Passou Pelo Testo

Há uma década, a fúria da natureza deixava marcas

Há 10 anos Santa Catarina vivia a maior tragédia climática de sua história. A chuva que caia sem parar em novembro de 2008 provocou inundações, enchentes e deslizamentos de terra nas encostas dos morros. 135 pessoas morreram, uma delas em Pomerode, 14 cidades decretaram situação de calamidade pública (incluindo Pomerode) e outras 63 de emergência. Uma catástrofe natural sem precedentes para a região.

As perdas se espalharam por todo o Estado. Em Pomerode, Arno Geisler, de 78 anos, foi a única vítima fatal. Um deslizamento de terra atingiu e soterrou a residência na qual morava com a esposa Frida, 76, em Testo Central. Sobrevivente, retirada dos escombros pelos bombeiros, Frida sempre lembrava da tragédia e a saudade do marido. Ela faleceu em 7 de setembro de 2012. O casal teve três filhos, cinco netos e quatro bisnetos.

Apesar de não terem sido consideradas perdas ocorridas em Pomerode, mas sim em Timbó por conta do local do soterramento ficar na divisa entre as cidades, as mortes de Herbert (51) e Eleonora Raduenz (46) também foram muito sentidas na cidade.

Já para a família Ringenberg, novembro de 2008 foi uma data de renascimento. Um vizinho ouviu barulhos e viu uma grande rachadura na montanha, então resolveu avisar a família composta por quatro pessoas. Eles saíram do local e refugiaram-se na casa de vizinhos, na localidade de Ribeirão Luebke. Após essa primeira ocorrência chegaram a voltar ao local para iniciar a limpeza, mas, horas mais tarde, a estrutura atingida pela terra não suportou.

As lições aprendidas naquele ano vieram pela dor, mas também pela solidariedade. Uma verdadeira corrente humana retirou da lama os destroços de sonhos enterrados pelo barro. Nossa postura perante as intempéries climáticas se transformou. Novos modelos para acompanhamento do nível dos rios e locais de risco para deslizamentos foram implantados ou melhorados. Atualmente, a Defesa Civil mantém um sistema de alerta por mensagem de texto quando da previsão de fortes chuvas ou ventos.

Por outro lado, muitos projetos prometidos na época ficaram esquecidos, como o Projeto Jica, nunca implantado. No aniversário de dez anos da tragédia, o importante é homenagear os que perdemos e manter vivo o espírito de cobrança e participação, para que estejamos mais preparados caso um evento climático semelhante se repita. 

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