Impotência atinge cerca de 25 milhões de brasileiros segundo a OMS

Assunto ainda é tabu, mas campanha Novembro Azul quer incentivar os homens a serem protagonistas de sua saúde

No Brasil, a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que cerca de 25 milhões de brasileiros apresentam algum grau de impotência.  Porém, nem todos eles fazem parte das estatísticas, visto que  muitos homens têm vergonha de procurar ajuda. Destes, pelo menos 11,3 milhões apresentam o problema em nível moderado e severo. Além disso, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, mais de 1 milhão de novos casos surgem todos os anos. A campanha Novembro Azul, com o tema de 2022  #azulatitude, tem por objetivo conscientizar os homens brasileiros a terem atitude e serem protagonistas da sua saúde.

O urologista Luciano Praun, voluntário da Rede Estadual Saúde do Homem (Resh-SC), de Pomerode, diz que existem diversos  motivos para a disfunção erétil. Por isso, recomenda-se que os homens, a partir dos 18 anos, comecem a ir ao médico de forma preventiva e realizem exames de rotina, assim como as mulheres o fazem. Prevenir é a palavra-chave e, aproveitando o Novembro Azul, a Resh-SC está, durante esse mês, promovendo diversas palestras em empresas.

As causas para o problema são as mais diversas. Mas, entre as mais conhecidas estão ansiedade, depressão ou doenças crônicas como diabetes, colesterol alto, hipertensão, tabagismo, obesidade, testosterona baixa e até como consequência de cirurgia para tratar o câncer de próstata.

Praun diz que, por isso, é importante fazer exames regulares. “Sabendo qual a causa, fica mais fácil de tratar e, quanto mais cedo, melhor”, declara. Entre as possibilidades de tratamento estão medicamentos via oral, injeção intra-cavernosa, que ajuda a aumentar o fluxo sanguíneo na região, e terapia nos casos de ansiedade e depressão. Para os quadros mais severos, existe a opção de implante de prótese peniana.  “É fundamental que os homens procurem ajuda, que quebrem o tabu de ter vergonha de falar sobre o assunto”, enfatiza.

Experiência

N.S, 48 anos, conta que há dois anos passou por um problema muito sério, tinha recém se separado e estava preocupado com a questão financeira, ele é empreendedor. Ao tentar se relacionar com uma pessoa, naquele período, percebeu que não estava conseguindo ter uma ereção. Nas primeiras tentativas, colocou a culpa  na bebida e na alimentação. Como teve experiências recorrentes, percebeu que o problema estava com ele. Mas, mesmo assim, demorou cerca de um ano para procurar um médico. A desculpa para a demora era sempre a mesma: falta de tempo. Custou a admitir que havia um problema. Hoje, aconselha todos os homens a procurarem um médico assim que perceberem alguma disfunção.

Já T.M, 47 anos, diz que percebeu dificuldades para ter uma ereção há pouco tempo. “Achei que nunca teria um problema assim. Mas, diferente da maioria dos homens, eu sempre fui muito aberto às informações e zero dificuldades para procurar ajuda. Senti o problema e já marquei uma consulta com o médico. Comecei a tomar medicamentos há cerca de dois meses e já estou vendo resultados”, explica.

Principal causa da disfunção erétil é emocional

A impotência sexual pode ter razões físicas, mas, a principal causa da disfunção erétil envolve fatores emocionais. Estima-se que cerca de 70% dos casos de disfunção erétil são ocasionados por problemas emocionais, oriundos da ansiedade. Por isso, o presidente da Rede Estadual Saúde do Homem (Resch-SC), Jefferson Zomignan, alerta que o ser humano, independente de gênero, dever cuidar do corpo, da mente e do espírito. “Quando cuidamos da saúde do corpo, realizando exames preventivos; da mente, através do entendimento das emoções; e da espiritualidade, independente de religião; há o equilíbrio completo e muitas doenças são evitadas, principalmente as derivadas do emocional”, enfatiza.

A ansiedade é a causa emocional que mais bloqueia o mecanismo da ereção. E, em boa parte dos casos, os homens preferem ignorar os sinais e não procuram ajuda de um terapeuta. A psicanalista e especialista em comportamento humano, Edina Esmeraldino, diz que, na maioria das vezes, o homem está preocupado com outras coisas, como falta de dinheiro, problemas no trabalho, ou até com medo de falhar ou inibido porque está muito interessado na mulher. “E isso cria uma ansiedade muito grande. Ele acaba realmente não conseguindo uma ereção”, explica.

“Além disso, há casos em que o homem já está apresentando um quadro de depressão e essa doença também influencia o desempenho masculino. Alguns, por não admitirem que precisam de ajuda, de uma terapia, preferem optar por remédios de efeito rápido. Mas essa é uma solução temporária. O ideal seria fazer um tratamento com o objetivo de buscar o equilíbrio”, declara.

Quando o homem está muito estressado ou ansioso há formas para driblar isso sem precisar ingerir medicamentos. Segundo Edina, há estudos apontando que homens que praticam terapias integrativas, como, por exemplo, yoga e meditação, têm mais equilíbrio emocional e, por consequência, uma vida sexual mais satisfatória. Além disso, às vezes, só uma conversa entre os parceiros já resolve. “Sexualidade não tem padrão. Basta lembrar que, em férias, as pessoas têm mais relações sexuais. Normalmente, os parceiros não mudaram, mas as pessoas estão mais relaxadas e as coisas fluem”, lembra a terapeuta.

Embora a principal causa seja emocional, também tem pessoas que relacionam o envelhecimento à impotência. É um fator, mas nem sempre é determinante. De fato, a testosterona diminui na terceira idade, mas nem sempre é o principal fator. Tanto que há casos de homens com 90 anos com vida sexual. E muitos homens na casa dos 40 anos que estão enfrentando dificuldades para ter uma ereção.

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