Brasil, potência mundial do turismo (2)
No primeiro artigo dessa série contei a você que estou às vésperas do lançamento do livro Brasil – Potência mundial do turismo, com apresentação do sociólogo italiano Domenico De Masi – conhecido mundialmente pelo conceito do “ócio criativo” e com a participação de 20 líderes que são formuladores de um novo momento para o turismo e para a própria economia nacional. Os dados mostram que o Brasil tem subaproveitado um setor que movimentou 8,3 trilhões de dólares (estamos falando de algo em torno de R$ 32 trilhões). A primeira razão disso é que o turismo ainda não assumiu – como proponho no livro – um protagonismo inédito na agenda da economia brasileira, na magnitude que ostenta em países como mais avançados. O que temos hoje é que o turismo contribuiu com nada menos do que 7,9% do PIB do país em 2017, se consideradas, além das atividades diretas e indiretas, também aquelas induzidas por esse grande eixo de dinamismo e geração de riquezas.
Também em valores de 2017, a contribuição total do setor ao país foi de 163 bilhões de dólares (cerca de R$ 635 bilhões), de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC). Mesmo sendo números muito expressivos – e que mostram resultados do trabalho que estamos realizando – ainda é pouco se considerarmos os 8,3 trilhões de dólares movimentados pelo mundo: estamos apenas em 8º lugar na América Latina, atrás de México, Costa Rica, Cuba, Chile, Argentina, Peru e Guatemala.
E não é por acaso que os países que lideram esse ranking são aqueles que direcionam maior percentual do PIB para investimentos no setor, como Cuba (21,6%), Chile (10,5%), Guatemala (8,3%) e Argentina (7,5%). No Brasil, esse percentual não passa de 6,1%. Nos países europeus, essa relação fica ainda mais evidente. Em 2017, o turismo na Grécia contribuiu com 19,7% do PIB, diante de 15,9% de investimentos. Em Portugal, o investimento de 10,2% do PIB gerou uma contribuição do turismo de 17,3% do produto nacional.
Essa relação investimento/resultados econômicos reflete decisões que levaram o turismo para o centro da agenda política e econômica. Para esses países, o setor já representa a saída procurada. Na escala da Organização Mundial do Turismo (OMT), foram registradas em todo o mundo 1,322 bilhão de chegadas de turistas internacionais em 2017 – das quais os países da Europa respondem por 51%. Mesmo com o recorde histórico de 6,588 milhões de chegadas internacionais no ano passado, o Brasil representou pouco menos de 0,50% do movimento global no período.
Não são números para desanimar. Pelo contrário, nos incentivam a trabalhar ainda mais devido ao alto potencial – reconhecido como o maior do planeta – que o país tem para desenvolver o setor. Esse potencial é o tema do nosso próximo artigo sobre o livro Brasil, potência mundial do turismo.
































