Quem passa pela Praça Jorge Lacerda, em Pomerode, muitas vezes aproveita o espaço para lazer e encontros, mas poucos sabem quem é o homenageado do coreto que ali se encontra. O nome é Vinzenz Weh, personagem central na história cultural do município e responsável por incentivar jovens no ensino da música.
O gosto pela música acompanha os moradores de Pomerode há décadas. Hoje, esse legado se renova: jovens e adultos buscam aprender instrumentos variados, seja na Banda Die Originalen Rega Blaser, nas aulas de violino e bandoneon oferecidas no Centro Cultural, ou ainda com professores particulares que ensinam outros instrumentos. A tradição musical segue viva, mostrando que exemplos como o de Vinzenz continuam inspirando novas gerações.

A trajetória de Weh já havia sido registrada em trabalhos da escritora Roseli Zimmer, que em 2002 apresentou um texto sobre suas façanhas no programa Lustiges Pomerode, promovido pela Prefeitura de Pomerode e Fundação Cultural no Clube Pomerode. Para compor o material, Roseli recorreu a arquivos de Viviane Drews e Luis Germano Harmel, que entrevistaram familiares e integrantes do Círculo Juvenil. Em 2021 o Testo Notícias também abriu as páginas da edição especial para contar a história que hoje é relembrada.
Trajetória e legado de Vinzenz Weh
Vinzenz Weh nasceu em 11 de junho de 1907, na cidade de Leipferdigen, Estado de Baden, Alemanha, filho de Josef e Catarina Weh. Durante os estudos em um seminário católico, aprendeu a tocar órgão e despertou sua paixão pela música. Sofrendo de asma, seguiu o conselho dos médicos e buscou um lugar mais favorável à saúde. Assim, deixou a Alemanha em 11 de junho de 1933 e desembarcou no Brasil em 20 de agosto do mesmo ano, em São Francisco do Sul.
No país, dedicou-se à profissão de professor, atuando por cinco anos em escolas particulares alemãs. Passou por diversas cidades catarinenses, como Porto União (1933), Presidente Getúlio (1934), Benedito Novo (1937) e Jaraguá do Sul (1937). Foi em Benedito Novo, em 1935, que conheceu Rosa Zimath, com quem se casou. Da união nasceram Jorge, um ano após o casamento; Horst, já em Rio Cerro, Jaraguá do Sul; Rolf, em 1940; e Theo, em 1944.
Em 1938, com o fechamento da escola onde lecionava devido à campanha de nacionalização, Weh perdeu o emprego. Trabalhou como escriturário na firma Marquart e depois na indústria Gumz, mas sofreu um acidente ao ajudar um vizinho em uma mudança: caiu de um caminhão e quebrou o braço.
Sem assistência previdenciária, ficou desempregado. Nesse período difícil, Rosa assumiu o sustento da família, enquanto os filhos ficaram com parentes e Vinzenz permaneceu em Rio Cerro, acolhido por amigos. Mesmo separados, os laços de amor e união mantiveram a família firme, e os esforços da mãe foram decisivos para que todos voltassem a viver juntos.
Em novembro de 1948, Rosa mudou-se para o Distrito de Rio do Testo (atual Pomerode), onde começou a trabalhar na Porcelana Schmidt em 1º de janeiro do ano seguinte. No Natal, buscou os filhos e, no dia seguinte, a família se reuniu novamente com a chegada de Vinzenz. Rosa permaneceu empregada até 1960. Já Vinzenz trabalhou em diferentes empresas, como a Casa Comercial de Carlos Krueger Filho, a Weege e a Maju, em Blumenau.
Em Pomerode, Vinzenz participou de grupos como o Jazz Estrela e tocou trombone em festas locais, ao lado de músicos da comunidade. Exigente na execução das peças e generoso com seu tempo, nunca cobrou pelos ensinamentos que oferecia aos jovens.
O músico também foi o responsável por fundar o Círculo Juvenil de Pomerode, em 1954. A iniciativa que acolheu jovens sem distinção social e ofereceu atividades de canto, teatro, dança, ginástica e música.
Para os que conviveram com ele, Vinzenz Weh foi um expoente da vida cultural pomerodense. Seu legado permanece vivo não apenas no coreto da Praça Jorge Lacerda, mas também na memória de uma cidade que sempre teve na música uma de suas maiores expressões de identidade.
































