23 mil quilômetros, 97 dias, climas extremos e um novo recorde

Ciclista Jonas Deichmann visita Pomerode e conta sobre sua mais recente aventura

Foto: Arquivo Pessoal

Sobre a bicicleta ele leva muito mais do que a barraca, roupas e peças de reposição, carrega, sobretudo, a determinação, a resiliência e o gosto pela aventura. Qualidades que fizeram com que o ciclista alemão Jonas Deichmann, de 31 anos, conquistasse mais um recorde mundial, a travessia rota Pan-americana de um extremo ao outro do continente, ou seja, do Alasca a Ushuaia, na Argentina.

Jonas esteve em Pomerode entre domingo e segunda-feira (dias 27 e 28) e conversou com a nossa equipe sobre a mais nova aventura. Sozinho, ele enfrentou os 23 mil quilômetros de um ponto ao outro do continente, foram precisamente 97 dias, 21 horas e 10 minutos, quase 200 mil metros de altitude vencidos, cinco fuso horários diferentes e todos os tipos de clima. “Eu gosto do desafio e da aventura”, conta.

Os desafios dentro do desafio

Para baixar o recorde anterior, que era de 125 dias, em quase um mês, Jonas precisou enfrentar condições adversas, além de estar completamente sozinho, havia toda a logística de conseguir alimentos e peças de reposição específicas para a bicicleta. Como pedala cerca de 14 horas por dia, ele precisa de uma média diária de 10 mil calorias, no entanto, em um trajeto rápido, não é possível entrar nas cidades para buscar por mercados, deixando como principal alternativa os postos de combustíveis. “Em muitos países isso não representa um problema, mas, em outros como Peru, Chile e Estados Unidos significa se alimentar basicamente de biscoitos. Já com relação às peças para a bicicleta, é muito difícil encontrar o que se precisa, sobretudo na América Central. Enfim, não se trata de um desafio apenas físico e mental, mas também logístico”.

Além disso, o continente repleto de fantásticas belezas também pode se mostrar hostil. “Na América do Sul tive apenas um ou dois dias que posso considerar fáceis”. Houve a falta de oxigênio aos subir os 4,8 mil metros nos Andes, o deserto no Peru e os ventos fortíssimos, chuva e frio na Patagônia onde tive que, literalmente, puxar a bicicleta. “Meu objetivo era concluir o percurso em menos de 100 dias, me mantive sempre à frente da meta, no entanto, mas perdi um bom tempo na Patagônia. Quando cheguei a Ushuaia, aos 97 dias de jornada, me senti extremamente feliz por cumprir a meta”.

O próximo recorde

Jonas disputava provas de ciclismo quando jovem, até que decidiu desafiar a si mesmo. Neste ponto escolheu dar a volta ao mundo de bicicleta, daquela vez sem quebrar nenhum recorde. Então, decidiu que era hora de expandir ainda mais os limites de seu corpo. Ele então bateu dois recordes, a travessia mais rápida da Europa e da Eurásia. Em 2018, determinou ser o momento certo de atravessar o continente Americano de um extremo a outro. Aventura para a qual partiu em agosto. Para 2019 uma nova quebra de recorde vem por aí. “Só consigo fazer um destes por ano, pois o corpo precisa se recuperar. Em agosto, parto para um novo desafio, mas ainda não posso revelar qual é”, afirma sorrindo.

Pomerode

Jonas já morou no Brasil, em Salvador, na Bahia, por dois anos. Mas esta é a primeira vez que vem ao Sul do Brasil. Após chegar à Argentina, ele descansou por algumas semanas e então está seguindo, de bicicleta, para o Rio de Janeiro, onde tirará suas férias. “Durante o desafio fiz uma média de 240 quilômetros por dia (houve dias em que andou mais de 400 quilômetros), agora esta média caiu para 130, pois estou aproveitando mais o percurso”, explica.

Jonas se mostrou encantado com Pomerode. “Saí da Alemanha em maio, mas agora nem preciso voltar tão rápido, pois matei as saudades. Achei várias características muito semelhantes. Como a Alemanha se desenvolveu muito nos últimos anos, aqui, por vezes, parece até mais ‘alemão’ que lá, pois se mantém preservado esta história do tempo em que eles imigraram”. Ele comentou ainda sobre a arquitetura e a língua, faladas na cidade, disse ter percebido um forte sotaque, mas nada que atrapalhasse a comunicação e que o fez sentir-se em casa.  

Janaina Possamai/Testo Notícias – De passagem: por Pomerode, Jonas diz ter matado um pouco das saudades da terra natal

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