydonia von Borcke trata-se de um personagem real. Na realidade tornou-se uma das figuras mais populares da vida principesca pomerana. Sydonia era uma mulher muito inteligente e sensível, mas que se sentiu traída. O mal afetou sua personalidade a tal ponto que passou a ser identificada como mulher má e com vinculação à bruxaria.

CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO…

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