Na educação, a base para desenvolver uma comunidade

Nas memórias quase esquecidas de Carl Günther, a neta relembra com carinho do trabalho do avô

Foto: Arquivo Pessoal / Marta Rocha

“Precisamos falar com as nossas crianças, para que as nossas histórias não sejam perdidas”. É com essa fala que Dorothea Günther Reinhold começa a conversa sobre Carl Friedrich Wilhelm Günther. A neta do primeiro professor de Escola da Comunidade Evangélica de Pomerode, quando o município ainda era a colônia de Blumenau, se orgulha dos feitos do avô para promover uma educação de qualidade em uma época muito difícil.

Carl Günther nasceu em 1860 em Arnhausen, na Pomerânia e veio para o Brasil em 1878 com a mãe já viúva e as irmãs. Antes da viagem ele já havia concluído os estudos e, logo que chegou às terras brasileiras, passou a lecionar para os filhos de imigrantes como ele. “A escola ficava em uma casa enxaimel no centro que, hoje, não existe mais. Na época, as turmas tinham classes mistas e meu avô lecionava todas as disciplinas”, relembra.

Em 1881, casou-se com a jovem Wilhelmine Johanne Persch. Logo após, adquiriu a propriedade no Ribeirão Herdt. Carl e Wilhelmine tiveram 12 filhos, todos batizados com três nomes: Reinhold Frierich Hermann, Bertha Johanna Wilhelmine, Hedwig Caroline Emilia, Wilhelm Julius Heinrich, Hermann August Wilhelm, Rudolf Friedrich Berthold, Anna Caroline Matilde, Ludwig Luiz Carl Wilhelm, Heinrich August Cristian, Carl Johann Richard, Otto Gustav Adolf e Alwin Oswald Erich. “Sempre contavam que meu avô era muito romântico. Na época de namoro com Wilhelmine, sempre deixava uma rosa na janela do quarto da amada, todas as manhãs, antes de ir pra escola”, revela.

Como bom educador, Carl também fez os filhos estudarem para terem profissões dignas e alfabetizou as filhas. Entre os ofícios escolhidos pelos filhos, estava a profissão do pai, professor, além de muitas outras. Dentista, contador, sapateiro, alfaiate e um agricultor. “Meu pai, o Otto, queria ser fotógrafo, mas decidiu ficar em casa e cuidar da propriedade da família”.

Como já naquele tempo os professores eram pouco remunerados, muitos pais de alunos mandavam alimentos, carnes e ovos para Carl. “Minha avó ficava em casa cuidando da propriedade, dos filhos e da criação, enquanto meu avô ia pra escola a cavalo para dar aulas. No meio dia, ou um dos alunos ou um dos filhos levava a marmita preparada por Wilhelmine com muito carinho para o marido. Muitas vezes meu avô voltava para casa com um pato ou uma galinha, doação dos pais dos alunos”, conta

O dedicado professor lecionou por 35 anos em uma época rígida, em que alunos respeitavam seus professores. “Ele foi conhecido por um professor muito rigoroso, mas com um extremo conhecimento dos conteúdos lecionados. Quem aprendia algo com ele jamais esquecia. E olha que a escrivaninha que o meu avô usava para preparar as aulas ainda está intacta, na casa que foi dele”.

Carl Günther faleceu aos 69 anos, deixando um verdadeiro legado para a educação do município. “Muita coisa foi esquecida, uma pena mesmo! E muitas crianças já não sabem mais quem foi o meu avô e a contribuição valorosa que ele deu para o nosso município. Por isso, as poucas memórias que ainda restam precisam ser mantidas”, finaliza Dorothea. 

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